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FREVO DO MUNDO

Vez ou outra um disco contemporâneo divide tanto o tempo com coisas mais antigas na minha playlist. Recentemente aconteceu com o Frevo do Mundo, produção lançada em 2008 pela Candeeiro records. Selecionado pelo Programa Petrobrás Cultural, o disco traz a proposta de homenagear o centenário do mais tradicional ritmo pernambucano, o frevo. Quem como eu acha que discos de homenagem são perigosos, pois correm o risco de serem ofuscados pela obra homenageada e virarem sombras do homenageado, deve dedicar atenção à este.

O projeto funciona como um diálogo geracional, respeitoso sim mas não acanhado, e por essas e outras surpreendente. Consta do tradicional frevo de Capiba, Luiz Bandeira e Aldemar Paiva, reinventados pela Orquestra Imperial, Mundo Livre S/A, Eddie, China, Siba e a Fuloresta, Erasto Vasconcelos, Edu Lobo, João Donato, Isaar, Cordel do Fogo Encantado, 3 na Massa, Flor de Cactus e a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério (OPBH). O esmero e a criatividade são nítidas intenções colocadas à prova, e que felizmente são alcançadas com maestria. Presente nos arranjos, nas sonoridades digitais que dividem espaço com o lirismo de outrora, e ainda na construção bem-humorada dos mesmos, tudo se harmoniza e se completa. Destaques para as notas aveludadas de João Donato, que muito à vontade transformam o frevo em coisa sua; a composição de Fred 04, única música composta recentemente, que faz uma hilária marcha de duplo sentido com Metendo Antraz; também as versões com mais elementos da música pop: Só Presta Quente, com Ortinho, e Oh! Bela, com o cantor China e o Sunga Trio, que disse que "um frevo tão popular tinha que ter uma roupagem popularesca, numa mistura de Daftpunk, Kelly Key e Capiba”; e ainda o eletrônico de Rica Amabis, Dengue e Pupillo, que casa muito bem com os arranjos do mestre Spok no frevo-de-bloco Frevo de Saudade interpretado pela cantora Céu.

Seria imperdoável não pontuar o rigor na produção e na direção artística que permitem a execução da premissa com um grande número de artistas. Parece muito bem intencionado contemplar vários maestros da orquestração pernambucana, como o mestre Spok e ainda, Duda, Clovis Pereira, Ademir Araújo e ainda os veteranos instrumentistas João Donato e Edu Lobo. São eles que providenciam bases sólidas e dão diretrizes para as trilhas inovadoras desta geração, o que mostra que a revolução musical, a reinvenção do passado de que falou Chico Science, não se faz sem referência, aprendizado. Neste sentido pontos a mais para os maestros e Pupillo, que além de manejar as baquetas do 3 na massa, toma conta da produção do grandioso album. O maestro Spok, que tem se destacado com seu incrível trabalho de renovação do frevo, elogia a proposta. “Foi maravilhoso tocar com os músicos da nova geração. Na verdade, eu transito bem entre a tradição e a novidade. Gosto muito das duas tribos”, ressalta.



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"[2008] Frevo do Mundo"

1. Banda Eddie - É de fazer chorar (3:20)
2. João Donato - Fogão (3:45)
3. Céu e 3 na Massa - Frevo de saudade (3:41)
4. Mundo Livre S/A - Metendo Antraz (2:26)
5. Orquestra Imperial - O dia vem raiando (3:29)
6. China e Sunga Trio - Oh, bela! (4:40)
7. Ortinho - Só presta quente (3:16)
8. Siba e a Fuloresta - Os melhores dias de minha vida (2:59)
9. Cordel do Fogo Encantado - Saudade (2:31)
10. Isaar de França - Paraquedista (4:20)
11. Flor de cactus - Inquenta muié (2:32)
12. Edu Lobo - Recife (frevo n.1) (2:23)
13. Erasto Vasconcelos - Papel crepon (3:15)
14. Orquestra Popular da Bomba do Hemetério - Cabelo de fogo (2:57)
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LIVING IN THE STREETS (VOL.1-2-3)


Dean Rudland pode não ser um dos nomes mais conhecidos entre os entusiastas do Soul, Jazz e Funk, no entanto, antes de tropeçar no pré-julgamento, saiba que Rudland é um dos mais notáveis DJs conhecidos por compilar obras significativas dos citados gêneros. Com conhecimento de causa, pois excursionou à exaustão enquanto jovem por lojas de discos e sebos, além de ter frequentado desde cedo a cena de acid-jazz, em voga nos anos 90. A combustão à fagulha inicial da paixão de Rudland por música, não foi apagada nunca mais. Trabalhou posteriormente com algumas das mais altas representações do acid-jazz/soul daquela época como Jamiroquai e o Brand New Heavies e conseguiu de lambuja um invejável cargo de compilador na renomada gravadora de jazz, Blue Note, onde lançou uma notável compilação chamada Blue Break Beats, que lhe abriu outras portas. Revisitemos então mais uma compilação diferenciada que traz o groove dos 70's ao palco da Oficina. Ao selecionarmos o melhor no assunto, optamos por disponibilizar uma obra de um verdadeiro mestre. E assim cai nas mãos do leitor/ouvinte a coletânea "Living In The Streets", uma trilogia lançada pela BGP Records que compila um vasto número de obras da tríade musical de raízes afro-americanas que mais bombavam nos guetos norte-americanos dos anos 70: Soul, Jazz e Funk.

A promessa do Volume 1, "Wah Wah Jazz, Funky Soul, And Other Dirty Grooves", é verídica. Mesmo que as primeiras faixas não brilhem tanto - o cover de "Use Me" de Isaac Hayes não chega aos pés da versão original de Bill Withers - neste disco, o ouvinte encontra o mais explosivo e representativo dos três discos. O volume um é uma compilação de fôlego, Dean Rudland parece por mais e mais labaredas musicais na pista no desenrolar do disco. Embora várias faixas tenham seu valor, ficamos com três destaques. "You" de Spanky Wilson, é impecável, tem groove, tem potência, e qual letra pode ser mais flamejante do que aquela que fala das labaredas da paixão? Rudeland ainda escolhe com maestria "I Don't Know What It Is But It Sure Is Funky" do Ripple e nos mostra do que é feito uma verdadeira rocha do funk: riffs pesados, arranjos de metais marcantes e vocalizações simples, porém eficazes em sua missão de trazer irreverência e balanço. "Marriage is a state of vibes" de Dave Hamilton é outro pico do disco, trazendo um funk jazz, onde a guitarra e o vibrafone se tornam elementos principais, evocando um som mais smooth, perfeito para trilhas sonoras de Blaxpoitation.



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"[1999] Living In The Streets - Vol.1"
link alternativo (.torrent) ou (.flac)

1. Isaac Hayes - Use Me (5:51)
2. Tammi Lynn - Light My Fire (4:02)
3. Caesar Frazier - Mighty Mouse (5:22)
4. Spanky Wilson - You (2:16)
5. Pazant Brothers - Loose And Juicy (5:16)
6. Houston Person - Sweet Buns And Barbeque (3:06)
7. Jacqueline Jones - One Monkey Can't Stop The Show (3:31)
8. Cal Tjader - Gimme Shelter (2:54)
9. Ripple - I Don't Know What It Is But It Sure Is Funky (3:27)
10. Idris Muhammad - Brother You Know You're Doing Wrong (5:41)
11. Dave Hamilton - Marriage Is A State Of Vibes (3:37)
12. The Fatback Band - Mister Bass Man (3:20)
13. Preston Love - Chili Mac (3:39)
14. Preston Epps - Afro-Mania (2:49)
15. Sonny Constanzo Big Band - New Beginning (4:55)

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O Volume 2, "More Wah Wah Jazz, Funky Soul And Other Dirty Grooves", promete mais do que cumpre. Diz que é uma continuação pelo caldeirão de raridades do disco um - e é assim que esperamos que seja quando começamos a ouvir Katie Love cantando "Don't Let It Go to Your Head", que faz lembrar Jacksons 5 - no entanto no decorrer do disco, vem a tona um funk mais voltado para o disco, onde a improvisação tem mais valor do que os elementos presentes no disco anterior. A maioria dos artistas presentes são desconhecidos para os mais leigos, e talvez continuem sendo, pois é preciso paciência para ouvir aquelas músicas em que o único sentido é o improviso. Sobra cafonice, aqueles vocaizinhos que tentam ser sensuais, harpas e gaitas em abundância, aqueles timbres percussivos bregas que só o finalzinho dos 70's e os 80's pode nos oferecer. Em alguns casos, a mesma linha melódica ecoa durante uns 7 minutos na sua cabeça.



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"[2001] Living In The Streets - Vol.2"
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1. Katie Love And The Four Shades Of Black - Don't Let It Go To Your Head (2:06)
2. Brenda George - I Can't Stand It (2:43)
3. Letta Mbulu - Afro Texas (3:33)
4. Joe Houston - Kicking Back Pts 1 & 2 (7:30)
5. Joe Bataan - Theme From The Men (7:19)
6. King Errisson - Sleep Talk (3:08)
7. The Mighty Tom Cats - Love Potion-Cheeba-Cheeba (4:28)
8. Macho - Mucho Macho (3:53)
9. Irene Reid - I Must Be Doing Something Right (2:37)
10. Byrdie Green - Return Of The Prodigal Son (3:19)
11. Sharon Cash - Fever (2:40)
12. Spanky Wilson - Kissing My Love (4:16)
13. Esther Marrow - And When I Die (5:01)
14. Walter Hawkins & Selah - Where Will You Run (3:30)
15. Jambo - Harrambee (3:14)
16. Preston Epps - Africa (6:20)

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O terceiro e último volume da série, "Busting Out Of The Ghetto", retoma o primeiro volume, traz elementos do soul/funk raiz, e músicas de seus representantes, como Fatback Band e Spanky Wilson além de mostrar músicas mais recentes, abertas à outros elementos melódicos, inspiradas no rock e até no rap como acontece com Vicious Rap, de Tanya Wynley. O resultado é uma coletânea mais fusion que raiz, mas como a capa nos avisa, é o gueto saindo do seu lugar-comum, se hibridizando. Vale o play.



