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WHITEFIELD BROTHERS: EARTHOLOGY


Experenciar a música das tribos, dos artistas de ruas inimagináveis, dos guetos esquecidos mundo afora, tem se tornado uma das mais transcedentes experiências culturais difundidas e apreciadas recentemente por artistas de cenas underground. Esse fenômeno pode ser compreendido como efeito da globalização, fenômeno ordenador de violentos choques culturais. Estes, tornam as identidades, antes rígidas, mais fluídas e líquidas, como diria o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Neste caso específico, nem todos os efeitos da globalização são perversos, visto que tal prática tem feito germinar uma vasta produção musical antropofágica em torno principalmente de alguns rítmos africanos e trazido um novo vigor para a cena independente ocidental. O disco de hoje, "Earthology" dos Whitefield Brothers, lançado pela Now Again Records, é mais uma obra essencial alocada neste panorama. Fruto de todo esse abalo sísmico cultural, o álbum é uma obra manifestada sob formas de expressão musicais diversificadíssimas; Se pararmos pra pensar, revisita todo o desenvolvimento de um esqueleto musical durante o século XX: pitadas da música africana, jazz, funk e rap. Com fins de simplificação, para que se abarque todo sincretismo musical contido nestas propostas, usa-se frequentemente os termos World music, ou Ethio-jazz.

Originário de Munique, o Whitefield Brothers é formado por Jan e Max Weissenfeldt. Novamente nos deparamos com jovens alemães - no último post que escrevi, falava sobre o Woima Collective, também alemães - investigando padrões musicais em outras culturas, se apropriando destas e propondo suas releituras destes mundos. A dupla tem trabalhado desde os anos noventa com música - são conhecidos também por terem fundado o Poets of Rhythm - no entanto tal abertura etnográfica tem se manifestado em seu trabalho muito recentemente. O que leva estes jovens oriundos de megalópoles repletas de conservatórios e palcos, se enveredarem por estes caminhos? Talvez as possibilidades das megalópoles tenham se tornado saturadas e monocromáticas, e o processo criativo tenha se tornado mais interessante a partir do contato com um exterior desconhecido e deslumbrante. Se observarmos as raízes destas ramas, então encontraremos o nigeriano Fela Kuti e creio eu que em maior grau de importância Mulatu Astatke. Mulatu tem agido como um guru dessa nova geração inspirando e catalizando novos paradigmas musicais. Não é difícil perceber que ele se orgulha da disseminação da música africana globo afora, ele mesmo foi criado em Londres, Boston e Nova Iorque e tem trabalhado internacionalmente.

Em "Earthology", como o próprio nome sugere, surge uma lógica global no plano criativo, uma comunhão entre rítmos e povos através da música. Tudo está atado a este conceito, desde a escolha dos instrumentos à construção de padrões rítmicos. Sedimentado num "soul cru" como eles mesmos intitulam, composto por baixo, bateria, guitarra, teclados e metais, as faixas vão pouco-a-pouco revelando instrumentos mais exóticos como Xylofones e alaúdes da Africa, instrumentos de percussão da América Central e gongos e flautas da Ásia. Tocado em sua maioria por instrumentistas alemães, há espaço ainda para samples e músicos convidados como Masaru Nishimoto, que dá um toque especial na música Taisho ao tocar um koto, instrumento de corda japonês. O disco traz a presença de MCs como Edan, Mr. Lif, Bajka, Percee P e MED e instrumentistas como Antibalas, El Michels Affair, Quantic e os Dap-Kings. Apesar de indubitavelmente dispendioso - haja viagens, experimentações, agulhadas no vinil - o registro traz um relato convincente e cheio de vigor. Se consolida como obra viva e densa e faz de seu conceito uma prova de fogo que revela a beleza da multiplicidade cultural, sua inspiração criativa.



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"[2010] Earthology"
links alternativos: Torrent (320kbps)

1. Whitefield Brothers - Joyful Exaltation (feat. Bajka) (1:57)
2. Whitefield Brothers - Safari Strut (3:19)
3. Whitefield Brothers - Reverse (feat. Percee P & MED) (5:27)
4. Whitefield Brothers - Taisho (2:23)
5. Whitefield Brothers - Sad Nile (3:44)
6. Whitefield Brothers - The Gift (feat. Edan & Mr. Lif) (3:54)
7. Whitefield Brothers - Ntu (2:08)
8. Whitefield Brothers - Pamukkale (3:58)
9. Whitefield Brothers - Alin (2:16)
10. Whitefield Brothers - Breakin' Through (feat. El Michels Affair) (4:20)
11. Whitefield Brothers - Sem Yelesh (3:21)
12. Whitefield Brothers - Lullaby For Lagos (feat. Quantic) (2:39)
13. Whitefield Brothers - Chich (2:30)
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BAD JAZZ TROUPE: LOOKING FOR JUPITER


Post relâmpago na Oficina! Rápido, rasteiro e sem cerimônias, assim como tal lançamento da Bad Jazz Troupe. Seis faixas emblemáticas lançadas pela iluminada gravadora Jazz & Milk. "Looking For Jupiter" (de 2010) é um disco, vulgo EP, passageiro que deixará seus tímpanos sedentos por mais! A banda é formada basicamente por Jerker Kluge, requisitado baixista dos Boogoos, e Dusty - deejay mentor e peça-chave da Jazz & Milk Records, além de músicos convidados. Segundo os integrantes do Bad Jazz Troupe, novidades estão por vir - aguardemos! Esta trupe, conforme pregam, resgata a "rebeldia do Jazz", aquele compromisso apenas com a liberdade musical, assim como em sua origem. Mas não pense que daqui flui algo como o Free Jazz, viajadão demais. Pelo contrário, aqui verás, sim, todos os pés e cabeças. As regras libertárias aqui refletem sobre as possibilidades técnicas e tecnológicas em sua produção. São destas regras de produção (se é que ainda existem) que gostam de violar!

Fazem Afrobeat, Ethio-Jazz ou Nu-Funk utilizando dos recursos mais recentes e inusitados. Também não procure aqui a estranheza daquilo que pretende atingir o futurismo absurdo. Usam do bom e do moderno, e isso é nítido, mas ainda apresentam a beleza da organicidade e sentimento em suas músicas. Timbres clássicos, linhas de big-bands e poderosos solos não deixam o modernismo atracar. Em performances ao vivo da trupe, sob o comando de Jerker, músicos altamente qualificados e criativos brisam com arranjos sofisticados, fundindo harmonias e improvisações brilhantes às batidas percussivas inimitáveis de Dusty. Você provavelmente poderia viver sem ter ouvido a Bad Jazz Troupe, mas você jamais teria escolhido tal opção em sã consciência! Compre e ouça o disco aqui!


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"[2010] Looking For Jupiter"

1. Bad Jazz Troupe - Looking For Jupiter (Dusty Rework) (5:48)
2. Bad Jazz Troupe - Organ Walk (Dusty Rework) (4:59)
3. Bad Jazz Troupe - Breakdown Treat (Dusty Rework) (5:03)
4. Bad Jazz Troupe - Moogie Woogie (5:40)
5. Bad Jazz Troupe - Breakdown Treat (5:29)
6. Bad Jazz Troupe - Looking For Jupiter (Original) (5:09)
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WOIMA COLLECTIVE: TEZETA


Fico curioso e surpreso com a quantidade de Ethio-Jazz circulando pelas veias de inúmeras bandas atualmente, evidenciando um momento de ouvidos muito mais abertos para estas expressões antes periféricas. O fenômeno, embora incipiente no Brasil, tem se alastrado e enraiza-se em grupos como Abayomy Afrobeat Orchestra e Bixiga 70. Mas a coisa não para por aí. Vê-se uma devoção generalizada, presente nos mais diversos cantos do ocidente - EUA, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Espanha, França - em grupos como Whitefield Brothers, Eskorzo Afrobeat Experience, Antibalas, Dokkerman and The Turkeying Fellaz, The Funk Ark, The Black Seeds, Afrodizz, The Big Mean Sound Machine, Akalé Wubé, Ocote Soul Sounds, Afro Latin Vintage Orchestra, The Liberators, Ariya Astrobeat Arkestra, Monophonics, The Underbelly, só pra ficar em alguns nomes. Certamente essa direção criativa traz um novo fôlego para o cenário da música, apontando novas explorações melódicas. Tentaremos fazer aqui na Oficina uma cobertura mais fiel do chamado Ethio-Jazz contemporâneo. A começar pelo Woima Collective.

