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JUNIOR BYLES: BEAT DOWN BABYLON


Quem foi que disse que o ano de 1972 foi mágico apenas na "Terra Brasilis"? Grandes discos surgiram nesse ano, todos pegando carona na década inspiradora de 1970. A joia rara que desenterramos hoje foi concebida em solos jamaicanos, lapidada com talento e ousadia de Junior Byles. Com uma voz poderosíssima, boas referências e originalidade, Byles gravou seu primeiro disco. Ligeiro, cheio de estilo e de qualidades irretocáveis, este é o resultado da obra. Atingiu nas dez faixas que compõem o disco a unanimidade técnica, é improvável citar sequer uma faixa medíocre. O que poderíamos, deleitosos, reclamar é o pouco tempo de duração da experiência - apenas 27 minutos do mais magnifico groove. (Será que termino de escrever tudo antes do disco parar de tocar aqui?)

Ainda na onda do rocksteady, com lindas melodias e aquela carga trazida do soul americano, é um disco que nos remete àqueles tempos. Tempos cheios de dificuldades, belezas e aspirações. Com Byles não foi diferente, como muitos buscou na música uma saída! E saiu pela crista da onda, com seu talento reconhecido rapidamente e logo disseminado aos montes mundo à fora. Tanto que algumas tracks deste disco foram recompiladas e até receberam novos nomes em outros lançamentos. Também tornou-se o queridinho de Lee Perry (que foi quem produziu o disco em questão) e era sempre convocado para sessões em seus estúdios na Trojan Records. Aproveite sem pressa todo o requinte do sabor da música jamaicana em sua melhor safra: a de 1972!


Dê o play, macaco!
"[1972] Beat Down Babylon"

1. Junior Byles - Da Da (3:32)
2. Junior Byles - I've Got A Feeling (2:27)
3. Junior Byles - Don't Know Why (2:45)
4. Junior Byles - Demonstration (2:34)
5. Junior Byles - Coming Again (2:32)
6. Junior Byles - Beat Down Babylon (2:36)
7. Junior Byles - A Place Called Africa (2:56)
8. Junior Byles - Joshua's Desire (1:59)
9. Junior Byles - A Matter Of Time (3:14)
10. Junior Byles - Poor Chubby (2:35)

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ESTHER PHILLIPS: ALONE AGAIN NATURALLY


Uma voz feminina, aguda, anasalada, inconfundível. Voz que lindamente me estimula, e tenta libertar-me de um movediço terreno de dúvidas. A partir daí começo a discorrer neste punhado de linhas, falando de Divas. Sinceramente, quando pinta esse assunto em uma conversa, não consigo engolir aquele papo de que Beyoncé Knowles é uma grande cantora. Em minha concepção essa relação instantânea de grandiosidade só pode atrelar-se à seu corpo e à sua capacidade como entertainer. Como foi fabricada para este fim, penso que nada que horas e horas de atividades físicas, aulas de coreografia e radicalismos nutricionais não dêem conta de grande parte do recado. Não vou nem passar à Lady Gaga's e afins, para economizar tempo. A grande questão é: O que faz de uma mulher uma diva? Antes de tentar responder, vos apresento Esther Phillips, que me parece merecedora do título, e merecedora também de uma crítica aqui na nossa Oficina de Macacos.

Diva, do italiano, apresenta as significações: Deusa/ Mulher formosa/Cantora célebre. O dicionário por si só não explica a questão, visto que as ilustres Lady Gaga e Beyoncé encaixariam-se nestas denominações. Como aqui elas não são bem-vindas recorro a Freud. O psicanalista cunhou uma expressão para um fenômeno, que aconteceria com maior facilidade nas sociedades em que as figuras de autoridade não assumem sua devida importância: "Pobreza psicológica dos grupos" (Veja mais em Psicologia de Grupo e a Análise do Ego). É inquestionável a constatação de que a fragilidade identitária tenha seu lugar cativo na pós-modernidade. Quem hoje assume o papel de formadores de hábitos e opinião são as celebridades, embora uma maldição as assole: prevalece nelas a característica ensurdecedora do silêncio das almas.

Esther Phillips surge como contraponto, dona de uma voz rasgante, solícita à uma imensidão de gêneros que vão do jazz ao country, passando pelo blues, soul, r&b, funk, baladas e outras misturas. "Alone Again Naturally" foi gravado no fim de 1972, e deu sequência ao álbum From A Whisper To A Scream, que fora indicado ao Grammy. A relação do repertório escolhido com os arranjos de Pee Wee Ellis e Sebesky Don pode ser descrita como um abraço, daqueles que se encaixam enérgicamente e não desgrudam. Esta relação era a química perfeita para que a voz esfumaçada de Esther pudesse ser agregada e posteriormente, apreciada nos ares, hipnoticamente. Aqui, Esther evidentemente brilha como uma diva. Creio que a luz de uma diva seja natural, uma luz verdadeira, essencial, nada que seja forçado. Seu canto se encontra, se ouve e se nota. Ah, naturalidade que faz bem à todos! Continuarei com a minha, não engolindo forçado esse blábláblá de que Beyoncé é uma grande cantora...




Dê o play, macaco!
"[1972] Alone Again Naturally"
senha: oficinademacacos.blogspot.com

1. Esther Phillips - Use Me (3:50)
2. Esther Phillips - I Don't Want To Do Wrong (4:15)
3. Esther Phillips - Let's Move & Groove (3:40)
4. Esther Phillips - Let Me In Your Life (3:35)
5. Esther Phillips - Cherry Red (4:30)
6. Esther Phillips - I've Never Found A Man (To Love Me Like You Do) (3:25)
7. Esther Phillips - Alone Again (Naturally) (3:21)
8. Esther Phillips - Do Right Woman, Do Right Man (3:25)
9. Esther Phillips - You & Me Together (3:18)
10. Esther Phillips - Georgia Rose (5:00)



~integrantes:
Sax Tenor: Maceo Parker
Sax Alto: Hank Crawford
Sax Barítono: Cecil Payne
Baixo: Gordon Edwards, Ron Carter
Bateria: Bernard Purdie, Billy Cobham
Flugelhorn, Trompete: John Eckert, John Gatchell
Guitarra: Cornell Dupree, Eric Gale, George Benson
Orgão, Piano: Richard Tee
Percussão: Ralph MacDonald
Piano: Richard Wyands
Trombone: Sam Burtis
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