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"[2004] Living In The Streets - Vol.3"
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1. Carlos Malcolm - Bustin' Outta The Ghetto (3:16)
2. The Generation - I'm A Good Woman (4:24)
3. Billy Hawks - (Oh Baby) I Do Believe I'm Losing You (3:05)
4. The Mighty Tom Cats - Dance Girl (3:46)
5. Fatback - You Gotta Believe (3:15)
6. The Mighty Tom Cats - Soul Makossa (4:27)
7. Tanya Winley - Vicious Rap (7:14)
8. Bobby Rush - Mary Jane (2:27)
9. King Hannibal - The Truth Shall Make You Free (3:19)
10. Johnny King And The Fatback Band - Peace, Love Not War (2:40)
11. Winfield Parker - Starvin' (3:56)
12. Spanky Wilson - He Called Me Baby (4:36)
13. East LA Car Pool - Seeds Of Life (3:51)
14. Jade - Viva! (Viva Tirado) (3:05)
15. Gary Bartz - I've Known Rivers (8:37)
16. Lorez Alexandria - I'm Wishin' (3:01)
17. Pat Bowie With Charles McPherson - Feeling Good (4:13)
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TREASURE ISLE HOTTEST HITS (VOL.1-2-3)


Há algum tempo não colocamos aqui álbuns que remetam às verdadeiras raízes do Reggae - aqueles que trazem o poder da música simplista, gravada com poucos recursos técnicos e floreadas com muito feeling. A tacada de hoje resgata essa linha da música jamaicana. São três discos que coletam o mais fino do acervo da Treasure Isle (uma das mais importantes gravadoras da época). Nada menos que quarenta faixas, todas nascidas nos primórdios da década de 1960, surfando tranquilas nas melhores ondas do Rocksteady, Lovers Rock e Soul. Como já adjetivamos em outros posts, esta também é uma coletânea tão agradável que fará até sua mãe sacolejar o esqueleto, provavelmente relembrando os bailes (ou jantares-dançantes) de sua época. Não é por menos, a relação desta fase da música jamaicana era realmente próxima ao Rhythm & Blues americano. Quer conhecer "um pouco" da história da música feita na ilha jamaicana? Então, experimente já deste veneno!

Todo produzido com a destreza de Duke Reid é um pacote de tirar o fôlego! Sem estender demais o assunto, estas pepitas sonoras carregam grandes passagens harmônicas e rítmicas, sempre caracterizada pelo groove jamaicano - ou caribenho em geral. Belos falsetes, precisos backing-vocals, timbres calorosos e pegadas enérgicas e relaxantes ao mesmo tempo. Algo que de repente fuja dos adjetivos, termos e rótulos. Posso arriscar que esta seja uma coletânea definitiva do início da "saga do Reggae", por assim dizer. O que realmente nos move aqui é a boa vibração proporcionada, o "sentimento sonoro" captado por nossos tímpanos e refletido na alma! Não tenha dúvida do alcance destas singelas e encantadoras canções. O poder da música jamaicana se faz atemporal e inimitável exatamente à partir desta leveza e irreverência evocada. Atente-se aos grandes nomes como Alton Ellis, Paragons, Sensations, Phillys Dillon e John Holt, mas jamais desvie o olhar dos demais. Divirtam-se e propaguem tamanha experiência!


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"[1968] Treasure Isle Hottest Hits - Vol.1"
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1. The Sensations - Those Guys (2:22)
2. The Melodians - Come On Little Girl (2:21)
3. Dobby Dobson - Loving Pauper (3:11)
4. The Silvertones - Midnight Hour (2:38)
5. Vic Taylor - Heartaches (3:11)
6. Alton & The Flames - Cry Tough(extended) (4:09)
7. The Techniques - Queen Majesty (3:28)
8. Hopeton Lewis & Phillis Dillion - Right Track (2:26)
9. The Sensations - I'll Never Fall In Love (2:16)
10. The Paragons - The Tide Is High (2:40)
11. The Jamaicans - Things You Say You Love (2:44)
12. The Three Tops - It's Raining (2:55)
13. The Three Tops - Do It Right (2:26)
14. Tyrone Evans - If This World Were Mine (2:18)
15. The Paragons - On The Beach (2:32)
16. Nora Dean - Barb Wire (2:17)

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"[1968] Treasure Isle Hottest Hits - Vol.2"
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1. Alton Ellis - Girl I've Got A Date (2:37)
2. The Sensations - Every Day Is A Holiday (2:29)
3. Freddie McKay - Love Is A Treasure (2:43)
4. Phyllis Dillon - Don't Stay Away (2:32)
5. The Melodians - You Don't Need Me (3:12)
6. The Techniques - My Girl (2:39)
7. Phyllis Dillon - Perfidia (2:36)
8. Alton Ellis - La La Means I Love You (3:10)
9. The Techniques - Travelling Man (2:34)
10. The Melodians - I'll Get Along Without You (2:56)
11. Joya Landis - Moonlight Lover (2:26)
12. The Techniques - I Wish It Would Rain (2:16)

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"[1968] Treasure Isle Hottest Hits - Vol.3"
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1. Joya Landis - Moonlight Lover (2:34)
2. Alton Ellis - Remember That Sunday (2:38)
3. The Paragons - Wear You To The Ball (2:38)
4. The Techniques - Love Is Not A Gamble (2:37)
5. John Holt - Stealing Stealing (1:56)
6. Hopeton Lewis - Boom Shaka Lak (2:45)
7. Claudette Miller - Tonight Is The Night (2:52)
8. Phyllis Dillon - The Love That A Woman (3:27)
9. Justin Hines & The Dominoes - Sinners (3:05)
10. The Techniques - There Comes A Time (2:29)
11. Clive & Doreen - What More Can I Do (2:31)
12. John Holt - Ali-Baba (2:37)
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SAM & DAVE: SWEET 'N' SOUL (ANTHOLOGY 1965-1971)



Já que o assunto é overdose, vamos de overdose de "Soul Music". Tá bom, este assunto de "morrer de overdose" já deu - e veja bem nem foi uma Elis, nem um Jimi, que morreu desta vez. O assunto aqui é música e não músicos. O disparate emocional aqui deve ser excitado pelos tímpanos primeiramente. Não importa nada além da influência da vibração da música em você - seja no cérebro, na alma, no ego ou no ouvido. Hoje apreciaremos apenas da boa música. Mais diretamente da música em que leva a "alma" como rótulo. Mas, afinal, o que vem a ser o tal do 'Soul Music'? É um gênero musical norte-americano, nascido na década de 1950, que carrega elementos do gospel afro-americano e linhas de rhythm blues. Cerca de uma década após o surgimento do tal Soul, o mundo é apresentado a Sam & Dave. Dois amigos que mostraram ao longo de vinte anos de carreira o poder de sua música. Através de uma coletânea dupla de tirar o chapéu e cair os cabelos, chamada precisamente "Sweet 'N' Soul", aprenderemos mais sobre este gênero poderoso e deslumbrante.

Lançada em 1993, mas trazendo as principais faixas da dupla Sam & Dave, esta coletânea mostra a íntima ligação entre garganta e alma - além da sintonia entre os próprios cantores. Sam & Dave eram muito afinados, tanto no tom quanto no dom. Vibrantes temas ficaram marcados na história do soul americano. Mencionando duplas, ninguém chegou aos seus pés. Harmonias intensas, mensagens apaixonadas, apelos poéticos eram as principais virtudes de sua música. Algo que se tornou atemporal, imprevisivelmente atemporal. Ganhou, chocou e fez chorar as massas. Sua mão gosta e provavelmente seu filhos irão gostar. E a você cabe a missão de levar a diante este tesouro de nossa história. O que é bonito é pra se mostrar, o que é bom é pra se encaminhar. São seis anos da carreira reunidos, cinquenta faixas (sim, eu disse "cinquenta faixas") do mais alto escalão do música feita e apresentada principalmente com a alma. Neste caso, de almas negras, vindas de uma realidade árdua e expressas com talento farto. Seja mais um experiente degustador do trabalho de Sam & Dave e depare-se alegremente com o resultado do Soul para sua vida. Despreze o acaso e sinta a música!