O alemão Johannes Schleiermacher, saxofonista do The Poets of Rhythm, é o responsável pelo projeto que agrega dez cabeças criativas em torno do apreço comum pela música norte-africana. Digamos que o projeto já começa (bem) inspirado: se inicia com uma viagem de Schleiermacher para o Marrocos e, posteriormente, soma-se a algumas conversas sobre música africana com a lenda-viva do Ethio-Jazz Mulatu Astatke. Com toda essa bagagem era de se esperar que Schleiermacher viesse expressar com suas próprias mãos algo do nível de sua experiência. Não demorou muito para movimentar uns amigos e batizar o grupo de Woima Collective, sendo Woima um rítmo da Guiné. Em 2010 gravavam o album "Tezeta" - termo que também significa um tipo de música etíope.

Para recriar as paisagens norte-africanas deslumbradas por Schleiermacher, o grupo se utilizou de uma catálise musical que é executada seguindo uma base rítmica percussiva, e que proseia ao longo das faixas, com diversos elementos como moogs, sopros totalmente influenciados por rítmos e escalas marroquinas, e característicos licks de orgão Astatkeanos. É importante ressaltar que embora o disco seja concebido como uma celebração de rítmos norte-africanos, ele não intenta ser ortodoxo. As inspirações tem seu espaço bem como as experimentações advindas de outros espaços e momentos, e são estas últimas as responsáveis por trazerem para o registro heterogeneidades. O que quero dizer, é que as faixas podem resvalar tanto sob um Dub, como em "No Way But Still Walkingaté", quanto sob a música atonal como no desfecho de "Wilder Mann". É principalmente por conta disso que o disco ganha originalidade, e não cai na armadilha de seguir caminhos repetitivos, num momento de inspirações comuns!


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"[2010] Tezeta"
links alternativos: Depositfiles.com (.flac) ou Turbobit.com (.flac)

1. Woima Collective - Marz (3:46)
2. Woima Collective - Credo (4:34)
3. Woima Collective - Woima (3:14)
4. Woima Collective - Gaaf (3:11)
5. Woima Collective - Puno (3:21)
6. Woima Collective - No Way But Still Walking (5:20)
7. Woima Collective - Cavemans Revenge (3:29)
8. Woima Collective - Wayna (3:07)
9. Woima Collective - The Cave (5:03)
10. Woima Collective - Gidama (3:32)
11. Woima Collective - Illusions (4:57)
12. Woima Collective - Wilder Mann (2:32)
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ELECTRIC WIRE HUSTLE: WATERS


Para quem acha que a Soul music e o Hip-Hop se perderam, mostraremos que dá para lamentar menos, e se surpreender com os artistas que pintam por aqui hoje. Electric Wire Hustle é um trio neozelandês, que inspira-se basicamente no Hip-Hop, no Jazz e no Soul para expressarem sua própria sonoridade. O trio têm registrado uma obra singular e coesa, que pode ser classificada como um nu-soul, marcante e moderno. Disponibilizaremos por aqui um EP chamado Waters, que contém músicas de um longa posterior chamado Hydro, logo, atentamos que não são navegantes de primeira viagem. Já têm uma bagagem pós-EP, que conta inclusive com participações das duas vozes femininas mais vanguardistas do hip-hop, Stacy Epps e Georgia Anne Muldrow. Por ora, seu outro disco, Hydro de 2011, tornou-se artigo raro, inserido no contexto de caça às bruxas da pirataria. Fiquemos com Waters que já proporciona um bom play, e se a vontade de ouvir mais permanecer, fica a dica para que sigam para o site do grupo, que disponibiliza o album para full-streaming.

"Waters" não é um disco de soul, como foi dito anteriormente, nem de hip-hop. Não é nossa intenção compararmos as potências vocálicas do protagonista da banda com as de um Al Green, pois são incomparáveis, nem os beats do album com aqueles eternizados por J-Dilla. Mas citamos ambos sim, pois é sensível um estado de espírito soulful neste EP, tanto com os timbres usados - os Rhodes, algo dos sintetizadores -, quanto com alguns falsetes realizados por Mara TK, além dos beats marcantes e densos que fazem lembrar Dilla . O que temos então? Uma inspiração clara, mas revigorada, nova, fresca, criativa o suficiente para dizermos que é algo novo, de originalidade. Ponto para eles!



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"[2010] Waters"

1. Electric Wire Hustle - Waters (5:43)
2. Electric Wire Hustle - Chaser (4:45)
3. Electric Wire Hustle - Longtime (5:42)
4. Electric Wire Hustle - Waters (Instrumental) (5:42)
5. Electric Wire Hustle - Chaser (Instrumental) (4:45)
6. Electric Wire Hustle - Longtime (Instrumental) (5:16)
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DIZZY GILLESPIE E TRIO MOCOTÓ: DIZZY GILLESPIE NO BRASIL



Quando Gordurinha e Almira Castilho compuseram aqueles versos, famosos na voz de Jackson do Pandeiro: "Eu só boto Bebop no meu samba / Quando o Tio Sam tocar num tamborim / Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba / Quando ele aprender que o samba não é rumba (…)" nenhum dos três na segunda metade da década de 50, imaginavam que haveria na história da música uma resposta à altura daquele deboche gostoso. O contra-ataque não manteve o tom sarcástico da canção brasileira, mas é profundamente instigante do ponto de vista musical. As farpas de "Chiclete com banana" já não eram mais sentidas nem bradadas naqueles tempos pós-tropicália. A identidade nacional ja havia se entregado à Coca-Cola e Brigitte Bardot. No entanto, é nesse mesmo momento que o jazz excursiona mais e mais, em busca da expansão de suas coordenadas sonoras. No ano de 1974, silenciosamente, a resposta seria tecida com maestria. O resultado compensou o atraso. O disco certamente teria causado histeria no cenário musical da década de setenta, se não fosse um pequeno porém: não foi lançado na época em que foi gravado. O protagonista do fato levou as masters embora e sabe-se lá porquê nunca mais lançou as gravações. A gafe virou uma das lendas mais conhecidas da história da música popular. Trinta e seis anos se passaram até o selo Biscoito Fino conseguir lançar o disco que foi resgatado por intermédio de pessoas como o produtor suíço Jacques Muyal, João Parahyba e também o crítico musical do Estadão, Jotabê Medeiros. O figura que protagonizou esta gafe foi nada mais nada menos, que um dos fundadores do Bebop - o movimento moderno de revolução do Jazz -, o malucão 'Dizzy' Gillespie.

Segundo Jotabê Medeiros, Dizzy Gillespie sempre se interessou por misturas musicais, atuando como uma ponte entre o jazz e a música afro-cubana. Quando amadureceu a ideia de fazer um disco com músicos brasileiros, Dizzy já conhecia o Brasil e estava bem familiarizado com a música brasileira. Um contato de seu selo com a Phillips, acabou criando o clima propício para uma das maiores experimentações conhecidas na música popular. Gillespie, à esta altura já tinha uma carreira exremamente sólida, mas os escolhidos para embalar a ideia de Dizzy com a merecida batucada, também não eram flor que se cheire. Protagonistas também de uma revolução musical ao lado de Jorge Ben, conhecida como Samba-Rock, o Trio Mocotó, foi o trio que teve a honra de fazer uma grande jam com o mago dos trompetes. Depois de três dias no Estúdio Eldorado, João Parahyba (percussão), Nereu Gargalho (pandeiro) e Fritz Escovão (cuíca) entraram ao lado de Gillespie nos Estúdios Eldorado e presentearam o mundo com seis músicas inéditas (até 2010, ano de lançamento pela Biscoito Fino).