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"[1993] Sweet 'N' Soul 1965-1971"

- CD1
1. Sam & Dave - A Place Nobody Can Find (2:59)
2. Sam & Dave - Goodnight Baby (2:47)
3. Sam & Dave - I Take What I Want (2:34)
4. Sam & Dave - You Don't Know Like I Know (2:42)
5. Sam & Dave - Hold On! I'm A Comin' (2:38)
6. Sam & Dave - I Got Everything I Need (2:58)
7. Sam & Dave - Don't Make It So Hard On Me (2:47)
8. Sam & Dave - Blame Me (Don't Blame My Heart) (2:25)
9. Sam & Dave - You Got Me Hummin' (2:52)
10. Sam & Dave - When Something Is Wrong With My Baby (3:20)
11. Sam & Dave - Small Portion Of Your Love (2:40)
12. Sam & Dave - I Don't Need Nobody (To Tell Me 'bout My Baby) (2:58)
13. Sam & Dave - That's The Way It's Gotta Be (2:40)
14. Sam & Dave - Said I Wasn't Gonna Tell Nobody (2:39)
15. Sam & Dave - Soothe Me (Live) (3:01)
16. Sam & Dave - I Can't Stand Up For Falling Down (2:43)
17. Sam & Dave - Toe Hold (3:00)
18. Sam & Dave - Soul Man (2:41)
19. Sam & Dave - May I Baby (2:42)
20. Sam & Dave - Just Keep Holding On (3:04)
21. Sam & Dave - The Good Runs The Bad Away (2:18)
22. Sam & Dave - Rich Kind Of Poverty (2:16)
23. Sam & Dave - I've Seen What Lonelyness Can Do (2:56)
24. Sam & Dave - My Reason For Living (2:40)
25. Sam & Dave - Stay In School (Public Service Announcement) (1:13)

- CD2
1. Sam & Dave - I Thank You (2:48)
2. Sam & Dave - Wrap It Up (2:34)
3. Sam & Dave - Broke Down Piece Of Man (2:57)
4. Sam & Dave - Hold It Baby (2:39)
5. Sam & Dave - Come On In (2:56)
6. Sam & Dave - This Is Your World (2:28)
7. Sam & Dave - You Don't Know What You Mean To Me (2:12)
8. Sam & Dave - Everybody Got To Believe In Somebody (3:16)
9. Sam & Dave - Can't You Find Another Way (Of Doing It) (2:27)
10. Sam & Dave - Ain't That A Lot Of Love (2:45)
11. Sam & Dave - Don't Turn Your Heater On (2:19)
12. Sam & Dave - Soul Sister, Brown Sugar (2:31)
13. Sam & Dave - Born Again (2:40)
14. Sam & Dave - You Left The Water Running (3:08)
15. Sam & Dave - Holdin' On (2:40)
16. Sam & Dave - I'm Not An Indian Giver (2:35)
17. Sam & Dave - One Part Love - Two Parts Pain (3:09)
18. Sam & Dave - Baby - Baby Don't Stop Now (2:31)
19. Sam & Dave - Standing In The Safety Zone (3:16)
20. Sam & Dave - Knock It Out The Park With The Dixie Flyers (2:34)
21. Sam & Dave - Don't Pull Your Love (3:18)
22. Sam & Dave - Jody Ryder Got Killed (2:42)
23. Sam & Dave - Starting All Over Again (3:45)
24. Sam & Dave - Stop (3:09)
25. Sam & Dave - Shop Around (2:52)

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TROPICAL GROOVES & AFROFUNK INTERNATIONAL - VOL​.​1


O trabalho da Paris DJs há tempos vem sendo estirado às alturas. Tanto pela afinada curadoria quanto pelo glamour aferido. Trata-se de um trabalho formidável de garimpo musical realizado e sustentado pelos produtores multifuncionais Grant Phabao e Djouls. O que começou com ácidos podcasts evoluiu ligeiro e ganhou o mundo. A ideia não é apenas trazer o calor vintage para fones de ouvido das pessoas, mas também apresentar ao mercado algo digno das graças psicodélicas dos anos 70. Uma experiência musical retro-futurista através da diáspora africana e suas marcantes heranças para a música contemporânea.

Esta jornada rumo ao desconhecido, ao inesperado, especificamente realizado pra Paris DJs, tem sido eleita espontaneamente como uma das mais importantes e impressionantes releituras do século. Nesta mesma linha de projeto, que resgata e reutiliza velhas iguarias musicais, temos os respeitáveis selos Sofrito, Analog Africa, Tru Thoughts e Ubiquity Records. Todos vão fundo no caldeirão da música essencialmente produzida em solos africanos, alimentando-se de obras que caminham fora do eixo comercial. Aqui, nesta coletânea altamente delirante, vibraremos sobre os mais pesados grooves do Afrobeat, Ethio-Jazz, Afrofunk, Reggae, Soul e alguns flows do Hip-Hop. Sempre usando da certeira receita que abusa de velhos ingredientes em técnicas modernas e imprevisíveis.

No manche deste barco está a destreza visionária de Grant Phabao, que separou as peças e produziu todo o disco. Na mente deste capitão reside o mérito desta que é (acredite!) a primeira coletânea oficial lançada pelo selo Paris DJs. E que venham mais do mesmo, que nunca será igual mesmo. Tal resgate não passa apenas pelo cerne musical mas também engloba o visual com a incrível capa-poster de Ben Hito. Grandes nomes, que ainda não marcaram definitivamente seus nomes no cenário, chegam aqui mostrando talento e excelente propostas para o futuro da música-negra. É fato que a África está em alta - e talvez nunca tenha deixado de estar. Nesta selecta podemos afirmar que tal caldeirão reserva mais que o suficiente para sustentar por décadas seus voluntários e incansáveis seguidores. Destaque para a faixa de abertura, "The Going Is Tough", com participação do Adrian 'Studio Monster' Quesada. Também para a faixa de Kaleta, Super Hi-Fi e Piramid Blue, além da track naipe Motown, "You're The Kind Of Girl" de Lee Fields & The Expressions. Atentem-se rapidamente às singelas e magníficas teclas de Les Frêres Smith e ao trabalho de estréia da Grant Phabao Afrofunk Arkestra. O resto também mostrará seu valor assim que deres a primeira orelhada. Um discaço do começo ao fim... Ouça sem piscar, dance sem pensar.


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"[2012] Dis Is Good For You"
torrent by PirateBay

1. Grant Phabao & The Jays - The Going Is Tough (Adrian Quesada Remix) (4:41)
2. Grant Phabao, Carlton Livingston & The Lone Ranger - (A Message To You) Rudie (3:30)
3. Kaleta - Thank God We Are Africans (6:35)
4. Franck Biyong & The Diamane Bantu Messengers - Fe Bain (5:03)
5. Les Frères Smith - Yègellé Tezeta (My Own Memory) (4:58)
6. Lee Fields & The Expressions - You're The Kind Of Girl (Grant Phabao Remix) (4:03)
7. Grant Phabao & Afrodyete The African Goddess of Love - Feelin' You Feelin' Me (5:38)
8. Muyiwa Kunnuji - Everything That Has Breath (7:02)
9. Grant Phabao Afrofunk Arkestra - Ogun (4:12)
10. Super Hi-Fi - March of the Frogs (Myles Boisen Mix) (4:47)
11. Pyramid Blue - African Jungle (3:20)
12. Kraked Unit feat. Joseph Cotton & Oghene Kologbo - Soul Shakedown Party (4:49)
13. Soul Sugar - Bon Esprit (Alternate Mix) (3:48)

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CARNIBAL RECORDS: CARNIBAL RECORDS 002

A Carnibal Records é um selo grego que tem em seu catálogo beats e grooves de produtores de todos os cantos do mundo. Neste caso, a natureza do projeto já é prenúncio do conteúdo das obras. Lançados em Coletâneas/ep's, os discos são mais um retrato da música contemporânea, inspirada num horizonte sempre cambiante - consagrada pela pós-modernidade, pela internet, e pela globalização. No EP que disponibilizo por aqui, é audível a ausência de fronteiras identitárias - os gêneros são facilmente acessíveis pelos produtores e tudo torna-se misturável, proporcionando sonoridades sequer pensadas antes desse nosso tempo. Como surge grafado no Soundcloud da própria gravadora, os EPs são resultados de viagens à lugares inspiradores, e suas respectivas músicas tradicionais. Estas, foram coletadas desde as montanhas colombianas e peruanas, até os bairros de New Orleans e Harlem. E também da Jamaica e das costas brasileiras até os rios da Nigeria e Angola. Para enriquecer mais estes retratos turísticos, a Carnibal pega carona também na máquina do tempo musical. Os produtores registram sonoridades desde a Swing Era da década de 30, passam pelo Funk e o Reggae de 60 e desembocam no Hip Hop da década de 70.

No EP número 02 encontramos beats de rap, e pitadas de samba e música afro-cubana. Por ser um EP, trata-se de um registro curto, que vale mais como uma conexão para outros EPs. O disco começa muito bem nas duas primeiras músicas. "Favelas" é um beat cheio de groove e musicalidade, traz em seu corpo, fazendo toda a diferença, o sample de "Confiança" na voz dos Originais do Samba. E "Porfavor" mantém a fervura alta, transportando o ouvinte rapidamente para uma sonoridade afro-cubana, ainda repleta de ânimo. Em compensação a terceira e a quarta música, na minha opinião não mantém o impacto das duas primeiras e mais impacientam o ouvinte com sua repetição. Parece que as mesmas transformações sociais e econômicas que possibilitam um propósito multicultural nunca antes visto na arte, ao mesmo tempo proporcionam muita música com mais repetição que conteúdo. Em suma o saldo é até que positivo, já que fica a vontade de desbravar outros EPs do selo.



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"[2012] Carnibal Records 02"

1. Palov e Panama Cardoon - Favelas (3:34)
2. Kill Emil - Porfavor (3:31)
3. Daytoner - Bang Bang (3:08)
4. Monetrik - Latin Beauty (3:47)
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DARKER THAN BLUE: SOUL FROM JAMDOWN 1973-1980


Há um assunto pouco tratado na história do Reggae. Após a revolução musical trazida pela década de ouro jamaicana em 70, diversos artistas apenas medíocres surgiram. Diversos nomes surgiram na esperança de pegar carona na onda do reconhecimento e do, logo, sucesso que o tal "reggae" vinha atingindo. A verdade é que, desde a década de 60, os jamaicanos, abraçando as influências dos EUA, já se expressavam com a frenesi do Soul e logo em seguida do R&B. Alguns destes migraram para o early-reggae e por estes trilhos seguiram em busca do sucesso. Porém não havia espaço para todos, claro!

Num país onde a escassez de recursos era majoritária, muitos tinham vontade mas poucos realmente tinham talento nato. Esta safra, digamos, oportunista, produziu muito do mesmo. Talvez os amantes do ritmo jamaicano não aceitem, mas diversos trabalhos, quando equiparados, mostram semelhanças banais. A tacada de hoje, aqui em nossa Oficina de Macacos, acerta exatamente o melhor: os mais talentosos e expressivos representantes desta fase no qual a herança do Soul concebeu o Reggae!

Em "Darker Than Blue", lançado em 2001 pela adubadíssima Blood And Fire, o ritmo é marcado pela batida invertida autêntica do Reggae, porém a intensidade entoada remete ao calor do Soul. Apresenta artistas com timbres marcantes, cantando com esplendor a realidade árdua e injusta de um país de poucas oportunidades! Grandes clássicos que surgiram entre 1973 e 1980 são reunidos de uma forma irretocável. Daquelas selectas na qual não descarta-se nenhuma faixa se quer. Intensos grooves, falsetes maravilhosos, mensagens de peso e delicadeza ao fazê-los. O mais fiel representante do valor das raízes da música jamaicana que, além dos preceitos rastas, é nutrida na profundeza ancestral do Soul - a base do grito negro em toda região caribenha e norte-americana. É bom lembrar que dentre os ilustres jogadores estão nomes que atingiram o mainstream, porém atente-se aos mais desconhecidos da coletânea - irá se surpreender! Algo para se relacionar como patrimônio básico para os mais interessados amantes da boa música! Dê o play e volte sempre, macaco!

"Através dos anos 1960, como o movimento Soul americano começou cada vez mais a refletir as preocupações sociais e as aspirações políticas da classe trabalhadora negra, o mesmo fenômeno começou a ser registrado na música jamaicana. [...] Esta compilação comemora o intercâmbio cultural durante a década de 1970, enfatizando o fato de que música de raiz não tem de ser abertamente Rastafari. Na verdade, várias das canções aqui trataram com sutileza as insustentáveis condições sociais e políticas jamaicanas de forma universal." ~texto traduzido do encarte


Dê o play, macaco!
"[2001] Darker Than Blue"

1. The Boris Gardiner Happening Feat. Leslie Butler - Ghetto Funk (3:05)
2. The Chosen Few - Collie Stuff (2:51)
3. Carl Bradney - Slipping Into Darkness (3:03)
4. Ken Boothe - Is It Because I'm Black? (3:26)
5. Freddie McGregor - Get Involved (3:33)
6. Al Brown - Ain't No Love In The Heart Of The City (3:20)
7. In-Crowd - Mango Walk (3:24)
8. Ken Boothe - Ain't No Sunshine (2:11)
9. Milton Henry - Gypsy Woman (2:59)
10. Junior Murvin - Give Me Your Love (2:04)
11. John Holt - For The Love Of You (3:37)
12. Alton Ellis - It's A Shame (2:45)
13. Jimmy London - I'm Your Puppet (3:36)
14. Delroy Wilson - Get Ready (12 Inch Mix) (5:37)
15. Lloyd Charmers - Darker Than Blue (2:56)
16. Tinga Stewart - Why Can't We Live Together? (Extended) (6:57)
17. The Tamlins - Baltimore (4:01)
18. Welton Irie - Hotter Reggae Music (3:46)

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THE FUNKY PRECEDENT (VOL.1 + VOL.2)


Atenção! Antes ler mais qualquer frase, corra e faça primeiro o download. Dê o play e logo entenderá o peso desta série que traz a reunião dos mais admiráveis Hip-Hop funkeados de todos os tempos! Um artigo de luxo apelidado pelo símio mais sábio como "a coletânea definitiva" de Hip-Hop + Funk. O melhor do submundo do processo de criação atual, tracks esquecidas ou mal-vistas na ocasião, todas lançadas com pompa e louvor. O diálogo entre os gêneros é afinado, sintonizado com minúcia. Acredito que tal entendimento se deu pelas influências entre os produtores do Hip-Hop, ou beat-makers. Vidrados pela música negra de groove incansavelmente dançante: o tal do Funk, por assim chamar (afinal, todo rótulo acaba limitando seu conteúdo).

A saga teve inicio em 1999, quando lançado pela LooseGroove Records (Vol.1), depois com a ajuda da Matador Records (Vol.2) e, finalmente, pela Kajmere Sound (Vol.3 - Impeach The Precedent). Este catado nos apresenta batidas pesadas e inusitadas. Tanto orgânicas quanto digitais, construídas por bandas virtuosas ou por apenas uma unica mente brilhante. Expressadas por belas linhas vocais ou por ligeiros flows. Scratchs vorazes, timbres precisos, experimentações nebulosas e samplers de alto nível é o que irá encontrar por aqui. Algo que passa por várias paisagens sem desfocar o vislumbre de cada trecho. Passagens bem miradas no Nu-Jazz, Break, Turntablism, Gospel e Afro-Funk retratam a beleza dos discos. Se você seguiu a recomendação do início do texto provavelmente já entendeu o resultado da obra. Destaque para a seleção como um todo, seu poderio e a expertise ao relacionar estas pepitas pré-lapidadas para satisfazer os mais enjoados tímpanos. Não perca mais tempo, deleite-se com mais estas pedradas do novo mundo.

"Apesar de concentrar principalmente no 'Los Angeles Style' de hip-hop, esta coletânea estende seu alcance passando do antiquado à baladas acústicas maliense-flexionadas. Quase todas as faixas são um sucesso irremediável e as demais são simplesmente espetaculares (nem todas compilações do gênero podem dizer o mesmo). 'The Funky Precedent' tem uma vibração forte e sólida do início ao fim!" ~ Bill Cassel


Dê o play, macaco!
[1999] Impeach The Precedent

1. Shortkut & Roy C. Hammond - Impeach The President (4:14)
2. Young Einstein & Zaakir - Have And Have Nots (3:26)
3. Thes One & J-Live - Give It Up (5:51)
4. This Kid Named Miles & Medusa - New Definition (4:14)
5. The Globetroddas - Love (4:33)
6. Jazzanova - L.o.v.e. And You And I (7:48)
7. The Poets Of Rhythm - Flight To St. Vincent (3:47)
8. Sharon Jones & The Dap-Kings - What If We All Stopped Paying Taxes (4:33)
9. Damon Aaron - Bungalow (3:47)
10. Blk Sonshine - Echoes (3:46)
11. Antibalas - P.a.z. (6:49)
12. People Under The Stairs - Bomb Combo (4:34)
13. Crown City Rockers - Movement (4:47)
14. Breakestra - Show And Prove (3:02)
15. The New Mastersounds - Bullseye (3:08)
16. The Rebirth - Every Body Say Yeah (7:40)

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1. Skhool Yard - Here We Come (3:48)
2. Rasco - Uncut (3:34)
3. Live Human - Lagoona's Bliss (5:10)
4. Azeem - Contradictions (3:54)
5. Zion I - We Got It (3:45)
6. Foreign Legion - Bike Thief (3:25)
7. Eye Cue & Rashinel - Clear The Slate (3:16)
8. Anticon - Pity Party People (4:38)
9. DJ Vinroc of Triple Threat DJs - 3Thahardway (3:58)
10. Stymie & The Pimp Jones Love Orchestra - Fan Club (5:25)
11. Encore of Executive Lounge - The Movement (3:56)
12. Kemetic Suns - We A Warrior (3:54)
13. EB F of Various Blends - Condiments (5:41)
14. Sahnuhtayshun Duhpartment Muzik Feat. Khaos Unique - I'm K.U. (3:33)
15. Pep Love - Warrior Poet (4:55)

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1. Dilated Peoples - Triple Optics (Live Funky Precedent Mix) (4:45)
2. Jurassic 5 - Concrete Schoolyard (Funky Precedent Edit) (4:11)
3. Abstract Rude & Tribe Unique - Musically Inclined (4:11)
4. Cut Chemist & Miles - S.N.T. (Live at Peacepipe) (5:13)
5. Ugly Duckling - Journey To Anywhere (With Piano Bar Intro) (4:52)
6. DJ Rhettmatic - The Audition (2:17)
7. The Breakestra - Getcho Soul Together (5:25)
8. Ozomotli - Cumbia De Los Muertos (3:32)
9. Blk SonShine feat. Masauko Chipembere - Building (4:31)
10. Damon Aaron - To the Outside (4:18)
11. Miles - Good Vibrations (5:03)
12. Styles of Beyond - Ambiguous Figures (3:27)
13. Divine Styler - Make It Plain (4:13)
14. Aceyalone - Project Bliznaiznowed (4:01)
15. Black Eyed Peas - Get Sober (4:53)
16. Myka of Freestyle Fellowship - Save the Music (5:21)
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DAVID RODIGAN'S DUBWISE SHOWER


Então o Dub! Aquele som massivo, despótico e pesado que provoca duvida em muitos ouvintes. O que se trata? É uma versão beta de alguma música? Um rascunho de um projeto futuro? Uma falha na gravação? Na verdade, pode ser tudo isso ao mesmo tempo dependendo da insanidade criativa de seu produtor. Surgiu nos mais empoeirados estúdios jamaicanos, e nasceu das mãos dos mais curiosos colecionadores de discos. Em meio à defasagem tecnólogica da ilha, começaram então a manipular as faixas com simples efeitos, como tirar frequências agudas aqui ou então adicionar delays ou reverbs acolá. Tudo não passara de diversão, então receberam a poderosa síntese "bateria + baixo", formando nesta a estrutura base para o Dub. Dali para o surgimento dos soundsystems foram poucos passos (passos de dança, evidentemente). Nesta altura a bagunça foi ganhando admiradores e a cena ganhando identidade. A festa, então, ficou completa quando os "dee-jays" (geralmente os donos dos soundsystems), no calor do cenário, começaram a improvisar e rimar sobre as faixas instrumentais ou "adubadas" que, nesta hora, já eram lançadas no lado-B dos EPs! O deleite se deu principalmente com a chegada daqueles que chamo de "titios do hip-hop". Afinal, se James Brown é, para muitos, "o pai do rap", o jamaicano U-Roy, com seus furtivos versos, deverá ser nomeado o tio!