O que aqui se encontra é um trabalho que não privilegia um rítmo em detrimento de outro, nem um personagem em detrimento de outros. As intersecções são as partes que brilham com bastante intensidade. Ou seja, uma baita resposta histórica para a temática abordada por Gordurinha e Almira Castilho - a possibilidade de conviver de maneira bela mesmo com as semelhanças e diferenças rítmicas. O que se havia de mais próximo entre o Jazz e o Samba era a Bossa Nova, mas o disco em questão nada tem a ver com a Bossa. É possível perceber duas linhas sendo exploradas neste disco: tanto o samba de batucada quanto algumas linhas melódicas de Jazz e Blues. Enquanto em "Behind the moonbean" e "Rocking with Mocotó" sobressai a brasilidade - as guitarras de Al Gafa, naquela deliciosa levada de samba-jazz e também as cuícas de Escovão roncando intensamente - em "The Truth" e "Evil Gail Blues" sobressai a norte-americana - os moods introspectivos e os uivos do trompete. Em suma uma proposta inusitada e inovadora, com grandes músicos reunidos, celebrando a boa música. Indispensável!



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"[2010] Dizzy Gillespie No Brasil"

1. Dizzy Gillespie & Trio Mocotó - Samba (6:27)
2. Dizzy Gillespie & Trio Mocotó - The Truth (7:20)
3. Dizzy Gillespie & Trio Mocotó - Dizzy’s Shout (8:34)
4. Dizzy Gillespie & Trio Mocotó - Evil Gail Blues (5:10)
5. Dizzy Gillespie & Trio Mocotó - Behind The Moonbean (5:22)
6. Dizzy Gillespie & Trio Mocotó - Rocking With Mocotó (6:36)
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BLUNDETTO: BAD BAD THINGS


A exportação do gênero ilustrada em uma capa de disco.
Desde que foi dada a largada pró-exportação da música jamaicana na década de sessenta, muito tem sido feito e experimentado com as possibilidades únicas ofertadas pela malemolência jamaicana. Centro da indústria musical naqueles idos tempos, a Inglaterra era o destino das primeiras safras através de compilações, singles e albums. Assim se explica o espanto e a comoção, precedentes para o posterior flerte, de gente como Stones, The Clash, e até Caetano Veloso que na época exilado na Europa, se vangloria de ter abrido as portas para a presença do reggae na música popular brasileira, com a música Nine out of ten do disco Transa. Muito tempo se passou desde então e continuamos a ver coisas incríveis sendo feitas com a inserção de principalmente reggae e dub, digamos os mais versáteis rítmos da ilha caribenha. Temos pessoas como Shawn Lee, Clutchy Hopkins, Lord Echo, além dos brasileiros, Daniel Ganjaman, Rica Amabis e Bid que usam e abusam dos gêneros jamaicanos. Para não prolongar, fechemos a lista com a pedrada de hoje: o produtor francês Blundetto.

Projeto do produtor e músico francês Max Guiguet, Blundetto lançou "Bad Bad Things" em 2010. Neste disco, o produtor se apropria de maneira única da sonoridade jamaicana. Sua essência é o reggae e o dub, enquanto flerta com o downtempo, trip hop, entre outros. De mente aberta à experimentação, o produtor apresenta neste disco seu talento ímpar para experimentar uma mescla de inúmeros gêneros, fazendo emergir desse turbilhão de tons, pinturas sonoras envolventes. Para dar forma adequada ao seu trabalho capcioso, nada mais justo que extrair as essências mais ricas de cada elemento instrumental. Como um perfumista que procura a essência mais sedutora em diversas flores, Blundetto procura aquele toque especial em gente que também é conhecida por produzir boa música inovadora, desta forma, Shawn Lee; Tommy Guerrero; os metais da Budos Band; a voz surpreendente de Hindi Zahra; Chico Man; General Eletriks são escalados. E fazem arte de primeira. Os pontos altos estão nas canções White Birds e Voices que contam com Hindi Zahra, dona da voz que brota cheia de efeitos entorpecidos, perfeitos para o lirismo das mesmas, além da sinistra sessão de Shawn Lee com a Budos Band em "La Carretilla", Sunset Stroll ainda pontua com seus ares cinematográficos, além de Cuban Shirt, faixa que se vê com maior intensidade a experimentação com a música eletrônica. Vale muito conferir o trabalho de Blundetto, a satisfação é garantida.



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"[2010] Bad Bad Things"
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1. Blundetto - Nautilus (Feat. Shawn Lee) (3:56)
2. Blundetto - Voices (Feat. Hindi Zahra) (3:14)
3. Blundetto - Mustang (Feat. Budos Band Horns) (3:30)
4. Blundetto - Mi Condena (Feat. Chico Man) (4:05)
5. Blundetto - Cuban Shirt (3:37)
6. Blundetto - Party Animals (Feat. General Elektriks) (3:49)
7. Blundetto - White Birds (Feat. Hindi Zahra) (3:51)
8. Blundetto - My One Girl (Feat. Lateef the Truthspeaker) (3:50)
9. Blundetto - Ken Park (Feat. Tommy Guerrero & Shawn Lee) (4:46)
10. Blundetto - La Carretilla (Feat. Shawn Lee & Budos Band Horns) (3:00)
11. Blundetto - Bad Bad Things (3:18)
12. Blundetto - Sunset Stroll (Feat. General Elektriks) (3:46)
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LORD ECHO: MELODIES


Lord Echo é um dos pseudônimos de Mike Fabulous, integrante (dentre outros projetos) do Black Seeds. O seu disco de estréia solo, por assim dizer, é uma brincadeira que ruge através do seu louco mundo sonoro. "Melodies" (de 2010) mostra um quartinho desse amplo repertório de técnicas e sonoridade absurda. É uma coleção absolutamente deslumbrante, com texturas proveitosas e timbres impressionantes. Repleto das melhores ondas do Soul, Dub, Jazz e Disco miscigenados com maestria. Mike obtém, com sua técnica capciosa, uma sonoridade misteriosa e profundamente envolvente. Alguma descrição benevolente que só seu tímpano poderá te lembrar. Quaisquer palavras desacompanhadas de suficiente amostra auditiva seriam nulas. Um som tranquilo que, com seu ineditismo, tirará a sua tranquilidade! Mike Fabulous - perdoe a preguiça - é fabuloso! Sem mais...


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"[2010] Melodies"

1. Lord Echo - Rhythm 77 (3:51)
2. Lord Echo - Blueberry Jam (3:30)
3. Lord Echo - Wang East (5:10)
4. Lord Echo - The Book Keeper (5:49)
5. Lord Echo - That’s Right (5:25)
6. Lord Echo - Terabu (3:30)
7. Lord Echo - Honest I Do (3:04)
8. Lord Echo - Cosmic Echoes (5:06)
9. Lord Echo - Miracle Dance (4:26)
10. Lord Echo - Sword Cane (6:13)
11. Lord Echo - Thinking of You (6:58)
12. Lord Echo - Things I Like To Do (3:20)
13. Lord Echo - Long Time No See (2:59)

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ROOTS MANUVA MEETS WRONGTOM: DUPPY WRITER


Mais uma receita que mistura ingredientes de forma pouco convencional. Não é tão recente a idéia de mesclar Hip-hop com Reggae, ou vice-e-versa. Afinal são dois gêneros do gueto, ambos feitos em sua essência quase sempre por negros, expressando assim sua realidade. Mas não é porque vieram do mesmo solo que toda e qualquer hortaliça terá o mesmo sabor, tal alimento nem mesmo agradará a todos sempre. Tem que saber prepará-los para um ingrediente suprir as lacunas gustativas do outro. Para tal aula culinária foram escalados os chefes Wrongtom e Roots Manuva. Respectivamente, o primeiro com menu recheado do mais dopado Reggae e outro com flow flamejante do Hip-hop.