De lá pra cá o que mudou foram os recursos usados, mas sua essência continua a mesma. David Rodigan que o diga! Este homem aprendeu bem com as obras deixadas por Lee Perry, King Tubby e Sylvan Morris. Em seu último trabalho, lançado em 2011, Rodigan dá um banho nas expectativas e apresenta algo digno de respeito. O produtor Rodigan é branco, sexagenário, inglês e responsável a décadas por programas voltados ao Reggae em rádios britânicas. Conhece bem o suficiente pra erguer uma coletânea honesta de Dub, nao é? A gravadora BBE Music pensou a mesma coisa.

O resultado é o "David Rodigan's Dubwise Shower". Pra lavar a alma de nós, apaixonados pelo Dub. De forma limpa e transparente, David Rodigan nos entrega um playlist bem variado! Sentimos que a escolha não se prendeu a nenhuma âncora mais óbvia. Digo isso pois temos, dentre a lista, a presença de novos e antigos pupilos, além de boas faixas de artistas quase ruins, também traz faixas conhecidas e outras por demais misteriosas. Da nova safra, destaco a releitura de Alborosie e Da Grynch. Entre os anciãos, as melhores versões são de Sly & Robbie, Barry Brown, Errol Thompson & The Matador e, sem dúvida, Augustus Pablo. Um disco delirante e de muito bom gosto, com gravações de altíssima qualidade, trazendo precisas peças da história da guinada do Dub rumo ao anônimo estrelato. 


Dê o play, macaco!
"[2011] David Rodigan's Dubwize Shower"
link alternativo - FLAC

1. Keith Hudson - Pick a Dub (2:42)
2. King Tubby - In Fine Style (3:16)
3. Sly & Robbie - Joy Ride Dub (Taxi) (3:41)
4. Alborosie - Dubbing Kingston (2:59)
5. King Tubby feat. Barry Brown - King of Zion Dub (4:09)
6. King Tubby - Mercy Horns (3:24)
7. Sly & Robbie - Poker Face Dub (4:46)
8. Augustus Pablo - Frozen Dub (2:53)
9. King Tubby feat. Johnny Clarke - Babylon Yard Dub (2:36)
10. Errol T. & The Matador - Spider Man Dub (3:37)
11. Da Grynch - Joker Smoker Dub (3:51)
12. King Tubby feat. John Holt & Dillinger - West Dub (2:23)
13. Alborosie - Tribute to the King (3:22)
14. Sylvan Morris & Andy's All Stars - Walk Right In (3:08)
15. King Tubby feat. Johnny Clarke - Roots Natty Congo Dub (3:41)
16. Errol T and the Matador - Third Dub (3:19)
17. Sly & Robbie - Demolition City Dub (5:38)
18. Da Grynch - Pass Da Kouchie instrumental (3:51)
19. King Tubby feat Cornell Campbell - Gorgon Dub (2:24)
20. King Tubby feat. Johnny Clarke - Running Over (2:34)
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HIP HOP REGGAE SERIES


Como já pregara Criolo: "Atidudes de amor devemos samplear!". Neste romance o Reggae flerta com o Hip-hop, e o Hip-hop dá lado ao Reggae! De coração, sem montagens chulas, nem tampouco em ofertas óbvias e sem pimenta! Para tal flechada, nenhum cupido melhor que aqueles da Stix Rec. (selo francês especialista em mash-ups de alta destreza). Baixo, batéra e delays cavernosos, relatam o Reggae. Rima forte, sangue fervido e respeito gangsta, denunciam o Hip-Hop. Saída à pouco da estufa, "Hip Hop Reggae Series", sugere três sessões de muito bom-grado: duas produzidas por Taggy Matcher e outra arquitetada por seu braço direito, Mato. Riddims produzidos do zero, o que confere fidelidade, originalidade e precisão. Diferentemente dos demais projetos que "apenas" sobrepoem faixas já produzidas. Divertimento certo tanto pra crianças crescidas com o ouvido na Jamaica, como às nascidas com o pé no gueto!

O primeiro volume, de 2009, integrado por Taggy Matcher refaz o sucesso de grandes clássicos da segunda metade do século XX. Quem estira a bandeira logo de cara é Sugarhill Gang - detentores de um dos riffs de baixo mais sampleados da história. Destaque para as tracks de Beastie Boys, Pharrel, Erykah Badu, Roots Manuva e Das EFX. No geral, um disco honesto, agradável e voráz! Recomendadíssimo aos luxuosos amantes da boa música!


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"[2009] Hip Hop Reggae Series - Vol.1"

1. Sugarhill Gang - Rappoors Delaaght (4:27)
2. Q-Tip - Breathe And Stop (4:13)
3. Beastie Boys - Root Down (4:10)
4. Pharrel - Frontin (4:06)
5. Ol' Dirty Bastard - Shimmy Shimmy Ya (4:04)
6. Grandmaster Flash - The Message (4:01)
7. Roots Manuva - Witness (3:28)
8. Erykah Badu - On And On (4:00)
9. Das EFX - Real Hip Hop (3:52)
10. Notorious B.I.G. - Hypnotize (3:31)
11. Run DMC - My Adidas (3:51)

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Na sequência, chega provocando alarde a sessão produzida por Mato. Este volume é aquele que massageia e surpreende mais avidamente seus tímpanos e todo o conjunto auditivo. Poucas faixas poderiam ser incluídas fora da lista de destaque. Qualquer palpite seria assertivo, tente abusando das faixas de Fugees, Eminem & D12, Luniz, Blackstreet e Public Enemy. Caso não o satisfaça, priorize atenção sobre a mgnífica versão para "Music", de Erick Sermon & Marvin Gaye, que conta com auxílio de uma nobre escaleta. Retomando a sanidade ouse provocar o intelecto com a remontagem miraculosa para "Black or White", do finado Michael Jackson. E se, por fim, nada o comover, procure marcar imediatamente consulta no divã de Madlib, J.Dilla, Lee Perry ou Mad Professor!


Dê o play, macaco!
"[2010] Hip Hop Reggae Series - Vol.2"

1. Fugees- Ready Or Not (3:38)
2. Luniz- I Got 5 On It (4:29)
3. Erick Sermon & Marvin Gaye - Music (3:53)
4. The Pharcyde - Passing Me By (4:12)
5. Eminem & D12- Blow My Buzz (4:42)
6. Dr. Dre- The Wash (2:45)
7. Blackstreet- No Diggity (4:20)
8. KRS One- Ah Yeah (3:06)
9. Public Enemy- Bring The Noise (2:51)
10. Beatie Boys - Intergalactic (3:30)
11. Warren G. - Regulate (4:26)
12. Michael Jackson - Black Or White (3:03)



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Pra matar o cachorro a gritos, Taggy Matcher, de novo, arrebata quaisquer ceticismo poético ou sonoro. A faixa que abre alas prevê tal ascenção. Mary J. Blige, em "Family Affair", nos convence com argumentos que mais parecem atender exclusivamente aos preceito do Reggae - linha de baixo remete ao colossal Robbie Shakespeare. Por ordem, agradeçam Missy Elliott, Dr. Dre & Snoop Dogg e Erykah Badu - as mais grandiosas participações deste volume. Com pesos e medidas bem definidos, esta obra pode chegar a um patamar jamais atingido por mash-ups deste quilate!


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"[2010] Hip Hop Reggae Series - Vol.3"

1. Mary J. Blige- Family Affair (4:55)
2. Missy Elliott- Get Your Freak On (3:51)
3. Dr. Dre & Snoop Dogg- Next Episode (3:58)
4. Nas- Ain't Hard To Tell (4:13)
5. Erykah Badu- Next Lifetime (5:04)
6. Beastie Boys - Sure Shot (3:59)
7. Gravediggaz- No Where To Run (4:33)
8. Method Man & Redman- How High (3:32)
9. Public Enemy- Public Enemy No.1 (4:50)
10. Taggy Matcher - Nautilus (4:05)

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RARE REGGAE GROOVES FROM STUDIO ONE


Antes de qualquer coisa, releia o título desta resenha. "Rare Reggae Grooves From Studio One"! Bom, não preciso dizer mais nada - ou quase nada! Lançada no famoso ano-2000, do famoso bug do milêncio (logo após uma criança americana descobrir, provavelmente com seu "Méquim Tóche", que não passara de mais uma data comum para os computadores e afins). Incomum mesmo é os produtores deste disco nunca terem lançado antes desta lenda cair de fato. E se tal profecia tivesse realmente arruinado a vida na Terra? Não teríamos o prazer, suave e prolongado, de conhecê-lo? Delírios e teorias à parte, saudemos a transfusão de conteúdo permutada entre Clement Coxsone Dodd e Chris Wilson. A topada persuasiva entre Studio One e Heartbeat vem gerando bons frutos.

Por agora, satisfeitos desfrutamos deste maravilhoso tesouro encontrado no mais sombrio porão, na mais remota pratileira, da Studio One Records. Oito faixas lapidadas pelas mãos de Coxsone Dodd entre 60 e 70. Merecedoras de versões estendidas, lançadas normalmente nos velho-conhecidos doze polegadas (12") - na frente a versão normal e respectivo combo "instrumental + dub" do outro lado. Surpreendente também a qualidade de áudio final, o emparelhando com produções modernas que resgatam o timbre "retrô", por assim dizer. Batera parece ter sido gravada com infalíveis técnicas de overdubs. Vocal mantém-se no foco durante todo o processo, sem perder a linha, nem a pipa. Peter Broggs, Lloyd Robinson, Winston Francis e Ken Boothe agradecem. Afinal mostram sua cara com a melhor produção da ilha jamaicana, do papai Dodd. Com generosas pitadas de Soul e Funk, os temas ganham temperos altamente marcantes. Confortável, original, elegante e harmonioso são adjetivos imbuídos facilmente. Pedradas para se ouvir com capacete de kevlar espacial! Destaque para "Cuss Cuss", "Going To Zion" e a formidável "Sing a New Song".


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"[2000] Rare Reggae Grooves"

1. Lloyd Robinson - Cuss Cuss (6:25)
2. Peter Broggs - Sing A New Song (4:10)
3. The Gaylads - Love Me With All Of Your Heart (4:11)
4. The Silvertones - Take A Little Love (7:01)
5. Ken Boothe - Come Running Back (6:12)
6. The Martinis - My Baby (6:12)
7. Arthur Robinson - Moments (6:14)
8. Winston Francis - Going To Zion (6:43)


salve AvaxHome.ws
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HI-FIDELITY DUB SESSIONS: PRESENTS ROOTS COMBINATION

Rob Symeonn, o destaque do disco.
Realimentando o acervo dos visíveis garimpeiros musicais, lanço ao ventilador a ultima peça do quebra cabeças chamado "Hi-Fidelity Dub Sessions". Seguindo a ordem cronológica, esta seria a terceira de cinco preciosas flechas sonoras. "Presents: Roots Combination", é quase uma playlist genérica para qualquer soundsystem que se preze. Trata-se de uma onírica seleção - a melhor de toda a série - emancipada por Ticklah à mando da Guidance Records, no ano de 2001. Já com o pensamento no amanhã, tal catado retrata bem os rumos que o Dub vem tomando. Este volume raríssimo relaciona faixas surpreendentes dos produtores e produzidos mais contempôraneos de todos os cantos da Terra, usando de novas fórmulas, novos conceitos e critérios! As referências são revisitadas nervosamente, até que o resultado fique à margem de rotulações, fora das etiquetas práticas mais comuns. Moderno, apurado, ativo e requintado!

Ticklah, sob a alcunha de Roots Combination, que assina tal coletânea, escreve mais uma emocionante página na história do reggae do novo milênio. Algo que lá na frente terá seu notável reconhecimento! Participam do álbum alguns dos mais brilhantes e desconhecidos artilheiros deste campeonato da nova era. Sluggy Ranks, Ruff Scott, Sonic Boom e Calbert Walker são os mais habilidosos, mas o maior destaque vai para o goleador ambi-destro Rob Symeonn - o novo pupilo da Easy Star Records. Aqui você encontrará produções menos orgânicas de Ragga, Ambient, Rub-a-Dub, Dancehall, Downtempo, todos misturados e recolocados com jamaicana alquimia. Formando assim, o que fora apelidado de Dub. Baterias e baixo protegem a cozinha, deixando todo o resto sob fortes intempéries dos delays e reverbs intermitentes. Destaques para as faixas: "Na Bow Down", "Painful Dub", "Oh Lawd", "Wicked a Go Dub It" e a escaletada "The Dub And The Restless". Um disco direcionado aos mais interessados, àqueles aficionados pelo poder da música jamaicana e suas inúmeras vertentes!




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"[2001] Presents Roots Combination"
senha: oficinademacacos.blogspot.com

1. Calbert Walker - Spoony Bill (3:35)
2. Sonic Boom & Tamara - Painful Dub (4:20)
3. Sluggy Ranks - Nah Bow Down (5:01)
4. Rootical Sound - Horny Dub (5:02)
5. Douglass And Degraw & Rob Symeonn - Wicked A Go Dub It (3:39)
6. Calbert Walker - General Tso (3:23)
7. Rootical Sound - C.B. Stories (3:08)
8. 4th Ave Rockers, Rob Symeonn & Ruff Scott - Move Along (4:21)
9. 4th Ave Rockers, Rob Symeonn & Ruff Scott - Oh Lawd (4:24)
10. Sonic Boom - The Dub And The Restless (4:35)
11. Rootical Sound & Ruff Scott - Greedy For The Dollar Bill (4:01)
12. Rootical Sound - Dub It Today (4:10)
13. Rootical Sound & Ruff Scott - Gift Of Dub (6:18)
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SERTÃO MADRUGADA: MUSIC FROM BRASIL, COLOMBIA, SIERRA LEONE & ERITREA


No mundo da música existem alguns selos que consolidam-se no mercado de forma tão singular que as relações sígnicas entre a marca e o produto ofertado acabam sendo bastante assimiladas pelos consumidores-ouvintes. Exala-se dessa relação um sinônimo de fidelidade para com a qualidade. É quase impossível falar de Jazz sem Blue Note, de funk/soul sem Motown e de música jamaicana sem Studio One. Por ora vamos exaltar a Mochilla, mantida pelos fotógrafos Brian Cross (aka B+) e Eric Coleman (aka Coleman), que apesar de embrionária se colocada ao lado dos outros selos citados, vêm consolidando-se bem no universo do hip-hop. Firmou-se com consistência após dois ambiciosos projetos: "Keep in Time" e "Brasilin' Time", cujas propostas eram promover inusitadas jams entre DJ's, MC's e músicos - Para baixar o Brasilin' Time clique aqui!. O album que coloco aqui hoje, nada têm do gênero hip-hop, mas é uma mix-tape cunhada por um admirador do gênero. "Sertão Madrugada" tem como essência um trabalho espetacular de diggin's cavucadas por B+. Os dizeres grafados na capa do disco podem nos mostrar os caminhos trilhados por ele, que já envereda-nos num ambiente árido e não menos instigante com o título escolhido. Ainda estancados na capa, estão mais alguns dizeres que para mim foram cruciais: "Music from Brazil, Colombia, Sierra Leone and Eritrea".

No interior do album, você encontrará uma mistura bizarra de funk, maracatu, baião e rítmos folclóricos que surpreendem orgulham de tal forma que te farão pensar menos nas baboseiras produzidas e consumidas em solo nacional. As faixas totalmente desconhecidas que têm como berço países como Colômbia, Serra Leoa e a Eritreia também são certeiras, digníssimas. É importante notar que não só os rítmos ditam as cores do disco. Os cantos são um espetáculo à parte, sinceros e gloriosos. As músicas que cantam em alto e bom som as tradições e a cultura dos povos, tocam a alma. As barreiras dos sons são tênues, talvez por isso fica a sensação de que as músicas abraçam e confortam quem as ouve. Embora as dezessete faixas do disco estejam sem qualquer nome (o que pode nos deixar sem referência), dá pra destacar a presença de conhecidos clássicos, que no entanto são revisitados por roupagens inusitadas, cujos intérpretes são de difícil identificação. "Asa Branca" figura o disco numa voz feminina, embalada numa levada mais groove, mas ainda com a presença dos elementos nordestinos. "Upa Neguinho" e "Pedro Pedreiro" são outros dois exemplos de clássicos revisitados. Defino este disco como um mergulho étnico-musical refrescante. Deixará satisfeito ouvintes ávidos que se embrenharem pelos frescores dessas águas profundas, de países riquíssimos em diversidade de gêneros e espécies!

"De todas as nações, nenhuma tem pessoas que amam e se apaixonam mais do que a minha. Nós estamos cercados por exagero, felicidade, espontâneidade e criação. A expressão da esperança em nossas faces é nossa marca registrada, mesmo que muitos nunca tenham recebido um infímo benefício da sociedade. Nós devotadamente acreditamos no novo mundo e na linda humanidade que sabemos que construiremos, sem a focinheira que pode afastar nossas liberdades, ou os chicotes que usam para assustar-nos, sem a ignorância que nos levaria ao estupor de um casulo vazio." ~Sócrates Brasileiro


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"[2008] Sertão Madrugada"

1. B+ - Untitled (2:29)
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LARRY ETHNIC MEETS THE WAILERS

Junior Delgado à direita, um dos principais destaques do disco.


Clifton 'Larry' Lawrence, ou simplesmente Larry Ethnic, é a bola da vez. Acompanhado de nada menos que os Wailers. Sim, a banda de maior expressão da história da Jamaica (que trouxe à tona os maiorais Bob Marley e Peter Tosh). Desta vez a banda "carrega o piano" para os selecionáveis do produtor Larry Ethnic. "Larry Ethnic Meets The Wailers", de 1975, é uma coletânea de peso que deve ser vista com todo apreço pelos verdadeiros amantes da música jamaicana!