Roots Manuva é conceituado no subsolo do Hip-Hop americano. Sua relação com a música de Jah, até este projeto, nao transpassava a linha da apreciação e respeito. Aqui, Roots Manuva traz sua experiência à tona, versando intimamente sobre os riddims pesados do apuradíssimo produtor e colecionador musical Wrongtom. O disco "Duppy Writer" mora na mesma praia dos mash-ups do criativo produtor Max Tannone, em "Dub Kweli" e Mos Dub". Um disco moderno, simples, de versos agressivos mas com as raízes imbuídas na sonoridade do Reggae jamaicano da década de 70. Inspirado no ontem, falando do hoje e admirado amanhã. Pronto pra preencher setlists mundanos - de soundsystens noturnos à frenéticas pistas de skate! Destaque instantâneo para "Worl' a Mine", "Jah Warriors", "Dutty Rut" e "Motion 82". Algo pertinente aos acervos de apreciadores sensatos da nova e boa música!

"Roots Manuva chamou, para ajudá-lo nos controles, o DJ Wrongtom e como resultado da parceria temos mais um disco intoxicante onde o Reggae, o Dub e principalmente o Dancehall são os pilares que sustentam suas rimas. Mas esqueça aquele Dancehall meia boca que surgiu nos anos 80 e se proliferou pelos anos 90. 'Duppy Writer' é um disco produzido com esmero, cheio de efeitos, encaixando perfeitamente o ritmo pesado com as psicodelias do Dub." ~apanhado no PequenosClássicosPerdidos


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"[2010] Duppy Writer"

1. Roots Manuva & Wrongtom - Butterfly Crab Walk (2:39)
2. Roots Manuva & Wrongtom - Chin up (4:05)
3. Roots Manuva & Wrongtom - Duppy Writer (skit) (0:42)
4. Roots Manuva & Wrongtom - Worl' a Mine (3:38)
5. Roots Manuva & Wrongtom - Big Tings Redone (4:27)
6. Roots Manuva & Wrongtom - Jah Warriors (3:57)
7. Roots Manuva & Wrongtom - Proper Tings Juggled (4:19)
8. Roots Manuva & Wrongtom - Dutty Rut (3:38)
9. Roots Manuva & Wrongtom - Dub Decay (0:19)
10. Roots Manuva & Wrongtom - Lick Up Ya Foot (2:47)
11. Roots Manuva & Wrongtom - Rebuff (2:59)
12. Roots Manuva & Wrongtom - Son of Bodda (3:29)
13. Roots Manuva & Wrongtom - Motion 82 (5:03)

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BROWNOUT: AGUILAS AND COBRAS + REMIXED AND REGROOVED


Da lama ao caos, do caos à lama! Do caos à falta de tempo, da falta de tempo à escassez de publicações em nossa Oficina. Voltamos então sorrateiramente com mais uma sessão de nossa literatura cosmopolita de decoro musical. Brownout é uma complexa banda de Nu-Funk com firmes traços latinos. A maior parte dos integrantes também fazem parte do Grupo Fantasma. Digamos que o Brownout é menos caribenho ou mais americazado. Apesar de americana (a banda é originária de Austin, sudeste do Texas), trazem uma roupagem muito interessante para a música nascida lá trás com James Brown, Sly Stone e Mandrill, sempre trazendo com marcantes referências da música latina - tanto rítmica quanto melodicamente. Algo peculiar à banda devido as diversas influências e talento de cada integrante! Entre os membros, encontra-se o iluminado guitarrista Adrian Quesada, que além do Grupo Fantasma é também aquele que sustenta o Ocote Soul Sounds.

O álbum "Aguilas And Cobras", de 2009, é uma balaio retentor de grooves pesados e refrões profundos. Formada por oito integrantes, a banda chega à margem do estrelato das mais autênticas big-bands do novo Funk. Vemos isso nas linhas de metais mais brilhantes e na bateria mais cabreira que o convecional, por assim dizer. Uma música para mostrar o poder das experimentação, mesclando cadências e culturas diversamente ricas e que ainda assim ficam melhores se entrelaçadas. Um disco quase todo instrumental, quando usam das palavras a fazem de forma primorosa, deixando os versos soarem de tal forma que tudo o resto torna-se mais interessante. Destaque para praticamente todo o álbum, que passa do Afro-beat ao Disco, do Latin-jazz ao Deep-funk!

A repercussão deste projeto foi tão positiva que no ano seguinte, em 2010, organizaram um releitura do disco, daí saiu o "Aguilas And Cobras (Remixed And Regrooved)". Com a mão de alguns produtores e deejays, remexeram este balaio e obtiveram algo de grandeza equivalente. Neste momento a obra fora recondicionada com frenesi e respeito como deveria ser. Uma calorosa obra-prima seja ela em nossa forma original ou revertida. Entre os remixes atente-se para as versões de J-Boogie, Tal M. Klein, Grant Pahabao, Ray Hugo Kokolo e Anthony Mansfield. Recomendado aos apaixonados e esperançosos com a nova música que se preze! Petardo sonoro que logo atingirá a massa e a fará balançar a cabecinha!

"É engraçado porque podemos estar ensaiando com o Grupo Fantasma e, na noite seguinte, os mesmos caras podem voltar para o ensaio sendo o Brownout. E a música é completamente diferente! Nós definitivamente estamos tentando manter os dois projetos separados. Ao mesmo tempo, não há nenhum esforço para tentar esconder o fato de que é a mesma banda." ~Adrian Quesada, guitarrista da banda


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[2009] Aguilas And Cobras

1. Brownout - Con El Cuete (3:55)
2. Brownout - Ayer Y Hoy (3:28)
3. Brownout - Aguilas And Cobras (4:26)
4. Brownout - Tell Her She's Lovely (3:24)
5. Brownout - Framed By Death (3:28)
6. Brownout - Another Fire (3:16)
7. Brownout - Olvidalo (4:01)
8. Brownout - Flea (Interlude) (1:41)
9. Brownout - Slinky (2:36)
10. Brownout - Pole Position (4:08)
11. Brownout - Family Show (4:05)
12. Brownout - C 130 (4:11)
13. Brownout - Chanclas De Ninja (3:30)
14. Brownout - Nawlins (4:07)
15. Brownout - S.F.L.A. (3:50)

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1. Brownout - Slinky (Tal M. Klein Remix) (5:21)
2. Brownout - Olvidalo (J-Boogie Remix) (5:47)
3. Brownout - Pole Position (Señor Oz Remix) (4:08)
4. Brownout - Con El Cuete (Second Sky And Thomas Blondet Remix) (3:50)
5. Brownout - Ayer Y Hoy (Ray Lugo Kokolo Remix) (3:22)
6. Brownout - Chanclas De Ninja (Mexican Dubwiser Remix) (3:45)
7. Brownout - Olvidalo (Jeremy Sole Remix) (5:02)
8. Brownout - Aguilas And Cobras (Afrolicious Remix) (5:47)
9. Brownout - Slinky (Anthony Mansfield Remix) (4:46)
10. Brownout - Pole Position (Grant Phabao Remix) (6:18)
11. Brownout - Slinky (Caz Remix) (4:13)
12. Brownout - Olvidalo (J-Boogie Drumapella Remix) (5:36)
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MOUNTAIN MOCHA KILIMANJARO: UHURU PEAK


Qual é o perfil convencional da musica japonesa? Aqueles mantras com timbres ching-lings? Instrumentos ancestrais exuberantes, cercado de gueixas, ao mesmo tempo, pacatas e dançantes? Engano total! A herança da música nipônica para o ocidente é sim repleta de estigmas, mistérios e, por que não dizer, preconceitos. Pode ser tida muitas vezes como algo que não fora compreendido totalmente, afinal sua construção foi feita sobre uma base cultural, filosófica e intelectual distinta em relação a essa banda do mundo! Mas, acontece que, hoje, com todas as tecnologias sociais e interativas, o leme deste navio oriental vem buscando novas águas navegáveis, incluindo o riquíssimo oceano da música ocidental. Mountain Mocha Kilimanjaro chega preiteando essa aventura. Mais especificamente vasculha a ilha negra do funk. Não pense você que, por carregarem normalmente sonoridades tão distantes, nossos irmãos de olhos puxados não podem fazer funk. Aqui deparamos com um groove delicioso de deixar qualquer pixaim em pé. De New Orleans à Tokyo, o trabalho da Mountain Mocha Kilimanjaro deve ser respeitado, apreciado e compartilhado sem tolos receios!

Formada por seis integrantes, a Mountain Mocha Kilimanjaro leva, sem escalas, o melhor do deep-funk, do funk-jazz, do acid-jazz, à terra do sol nascente. De lá trazem o inusitado, trazem o imprevisto, aquela forma pesada e concisa de "fazer um bom groove". O disco "Uhuru Peak" sustenta bem seus argumentos. Um álbum totalmente instrumental com timbres, harmonias e toadas de alto nível. Não fica devendo nada quando em paralelo com trabalhos de certo renome na cena, como: The Bamboos, Menahan Street Band, Breakestra ou até a virtuosa Amnesty, em certos momentos. Grandes temas são abordados com indiscutível sucesso. Ouça "Them of Kilimanjaro", "Alligator Man" e "Mr. Soul Machine Gun", e repentinamente entenderá suas autênticas virtudes. Pra finalizar o disco uma bela faixa, "Love Spectrum", o deixará afoito e sem réplicas! Um brinde (com saquê, claro) à cultura oriental e seus saboros frutos!



Dê o play, macaco!
"[2010] Uhuru Peak"
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1. Mountain Mocha Kilimanjaro - 煎둦 (3:53)
2. Mountain Mocha Kilimanjaro - Theme Of Kilimanjaro (4:03)
3. Mountain Mocha Kilimanjaro - Sweet LAS Coke (3:34)
4. Mountain Mocha Kilimanjaro - Super Jock Strut (2:58)
5. Mountain Mocha Kilimanjaro - Mr. Soul Machine Gun (6:01)
6. Mountain Mocha Kilimanjaro - Caught In The Middle (4:28)
7. Mountain Mocha Kilimanjaro - Indication (3:32)
8. Mountain Mocha Kilimanjaro - A Woman Changed My Life (4:39)
9. Mountain Mocha Kilimanjaro - Sympathy (2:23)
10. Mountain Mocha Kilimanjaro - Alligator Man (3:42)
11. Mountain Mocha Kilimanjaro - The Mantle (4:28)
12. Mountain Mocha Kilimanjaro - (Ain't Got Nobody) Just A Rambling Man (4:00)
13. Mountain Mocha Kilimanjaro - Love Spectrum (8:36)



~integrantes:
Naohito "Temjin" Yomoda - trumpet
Kunimitsu "Carlos" Ohashi - tenor saxophone
Naokazu "Bobsan" Kobayashi - guitar
Yuki "Mzo" Mizoguchi - organ,keyboards
Yusuke "Ginger" Kondo - bass
Satoshi "Tiger" Okano - drums
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BURNING SPEAR: MARCUS GARVEY + GARVEY'S GHOST


Como costumo dizer, existem varias maneiras de um material tomar minha atenção e fomentar um novo post como forma de tributo. O relicário cantado que vos trago hoje marca sua presença devido a importância alcançada no decorrer do tempo. Burning Spear é a bola da vez e, desta vez, com uma edição remasterizada do seu álbum clássico dos clássicos "Marcus Garvey + Garvey's Ghost". Pra quem conhece quaisquer palavras serão falhas. Pra quem nunca ouviu, preparem as lágrimas e adjetivos! Obra-prima facilmente apontada como porta-estandarte do Roots Reggae e tudo que este engloba!

Hoje tal preciosidade é dimensionada como um dos mais valorosos trabalhos de todo universo do Reggae. Integralmente envolvido com a causa, seu efeito atingiu mais que valências espirituais ou filosóficas. Fez milhares de pessoas dançarem numa única vibração, sob um só propósito: louvar e agradecer através da música. "Marcus Garvey", seguido de sua versão dub "Garvey's Ghost", surgiu como uma flecha flamejante no céu de 1975. Trouxe Burning Spear ao destaque neste céu forrado de supernovas como Wailers, Maytals, Abyssinians e Skatalites. Na flecha uma mensagem expansiva e revolucionária que hoje é disseminada e exaltada por multidões jamais imaginadas na sua origem. Com preceitos rastafári, trazendo muito mais que o óbvio, o alvo tomou proporções continentais. A sonoridade do disco conquista em definitivo os tímpanos mais enjoados.

Olhando mais de perto, vemos figurinhas de carimbo oficial no elenco. Na metaleira Vin Gordon, Bobby Ellis, Herman Marquis e Dity Harry. Na cozinha rítmica, o baterista Leroy Wallace e participações dos baixistas notáveis Aston Barret e Robbie Shakespeare. Ainda com importantes mãozinhas de Earl Chinna Smith, Tyrone Downie e produção de Errol Thompson. Disco merecedor de todo respeito e gratidão dos verdadeiros regueiros guerreiros! Poderosas faixas são facilmente apontadas como destaques, mas deixo esta tarefa para cada um. Recomendo que ouçam o disco inteiro atentando-se para cada respectiva versão dub. Desvie das que nada acrescenta e se deixe atingir por esta flecha abençoada pela palavra de Jah! Jah bless, monkeys!


Dê o play, macaco!
"[2010] Marcus Garvey + Garvey's Ghost"
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1. Burning Spear - Marcus Garvey (3:27)
2. Burning Spear - Slavery Days (3:34)
3. Burning Spear - The Invasion (3:21)
4. Burning Spear - Life Good (3:14)
5. Burning Spear - Give Me (3:10)
6. Burning Spear - Old Marcus Garvey (4:03)
7. Burning Spear - Jordan River (2:59)
8. Burning Spear - Red, Gold And Green (3:13)
9. Burning Spear - Resting Place (3:10)
10. Burning Spear - The Ghost (3:56)
11. Burning Spear - I And I Survive (3:54)
12. Burning Spear - Black Wa-Da-Da (3:53)
13. Burning Spear - John Burns Skank (3:48)
14. Burning Spear - Brain Food (3:11)
15. Burning Spear - Farther East Of Jack (4:26)
16. Burning Spear - 2000 Years (3:48)
17. Burning Spear - Dread River (3:13)
18. Burning Spear - Workshop (4:34)
19. Burning Spear - Reggaelation (3:43)

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SKELETONS: SMILE


Mais uma coroada subsecção artesanal do maestro Benedic Lamdin, sábio produtor e idealizador do Nostalgia 77 (um dos principais representantes da miscelânica Tru Thoughts Records). Ben, acostumado a educar com outros verbetes, desta vez, manifestou-se através da essência espontânea da música africana. Esta digressão parte rumo as montanhas do Afrobeat, passa pelo descampado do Afro-Jazz e segue firme aos recantos do Deep-Funk. Fortalecido por constantes improvisos e folclores harmônicos, este projeto representa a nova safra de trabalhos autorais voltados a exaltar a riqueza afro. Referências abertas de Mulatu Astatke, Fela Kuti e Ebo Taylor são revisitadas em calorosos grooves, firmando tal tese. Material de peso, indispensável para qualquer amante da boa música.

Ben Lamdin, protegidos por seus skeletons, esbanja criatividade e destreza referencial no trato à música. O enredo desta alegre e exótica viajem é ilustrado em seu mais novo trabalho: "Smile", lançado em 2010, diretamente de seu próprio selo, Impossibel Ark. Mr. Lamdin, o proliferador de novas guinadas para a música, apresenta um disco bem diferente de seus demais projetos. Montado sobre um alicerce percussivo inabalável, declama sobre as ondas atemporais da música africana, repleta de psicodelia instrumental e misterios étnicos, culturais e sonoros. Com elementos precisos e preciosos, o resultado é, ao mesmo tempo, espacial e intimista, descontraído e pretensioso. Bateria quebrada, metaleira uniforme, guitarra recatada e pura, cercados sempre por viradas calamitosas e timbres enérgicos. Faixas inspiradíssimas como: "Positive Force", "Guadeloop", "Over The Bridge" e "50 Degrees", podem te erguer o penteado. Outro destaque eminente é a participação da bem-cotada Alice Russel, na faixa "Adam & Eve". Um disco pra ouvir sem pressa, nem preguiça; pra ser digerido no tempo certo. Comece experimentando desta substância nutritiva aos ouvidos e sugestiva à mente!