O trunfo de Larry se deu essencialmente por sua ousadia, seu disparate visionário. Sem pecar alinhou figuras até então quase desconhecidas no circuito London-Kingston. Com sabedoria e apuro jogou o mic na mão de Junior Delgado, Barrington Spence, Dave Collins, Jackie Paris, e acionou os Wailers, que mantiam a estrutura geral inabalável. Larry sabia bem como guiar estas feras, era um conhecedor fidalgo da música jamaicana em geral, passando pelo mento, calypso, ska, blue-beat, rocksteady, early, roots e rub-a-dub. Seus notórios  rasantes vieram com suas produções e compilações a mando de gravadoras como a Trojan, Island, Rhino, Exclusive, Guave ou pela sua própria, a Ethnic Fight.

Neste catado, o soul e R&B são cantarolados com prudência, sem desatino. Sem perder sua linha abrasadora, reforçam a identidade de um povo com esse tipo de música. A idéia frontal seria lançar com moral ao mercado estes jovens cantores, mas o que de fato eleva o moral destes é a maestria dos Wailers. Tal coletânea passou décadas a mercê do relento informal, até que enfim, com a intervenção de fánaticos pelo reggae, principalmente fãs dos Wailers, tal raridade pôde estar no lugar correto: a sessão "grandes clássicos atemporais da música jamaicana". Um disco fantástico, em que sustenta  uma coesão rítmica e poética com timbres marcantes, com vibração dotada de força e concórdia. Destaque para as faixas "Reaction""Really For A Reason" de Junior Delgado, "Chain Gang" com The Chosen Few e "Get Ready Here I Come", desta vez com Dave Collins. Mais uma obra incomparável de mais um arquiteto da musica jamaica, quicá da música em caráter universal.



1. Dave Collins - Get Ready Here I Come (3:01)
2. The Chosen Few - Chain Gang (3:11)
3. Sidney Rogers - People Living In Glass Houses (3:14)
4. Junior Delgado - Reaction (3:09)
5. Hitch Hike - The People Band Wagon (2:20)
6. Jackie Paris - Once In My Life (2:35)
7. Barrington Spence - Falling In Love For First Time (3:12)
8. Jackie Paris & Dennis Brown - Day Dream Believer (2:57)
9. Barrington Spence - Tears On My Pillow (3:12)
10. Dave Collins - My Heart Cries Out (3:04)
11. Junior Delgado - Really For A Reason (2:02)

Preview:
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SKA ISLAND


"Ska Island" é uma coletânea com o melhor do ska, reunindo os anciãos e os jovens pupilos da cena.  Foi lançada em 1997, pela poderosa Island Records. Projetado, selecionado e angariado pelo inglês Gaz Mayall, vocalista, tocador de melódica e fundador do The Trojans. Gaz teve de fazer escalas em alguns países para conseguir os ingredientes para essa receita. Passou primeiro no jardim orgânico da Jamaica, onde encontrou Prince Buster, Skatalites, Rico Rodriguez e Ernest Ranglin, entre outros. Depois saiu em busca de novos temperos, genericamente modificados, e trouxe Jump With Joey, Hep Cat, FishBone e Ocean 11. Não é que esta guloseima ficou realmente saborosa? De larica ou não, tu vais com certeza repetir o prato!

O teor de tal especiaria é diversificado, tem base com raízes do jamaican ska, mas também o frescor do ska contemporâneo, evoluido. Dimensionado para se ouvir um pouco mais alto que o último volume, sem pular, se quer, uma faixa. No alicerce, mas não por baixo, tem Rico Rodriguez tributando Dave Brubeck, no clássico, desta vez dançante, "Take Five". Junto está o ska-blues descomunal de Ernest "Dedo de Aço" Ranglin, amparado com o Jump With Joey, em "Honky Tonk Parts 1 & 2". Já no cerne carregado com nova seiva, com ricos nutrientes, estão Fishbone, tocando e acelerando Bob Marley, em "Crazy Baldheads". Além de Ocean 11, animando a rapeize com "Stop That Train". Tem merecido destaque a faixa do cabeça do projeto Gaz Mayall com os Trojans, com a pedra "Keep On Running". E não atrás, mas sim do outro lado da terra, estão os japa-men The Ska Flames e The Determinations, esta segunda, que já ouvia bastante, merecedores de post próprio, trata-se de uma banda deslumbrante. Foram eles que, na verdade, me convenceram a adquirir - e pesquisar sobre - esta luxuosa compilação que vos trago. Os Determinations têm, não por acaso, inspiração determinada a te fazer dançar, nem que seja que com os olhos, ou com os neurônios, ritmados... Assim chega na OficinaDeMacacos este disco como um todo, como algo que surge independente, isento de receios, persuadido a te cativar e te instigar! Um salve dançante a esta trama cultural e intelectual que é o SKA!




Dê o play, macaco!
"[1997] Ska Island"
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1. Prince Buster & The Skatalites - King Of Kings (4:38)
2. The Skatalites - Magic Star (5:02)
3. Doreen Shaffer & The Skatalites - Can't You See (3:11)
4. The Toasters - The Stage (2:58)
5. Fishbone - Crazy Baldheads (4:45)
6. Ernest Ranglin & Jump With Joey - Honky Tonk Parts 1 & 2 (5:29)
7. Dan-I & Jump With Joey - Barefootin' (3:11)
8. Hepcat - Penny Reel (4:08)
9. Ocean 11 - Stop That Train (2:48)
10. Rico Rodriquez & Freetown - Take Five (4:02)
11. Laurel Aitken & Freetown - Rudy Girl (3:09)
12. Dr. Ring-Ding & The Senior Allstars - Shame And Scandal In The Family (3:13)
13. The Determinations - Housewifes Choice (5:07)
14. The Ska Flames - Kiss Bam Bam (3:33)
15. Gaz Mayall & The Trojans - Keep On Running (3:38)

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STUDIO ONE RUB-A-DUB


A frase que define o post de hoje é: "Oficina de Macacos Inna Rub-a-Dub Style!". Assim, com satisfação,  trazemos à deleite dos ouvintes essa pedrada de alto quilate. A Studio One é sinônimo de qualidade e o disco de hoje não foge à regra! A denominação rub-a-dub pode ser relacionada com o que mais tarde ficou conhecido por dancehall. Caracterizado principalmente pela estabilidade rítmica e a presença dos vocais, que recebem mais foco. É um gênero composto por linhas de baixo marcantes e um tanto quanto retilíneas, acompanhadas obrigatoriamente por uma instrumentação percussiva marcante (aí está a profundidade e a maresia do dub) e por ora uma seção de metais.

O que prevalecem de fato são os vocais, que em conjunto com a seção rítmica conduzem o ouvinte ao êxtase. Mas este disco é heterogêneo em alguns aspectos. É um álbum que aborda uma variada gama de vocais: fazem-se presentes em seu conteúdo tanto vocais mais melódicos, privilegiando os backings vocals e o lirismo do cantor - sendo assim mais associável ao reggae - quanto vocais mais agressivos (não em mensagem, mas em métrica) com o teor característico do ragga. A seção rítmica também não foge à essa regra, transitando na ponte reggae-dub-dancehall.

Uma nascente característica que florescia do contexto musical jamaicano nos anos setenta era o rearranjo de canções clássicas. Tal fato explica a presença de, por exemplo, "Natural Mystic" neste álbum, interpretado por Jennifer Lara. O estilo moderno do dancehall, caracterizado pela presença de um deejay ou um "mcjay" que mandam suas rimas sobre riddims conhecidíssimos, tem como raiz essa fonte fértil dos saudosos anos setenta. Cornel Campbell, The Heptones, Johnny Osbourne e muitos outros artistas lendários prometem fazer os ouvintes pirarem. Destaques para os vocais alucinados de Rapper Robert & Jim Brown em "Minister for Ganja", o lirismo de Barry Brown em "Give Love", a suave e aveludada voz de Johnny Osbourne em "Forgive Them", e por fim o grande flow de Lone Ranger em "Natty Chalwa". Altamente recomendado!



1. Cornell Campbell - My Conversation (5:18)
2. Lone Ranger - Screw Gone A North Coast (2:49)
3. Judah Eskender Tafari - Danger In Your Eyes (2:53)
4. Rapper Robert And Jim Brown - Minister For Ganja (3:13)
5. Freddie Mcgregor - How Could You Leave (3:08)
6. Barry Brown - Give Love (2:49)
7. Len Allen Jnr - White Belly Rat (3:16)
8. Johnny Osbourne - Forgive Them (2:37)
9. Jennifer Lara - Natural Mystic (3:40)
10. Horace Andy - Happiness (4:54)
11. Rapper Robert And Jim Brown - Pirate (3:21)
12. Willie Williams - Keep On Moving (2:58)
13. Papa Michigan And General Smiley - Jah A The Creator (4:25)
14. The Ethiopian - Empty Belly (2:06)
15. Earl 16 - No Mash Up Di Dance (2:53)
16. The Jay Tees - Forward To Jah (3:10)
17. Lone Ranger - Natty Chalwa (3:01)
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ULTIMATE BRAZILIAN BREAKS & BEATS

"Raridades no funk, no dancefloor, e no samba diretamente das profundezas do Brasil". É com essa chamada que os discos de hoje pretendem capturar as atenções da macacada que por aqui passa. Os discos são coletâneas feitas por gringos da Murge Discos que buscam sintetizar em suas pesquisas musicais principalmente o groove brasileiro da década de 70. Dada a quantidade de funk brasileiro gravado nos anos 70, é difícil pensar em qualquer registro como sendo o "ideal", mas tenho que admitir que este conjunto faz um trabalho muito bem fundamentado!