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"[2010] Smile"
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1. Skeletons - Positive Force (3:06)
2. Skeletons - Marathon Man (4:02)
3. Skeletons - 50 Degrees (4:17)
4. Skeletons - Gravel (3:59)
5. Skeletons - Firesticks (3:37)
6. Skeletons - Over The Bridge (4:51)
7. Skeletons - Skeletons (4:53)
8. Skeletons - Guadelupe (6:37)
9. Skeletons - Mulatu (2:55)
10. Skeletons - Blood (0:34)
11. Skeletons & Alice Russell - Adam And Eve (2:59)
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HOCUS POCUS: 16 PIÉCES


Se um gênero pode gabar-se de méritos, este é o Rap. Com incessantes trocas de pele, cresceu, disseminou-se pelos mais diversos cantos do mundo e mantém-se vivo por mais de duas décadas. A característica andarilhesca que o acompanha é aqui exemplificada com um disco que apresenta o rap de pinta francesa, repleto de tons e sonoridades primaveris e elegantes.

"16 Pieces" do grupo francês Hocus Pocus é um disco que tem a leveza e a astúcia de uma pluma carregada pelo vento; considerado hoje um dos melhores exemplos de qualidade quando se trata da instigante mistura entre o hip-hop, o jazz e a música soul. Essa mistura tem uma liga que vai muito além do sample - recurso usado à exaustão no hip-hop. Além de samplearem loops incríveis de gente como Louis Armstrong, Miles Davis e Serge Gainsbourg, Hocus Pocus mutuamente apropria-se de uma banda orgânica que tem em sua formação: Hevré Gogard no baixo, Matthieu Leliére nos teclados, Antoine Saint-Jean na batera, e o fera DJ Greem.

"16 Pieces" apresenta a banda traçando um caminho urbano repleto de sutileza na diretriz de suas faixas, caminho despretencioso, suscetível às mais inesperadas belezas rítmicas que por ventura cruzam-no. Resultado? Estas acabam sendo intimadas à participarem da construção do discurso. Os exemplos formosos mais claros são ilustrados quando saúda-se o neo-soul em “Beautiful Losers”; o afro-rap "I Wanna Know", claramente influenciado por Fela Kuti; e ainda, quando você espera ter visto e ouvido tudo, a enérgica "Le Majeur Qui Me Démange" cruza seus ouvidos impregnada por aromas motownianos. Haja fôlego! O album conta ainda com participações de nomes de peso, como a cantora Alice Russel, os franceses Oxmo Puccino e Akhenaton e Mr. J. Medeiros. Um ótimo álbum para quebrar a rotina, empreender novas guinadas, e surpreender-se. Recomendadíssimo.

"Às vezes a música é tão bela, que você esquece o fato de você não compreender o canto estrangeiro. Hocus Pocus é um excelente exemplo. O grupo francês traz uma combinação única de Hip Hop, Jazz e Soul tocada com instrumenção orgância. Não importa qual língua você fala, Hocus Pocus é um grupo que você não pode ignorar." ~The Find Magazine

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"[2010] 16 Piéces"
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1. Hocus Pocus - Beautiful Losers (4:01)
2. Hocus Pocus - 25/06 (4:01)
3. Hocus Pocus - A Mi Chemin (4:55)
4. Hocus Pocus - Putain De Mélodie (3:23)
5. Hocus Pocus - Papa? (3:07)
6. Hocus Pocus - Pièce N°6 (Dj Atom) (0:24)
7. Hocus Pocus - Signes Des Temps (3:27)
8. Hocus Pocus - Equilibre (4:33)
9. Hocus Pocus - Marc (5:10)
10. Hocus Pocus - Pièce N°10 (Dj Pfel) (0:51)
11. Hocus Pocus - I Wanna Know (4:35)
12. Hocus Pocus - WO:OO (2:52)
13. Hocus Pocus - Portrait (4:39)
14. Hocus Pocus - Pièce N° 14 (Dj Greem) (1:01)
15. Hocus Pocus - Le Majeur Qui Me Démange (3:22)
16. Hocus Pocus - 100 Grammes De Peur (3:25)
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CLINTON FEARON: MI DEH YAH


Tarda mais não falha, o que é bom uma hora dá as caras pra surpresa dos bons tímpanos. Clinton Fearon, ex-Gladiator está na ativa desde o ápice do Reggae em 70, e em seu mais novo trabalho, "Mi Deh Yah", remonta a nobreza de um velho guerreiro, experiente e audacioso. Sem repensar, este é o trabalho do gênero jamaicano que mais agradou em 2010. Ganhou a crítica, expandiu o alcance e redesenhou olhares para a música Reggae - por tantos mal-vista, por vários mal-entendida. Algo para ser apreciado com vigor cotidiano.

Acompanhado novamente pela Boogie Brown Band, Clinton Fearon, apresenta um disco completíssimo em todos os sentidos. Cada faixa carrega sua própria identidade, células distintas e bem desenvolvidas, sem jamais deixar a brincadeira monótona. Clinton abusa da variedade entre ritmos e possibilidades. O termo "Mi Deh Yah" soaria como "Eu estou aqui", e de fato Clinton está. Diria mais, com sua diversidade de grooves e gingas, este jovem ancião da musica jamaicana, está aqui, ali e acolá! Atravessa despreocupado do Soul ao Dub, do Roots ao Ska - explorando paulatinamente cada um com tratamento peculiar. Um disco que leva a fama da integridade também em suas mensagens, críticas e alternativas sociais e/ou filosóficas. Através das frases do baixo que comanda, Clinton Fearon leva sua música a um patamar de primazia e força sem igual. Completam o mais atento checklist os instrumentos contextualizados no decorrer desta guinada. Flautas e violinos versáteis preenchem o som arrepiando todas as previsões. O baixo carrega aquele teor atraente, lascivo e totalmente marcante. Sax, trompete e trombone dão textura e consistência a massa sonora. Bateria, quietamente satisfeita, mostra o caminho a ser estudado. Vocais e backings de animar o ouvinte mais distante, trazendo-o pra dentro da festa, o fazendo cantarolar até mesmo sem saber a letra. Os pilares são todos enrijecidos com os mais finos elementos. Passagens marcantes, refrões intrigantes e harmonias anestésicas fazem deste disco especial.

O disco fala da realidade, divaga sobre a espiritualidade. Lembrando a energia das big-bands astronautas do universo do Ska, a temática "Focus" é a única faixa sem letra. Parte também para a pegada mais firmada no terreno do Soul, com swing e picardia congregados em "Jamaica". Também desaba sobre as falhas e injustiças vigentes, como em "What a World". Mas não fica por aí, ressalta nossa força e poder para transformar nossas vidas, "Better Days" e "Are You Ready", são um exemplo disso. Com bagagem de peso imensurável, este que é o nono trabalho oficial, "Mi Deh Yah" é daqueles que será ouvido por todo o sempre do começo ao fim, sem pular uma faixa mediana sequer. Dificilmente encontramos discos 100% assertivos, este cala tal anseio musical. Ouça todas as faixas com atenção exclusiva, observe cada paisagem, cada tonalidade e textura desta obra de arte contemporânea alimentada por uma fonte de profundidade ancestral!


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"[2010] Mi Deh Yah"

1. Clinton Fearon - Life Is A Journey (4:21)
2. Clinton Fearon - Rock And A Hard Place (3:40)
3. Clinton Fearon - Um Lugar Longe De Casa (3:29)
4. Clinton Fearon - Mi Deh Yah (2:50)
5. Clinton Fearon - What A World (3:47)
6. Clinton Fearon - Focus (4:07)
7. Clinton Fearon - Better Days (4:34)
8. Clinton Fearon - The Best (3:53)
9. Clinton Fearon - Are You Ready (3:30)
10. Clinton Fearon - Jamaica (3:30)
11. Clinton Fearon - Tell The World (2:48)
12. Clinton Fearon - John Jones (3:14)
13. Clinton Fearon - Feeling Blue (5:10)
14. Clinton Fearon - Working For The Man (4:39)

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FAT FREDDY'S DROP: LIVE AT ROUNDHOUSE LONDON


Fat Freddy's Drop faz do palco seu estúdio mais intimista com seu mais novo projeto: "Live At RoundHouse London". Sem dúvida, o disco ao vivo mais impressionante de 2010. Com o FFD a produção é inversa, seus álbuns de estúdio surgem mais como uma forma de condensação dos épicos concertos ao vivo. A banda neozelandesa apresenta, neste show gravado em 2008, uma relação dialética de reciprocidade vital entre os integrantes e o público do início ao fim. Ambientes harmônicos mais sintéticos como Drum'n'Bass e House são precisamente combinados com o Jazz, Soul e principalmente Reggae, levando os fãs ao delírio. O caminho do Fat Freddy sempre foi rotulado complexo, devido a sua rebuscada e completa sonoridade. Para ilustrar da “melhor maneira” pense numa mistura perspicaz entre Defacto (projeto paralelo do Mars Volta) e Daftpunk (dupla conhecida nos anos 90 por suas alquimias eletrônicas). O resultado é tudo isso e mais um pouco!

DJ Fitchie é o diretor musical, o guia-mestre: comanda o baixo e a bateria com sua MPC e sintetizadores utilizando técnicas alienígenas – toda complexidade da banda está sobre seus pretensiosos sets! Insano! Dobie Blaze manuseia suas teclas com autoridade, fazendo dos delays mais que um acento. Joe Dukie valida todo o trabalho com suas composições e seu vocal de tranqüilidade aterradora. A onda do Dub é alimentada com sabedoria pela fusão entre bateria e baixo (neste show contam com participação de um baterista que não descobri a procedência!). Tehimana Kerr harmoniza discreta e essencialmente a grandeza sonora da banda. Na linha de metais, com reflexos sempre fantásticos: Scott Towers, no sax; Toby Laing, no trompete; Joe Lindsay, vulgo 'Ho Pepa', no trombone.

Nesta performance, cada faixa pode ser considerada uma odisséia particular - todas com duração nada comercial, de 10 à 16 minutos. Mesmo assim, o disco é confortável demais para cansar qualquer ouvido. A musicalidade empregada é muito requintada, explanam sobre varias paisagens sonoras, e isso deixe a obra leve e divertida. Baquetadas swingadas presentes em "The Camel" (veja o preview no topo do artigo), leva-nos a crer que tudo acabará em bossa! "Pull The Catch" é, também, um caso que deve ser tratado à parte. Começa quase como um mero reggaton com timbre lisérgico 8-bits. Logo vira um groove enérgico repleto de metais ecoando com força comovente. Na segunda metade da faixa, a bateria dispara sua rebeldia eletrônica inusitada. Em seguida finalizam em alta classe com trecho de "Fisherman" do The Congos.  Já "The Raft" é a mais jamaicana, com baixo reto e metais redondos - ao final da jam, numa passagem primorosa surge o clássico "Ernie", do primeiro disco. Extremamente fenomenal: tirem, sem pressa, o chapéu para Faaaaaaaat Freeeeeddy's Drooop!

"Minha sugestão, porém, é simples e direta: coloque pra tocar e vá fazer outra coisa (limpe seu quarto, estude para a escola de verão...). Quando a música parar, trate de colocá-lo pra tocar novamente. Desta vez, aumente o volume e atenção, e relaxe. Quando a disco terminar, pela terceira vez, coloque pra tocar. Considere esta sua hora de meditação. Quando a música parar ... bem, você sabe o que fazer!" ~Breath of Life


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"[2010] Live At RoundHouse London"
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1. Fat Freddy's Drop - The Camel (13:29)
2. Fat Freddy's Drop - The Raft + Ernie (16:11)
3. Fat Freddy's Drop - Flashback (12:16)
4. Fat Freddy's Drop - Pull the Catch (10:53)
5. Fat Freddy's Drop - The Nod (10:16)
6. Fat Freddy's Drop - Shiverman (15:58)

~integrantes:
Dallas Tamaira ("Joe Dukie") – vocalista
Chris Faiumu ("DJ Fitchie") – percussão, produção, MPC e sintetizadores
Toby Laing ("Tony Chang") – trompete
Tehimana Kerr ("Jetlag Johnson") – guitarra
Iain Gordon ("Dobie Blaze") – pianos, teclados e sintetizadores
Joe Lindsay ("Hopepa") – trombone, tuba
Scott Towers ("Chopper Reedz") – saxophone
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FIREBUG: DISCOGRAFIA (PARTE 2)

"OUTRA COISA + I WANNA SHOYU (BÔNUS DISC)"

Foto do show no E.C. Serralheria do projeto Peixoto & Maxado, pelo blog Vamo Aí.

Uma requintada celebração brasileira para as belas formas da música jamaicana. É assim que abrevio a gama sonora empregada no mais novo trabalho do Firebug. O album intitulado “Outra Coisa”, foi lançado em 2010 e já retrata mudanças desde o nome. O termo “outra coisa” reflete a atual fase da banda, cheia de contrastes e remanejamentos sonoros ou pessoais. Seja pela nova formação, que passara por mudanças substanciais, ou mesmo pela repaginação da velha música jamaicana, que mostra-nos uma nova cara com autênticas expressões tupiniquins, comprova-se: Aqui mudança é o remetente e a festa, o destinatário. O fato é que neste momento a sonoridade do Firebug é outra coisa! São novos ângulos para a mesma paisagem, cada qual mirada sob a imparcial faceta dos novos integrantes. O mote não mudou, continuam agarrando firme nas raízes da música jamaicana. Mas, com eloqüência e originalidade, enfatizaram desta vez os maiores ritmos dos anos 60: Rocksteady, Ska, Early-reggae e Soul, criando neste terreno, sua principal identidade. Para fortificar a obra, sombrearam todas as faixas com poderosas cargas de Dub – ora resguardadas pro finalmente, ora escancaradas logo no refrão. Uma produção de primeira qualidade, vinda do melhor país do terceiro mundo!

Novas peças no mecanismo trouxeram suas particularidades sonoras e provocaram uma evolução coletiva. À frente da trupe permanece a base: Rodrigo Cerqueira, com delicadeza viking na bateria, e Felipe Machado, investindo alto nos vocais e guitarra; Lipe Torre, que neste álbum deixa de canto a escaleta e abisma os mais céticos com sua faminta guitarra. E, entrando pra laia agora, temos: Edu Sattajah (dos Leões de Israel), que abraça o seu baixão de alcance sísmico; e Lucas Frugoli, comandando seu vantajoso teclado. Com produção impecável de Victor Rice, o resultado é uma síntese entre estas nuances da jovem formação e uma possível nova rota para o mesmo destino. Tal mescla acarretou numa sonoridade encantadora, dançante e altamente vibrante.

Neste que é o terceiro álbum, o Firebug pôde contar com participações valorosas: nas faixas “Afeganistão” e “Many Ships”, Cedric Brooks e Kevin Batchelor (ambos que já passaram pelo time do Skatalites); em “Wasting Time”, temos Chris Murray na retaguarda; em “Many Ships”, também participa Glen Pine (da aclamada banda californiana The Slackers); e segurando o refrão com estilo primo em “Sister (Don’t You Go)”, a porto-riquenha Mimi Maura (dona da famosa voz de ‘Monkey Man’, clássico regravado por diversos artistas). Um disco pra encher de orgulho os cidadãos exaustos da mesmice propagada pela mídia desprovida de conteúdo. Para comprar o disco, acesse: Radiola Records. Cante, dance e exalte a beleza da música brasileira acudida por braços da música jamaicana!