As faixas pertencem à um lote realmente louco: músicas que não só tem alguns toques de soul samba, mas que tem também a finalidade de mostrar alguns estilos peculiares e inusitados de produção, além de sons instrumentais. Se você está procurando faixas funky destinadas a fundir sua mente, este pacote é uma ótima opção para começar o trabalho. Ultimate Brazilian Breaks & Beats funde mesmo a cuca, aquece o corpo, causando sacolejos gerais. A Oficina De Macacos adverte: o uso destas duas belezas em ambientes propícios, repletos de pessoas raras e essenciais, com certeza tornam a ocasião ainda mais especial. Sendo mais direto: a festa é garantida!


"O volume um traz pedradas de grande fado, começando pelo saudoso Miguel de Deus, que num canto fervoroso, com caras de louvor, entoa 'Mr. Funk' e inaugura o climão de festa que como já foi dito, para mim é uma das fortes características do pacote. Destaco ainda a sugestiva 'Jungle Fever' da Super Erotica que coloca doses sensuais de gritos e gemidos entrelaçadas à doses cavalares de groove, resgatando e nos remetendo à um universo simbólico e representativo, como o bloxpoitation. 'Melô do Mão-Branca' também merece destaque, e coloca em foco o funk mais risonho e lúdico."

Dê o play, macaco!
"[2006] Ultimate Brazilian Breaks & Beats 1"
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1. Miguel De Deus - Mister Funk (3:22)
2. Cry Babies - Kool And The Gang (3:15)
3. Brasil Tropical - Batucada Tropical (3:56)
4. Hot Stuff Band - Juju Man (2:57)
5. Aquarius Band - Sultana (3:43)
6. Free Som Orchestra - The Kings Bounce (2:06)
7. Super Erotica - Jungle Fever (4:16)
8. Ed Lincoln - Se Voce Quiser (2:16)
9. Orquestra Cbd - Tema Da Zorra (3:06)
10. Sos - Big Splash (3:10)
11. Mão Branca - Melô Do Mão Branca (4:21)
12. Samba Soul - Disco Chuva (1:59)
13. Unknown Artist - Batulona (0:21)
14. Beto Strada - Guitarra (1:30)

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"O volume dois traz a nosso conhecimento sons muito raros como 'Tereco' de Nonato e Seu Conjunto, pérolas como 'Nome Do Jogo' dos Tremendões, 'Tributo A Mim Mesmo' de Seu Guilherme, 'Festa Para Um Rei Negro' de Dilla entre outras do nosso samba, funk e jazz."

Dê o play, macaco!
"[2007] Ultimate Brazilian Breaks & Beats 2"
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1. Nonato E Seu Conjunto - Tereco (3:16)
2. Banda Erotica - Flash (2:41)
3. Dom Salvanini - St Tropez (2:36)
4. Zito Righi - Poema Ritmico Do Malandro (2:36)
5. Os Tremendoes - Nome Do Jogo (3:26)
6. Dona Maria - Solidao (2:40)
7. Coutinho E Seu Conjunto - Papa Jimmy (3:57)
8. Dilla - Festa Para Um Rei Negro (3:15)
9. A Ponte - Nos (3:33)
10. Seu Guilherme - Tributo A Mim Mesmo (3:46)
11. Freesom Orquestra - Rush (4:14)
12. Banda Brasil Feliz - Africa (3:04)
13. Unknown - Tornado Twister (Bonus) (0:16)
14. Unknown - San San (Bonus) (0:20)
15. Unknown - Tributo Dois (Bonus) (0:21)
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TROJAN NYAHBINGHI BOX SET


O post de hoje atêm-se à música rastafari crua, "étnica", que aquece ouvidos graças à um punhado de mãos de percussionistas Rastas. Disponibilizamos hoje um box de 3 CD's que agrega 50 versões nyahbinghi dos anos sessenta e setenta. Essas canções caíram em esquecimento por serem consideradas pelo público da época como canções de díficil assimilação. Ouvindo o disco parece difícil acreditar... Entretanto, hoje sabemos da existência de olhares diferentes por parte do público quando tratamos de um material deste tipo. Ouvidos mais atentos, curiosos, alguns ainda inatos raramente desperdiçam a oportunidade de ouvir uma produção alternativa como estas, que só mesmo selos do porte da Trojan poderiam disponibilizar! Agradecemos!

A música nyahbinghi tem como origem as tradições afro-jamaicanas kumina ou buru, nas quais a percussão e os cânticos teriam como descendência às danças tradicionais do Oeste Africano. Esta música, em sua mais pura forma, só foi executada e ouvida em cerimônias, conhecidas como grounations, ou reuniões que tinham como espaço acampamentos rastafari como o "Dungle" ou o da colina "Wareika". Seu batuque incessante e o constante cantar sempre foram indissociáveis dos mais ortodoxos devotos da fé Rastafari.

Três diferentes tipos de tambores, conhecidos popularmente como tambores kette (ou akete ou ainda ikete), eram usados na música buru. O tambor maior, com sua batida retumbante profunda, tem geralmente entre dois e três metros de diâmetro. Pode por vezes, ser tocado com uma baqueta acolchoada. Era usado para manter o tempo e manter o ritmo. Os menores, que aparecem e repetem-se com maior frequência, são produzidos com uma membrana de pele de cabra esticada. Estes, regidos pela improvisação, cavalgam sobre a base rítmica do tambor maior.

Os três principais tambores seriam aumentados por uma seleção de diferentes instrumentos de percussão, e instrumentos customizados pelos próprios músicos também seriam incorporados; muitos dos melhores músicos de jazz e ska da Jamaica saíram daí. Evoluindo, com louvores a Jah, e desenvolvendo suas habilidades musicais nesses encontros fundamentalistas. Sinta-se presente em um desses encontros ao dar o play nesta pedra. Se liga!


Dê o play, macaco!
"[2003] Trojan Nyahbinghi Box Set"

- CD1
1. Ras Michael & The Sons Of Negus - Keep Cool Babylon (3:13)
2. Bongo Herman & Eric Lamont - Know Fari (2:38)
3. Count Ossie & His Band - Back To Africa Part One (2:31)
4. Prince Student - Rivers Of Babylon (3:20)
5. Ras Michael & The Sons Of Negus - Rise Jah Jah Children (The Lion Sleeps) (2:11)
6. Bongo Herman & Eric Lamont - African Breakfast (3:22)
7. Count Ossie & The Mystic Revelation - Rasta Reggae (Aka I'm Going Home) (3:39)
8. Dadawah - Run Come Rally (7:41)
9. Ras Michael & The Sons Of Negus - Roll River Jordan (2:43)
10. Bongo Herman, Eric Lamont, & Les Chen - Salaam (Peace) (3:15)
11. Roland Downer & Count Ossie With His Band - Ethiopian Kingdom (3:01)
12. Morgan's All Stars - Drums Of Passion (2:43)
13. Ras Michael & The Sons Of Negus - We're Marching On To Victory (4:43)
14. Bongo Herman - Tribute To Don Quarrie (3:12)
15. Count Ossie & Leslie Butler - Soul Drums (2:51)
16. The Heaven Singers - Rasta Dreadlocks (3:05)
17. Max Romeo - Words Of Wisdom (2:46)

- CD2
1. Ras Michael & The Sons Of Negus - Run Come (Throw Away Your Stoney Heart) (3:35)
2. Bongo Herman And Les Chen - Dew Of Herman (2:29)
3. Al Vibrators With Count Ossie And His Band - Move Up (Nyah Boogie) (3:23)
4. Dadawah - Burning Drums (3:29)
5. Ras Michael & The Sons Of Negus - Carnal Mind (3:06)
6. U Roy And Peter Tosh - Earth's Rightful Ruler (2:35)
7. The Linkers - Nyah Man Story (3:06)
8. Bongo Herman & The Harry J All Stars - Reggae With The Birds (3:11)
9. Ras Michael & The Sons Of Negus - Jah Got The Whole Word (2:48)
10. The Typhoon All Stars - Rack-A-Tack (2:43)
11. Dadawah - Seventy Two Nations (10:44)
12. Bongo Herman - Water Pump (2:41)
13. Ras Michael & The Sons Of Negus - Rastman Chant (4:18)
14. Count Ossie & The Mystic Revelation - Samia (3:45)
15. Samuel The First - Sounds Of Babylon (3:42)
16. Bongo Herman - Tribute To The President (3:39)

- CD3
1. Ras Michael & The Sons Of Negus - Nyah Man Say (2:55)
2. Bongo Herman & Eric "bingy Bunny" Lamont - Freedom Fighters (3:32)
3. Roland Downer & Count Ossie With His Band - A Ju Ju Wah (3:33)
4. Dadawah - Zion Land (9:52)
5. Count Ossie & His Band - I Dread Version (2:40)
6. Ras Michael & The Sons Of Negus - Cast Them In The Fire (3:40)
7. Bongo Herman & Eric "bingy Bunny" Lamont - Feel Nice (3:12)
8. Jimmy Cliff - Bongo Man (A Come) (3:59)
9. Count Ossie & His Band - Blacker Black (3:11)
10. Ras Michael & The Sons Of Negus - Pretty Little Face (3:27)
11. Bongo Herman - Vice President (2:45)
12. Dadawah - Know How You Stand (10:24)
13. Count Ossie & His Band - Back To Africa Part Two (2:35)
14. Boston Jack & The Soulites - Starvation (3:03)
15. Ras Michael & The Sons Of Negus - Come Down (Pomps & Pride) (4:02)
16. I Roy - Musical Drum Sound (2:48)
17. The Now Generation - Musical Drum Sound (Version) (2:32)

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