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"[2010] Outra Coisa"

1. Firebug - Influenza Tropical (3:21)
2. Firebug - Não Vou (4:01)
3. Firebug - Many Ships (3:20)
4. Firebug - A Hora (3:52)
5. Firebug - Sister (Don't You Go) (3:09)
6. Firebug - Pros Amigos (3:31)
7. Firebug - Afeganistão (3:00)
8. Firebug - Meu Lugar (3:28)
9. Firebug - O Preço (3:32)
10. Firebug - Wasting Time (3:59)
11. Firebug - O Preço (Dub) (3:23)

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Este é o fruto do projeto paralelo do vocalista do Firebug, Felipe Machado (o Maxado), junto com o fundador da Sensacional Orquestra Sonora, Eduardo Faiguenboim (o Peixoto). O disco “I Wanna Shoyu” (2009) veio pra simular o tal "substituto do Firebug" (dizem que a banda foi diluída a pouco), apesar de ninguém confirmar tal título. Assim sendo não poderia ficar de fora desta matéria! Uma obra-prima de autoridade sem igual, capaz de menear quaisquer estandartes cerimoniais. A dupla, Peixoto & Maxado, somam esforços com a banda que parece mais uma trupe formada para emancipar o ingresso da música jamaicana em terras brasileiras. Afinal, todos os integrantes são militantes de outras bandas de certo renome. São eles: o guitarrista Fabio Pinc, o percussionista Mauro Motoki (ambos do Ludov), o multiinstrumentista Meno Del Picchia no baixo, Agenor de Lorenzi nos teclados, Marcelo Freitas no saxofone, Paulinho Viveiro no trompete, Jaaziel Gomes no trombone, Samuel Fraga e/ou Ângelo Kanaan na bateria. Quando mencionei que P&M são os mensageiros com a carta de alforria da musica jamaicana, digo os ritmos pouco disseminados por aqui - o Rocksteady predomina cercado por coisas como: Soul, Dub, Balada, Folk e Indie. A missão foi cumprida!

A concepção, seleção e produção mostram como se deve fazer. Mesmo saindo do forno do aconchegante estúdio caseiro, o trabalho carrega qualidades majoritárias. Músicas autorais, na maioria, quando não amaciam nossos tímpanos com fan-versions de grandes artistas, demarcando de uma forma totalmente original. Eu, amante nato de covers e remakes, destaco logo de cara a faixa “Maria Bethânia” - clássico b-side de Caetano Veloso numa versão de tirar o fôlego. Também novas roupagens podem ser vistas em “Pomps And Pride”, de Toots & Maytals; e “Sound of Silence”, de Simon & Garfunkel. Das faixas de autoria própria enfatizo a atenção principalmente para “Rock the World”, “The Bus” e “Pick Up The Pieces” (esta última em referência a um álbum da banda The Royals). O fato é que em todas as faixas, Peixoto & Maxado, cantam em total harmonia e entrosamento. Não há como dizer qual canta mais que o outro, mas garanto que com apenas um deles o disco se transformaria em algo bem mais pobre, raso e banal. Hora de apreciar mais uma das coisas boas que vem surgindo em nosso Brasil brasileiro pós-2000. Por sinal, uma terra muito fértil onde facilmente se diz que não há nada de valor brotando. Balela! Afinal, o cenário independente sempre foi assim: a locomotiva atravessa a urbe sem lançar se quer fumaça! E assim será, que lucrem os interessados. Força ao reduto de boas novas da música popular brasileira!


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"[2009] I Wanna Shoyu"

1. Peixoto & Maxado - Die In Vain (3:52)
2. Peixoto & Maxado - Mojo (4:28)
3. Peixoto & Maxado - I Wanna Shoyu (3:13)
4. Peixoto & Maxado - I'll Do You (2:08)
5. Peixoto & Maxado - Milf (3:00)
6. Peixoto & Maxado - Pick Up The Pieces (3:01)
7. Peixoto & Maxado - Sound Of Silence (4:25)
8. Peixoto & Maxado - Little Jarinu (3:17)
9. Peixoto & Maxado - Bros Before Hoes (3:46)
10. Peixoto & Maxado - Maria Bethania (6:03)
11. Peixoto & Maxado - The Bus (4:21)
12. Peixoto & Maxado - Play The Game (3:57)
13. Peixoto & Maxado - Boi Be Shalom (2:55)
14. Peixoto & Maxado - Three Chord Song (3:20)
15. Peixoto & Maxado - Rock Your World (3:53)

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DAISUKE TANABE: BEFORE I FORGET


Daisuke Tanabe, é um produtor de Chiba, Japão. Também viveu e trabalhou em Londres por alguns anos, e está atualmente vivendo em Tóquio, onde reúne suas obras musicais. Inicialmente caminhou pela sonoridade  sintética da música eletrônica: techno, breakbeat e afins. Por ora, tem desenvolvido seu próprio estilo de produção, criando um som distinto entre o hip hop, jazz, electro e downtempo. Com esmero, Daisuke embrenha-se nos vastos e inspiradores jardins do gênero "ambient". A natureza que inspira e surpreende o homem à cada instante, entra aqui, em simbiose com a música. Em "Before I Forget", o produtor faz uma reverência grandiosa, digna de um oriental, que sustenta tal relação com paciência, sutileza e beleza. Declaro abertos os portões destes jardins musicados por Daisuke para visitantes que esperam tranquilizar-se num passeio harmonioso, figurado por planos cromáticos, difusos e cósmicos.

As raízes da música ambient remetem ao início do século vinte. Neste período que abrange o pré e o pós-guerra, o Futurismo e o Dada nasceriam e incentivariam a experimentação com várias formas musicais (e não musicais), rejeitando os estilos convencionais presos pelas amarras da tradição. Brian Eno é creditado como criador do termo "Ambient Music" (em meados da década de 1970) para referir-se a música que, como ele reafirma, pode ser "ativamente ouvida com atenção ou tão facilmente ignorada, dependendo da escolha do ouvinte", e que transita sob o "limite entre melodia e textura".

Contudo, manifestar-se com indiferença perante à uma obra como "Before I Forget" é no mínimo uma tarefa árdua. A escolha da palavra "ambient" pelo próprio Eno tem como base o termo latino "ambire", ou seja, "cercar". A intenção de sua escolha era justamente descrever uma música que cria uma atmosfera, colocando o ouvinte em um estado de espírito diferente, rodeado por completo. Neste propósito Daisuke é mestre. Peças são criadas com a paciência e a perspicácia de quem cultiva um bonsai, fazendo do álbum uma experiência surpreendente. Melodias e texturas tocam à fundo e dão vida à universos minuciosos, de formas magníficas. A premissa criativa, oriunda do labor deste produtor nipônico, é alcançada com fulgor: o desígnio destes universos é concretizado com clarões que fazem jus à gênese de corpos celestiais. Vale o Play!



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"[2010] Before I Forget"
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1. Daisuke Tanabe - In (0:59)
2. Daisuke Tanabe - Deer Drop Forest (3:45)
3. Daisuke Tanabe - Vestige (4:22)
4. Daisuke Tanabe - Sigh (3:31)
5. Daisuke Tanabe - Myslee (3:16)
6. Daisuke Tanabe - My Fish (3:28)
7. Daisuke Tanabe - Brown Station (3:23)
8. Daisuke Tanabe - Danceman (1:59)
9. Daisuke Tanabe - Little Funny Fat (6:09)
10. Daisuke Tanabe - Wonder Lander (2:19)
11. Daisuke Tanabe - Kof (6:17)
12. Daisuke Tanabe - Artificial Sweetener (4:00)
13. Daisuke Tanabe - Kanon (2:21)
14. Daisuke Tanabe - No Answer (feat. Monday Michiru) (5:17)
15. Daisuke Tanabe - Out (0:54)
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FLYING LOTUS: COSMOGRAMMA


Steve Ellison é conhecido no mundo musical pelo codinome Flying Lotus. Se me indagassem à respeito da atual produção de música inovadora e autêntica, este artista certamente figuraria minhas indicações. A persistente busca pelo progresso em sua carreira como produtor e também pela concretização de uma sonoridade que exprimisse seu universo interior, fez com que este percorresse habilmente um fértil e grandioso terreno musical. Ellison parece ter em seu sangue a mesma persistência e a mesma dedicação metódica que seu tio, o jazz man John Coltrane tinha. Em Cosmogramma, o artista afirma ter começado a alcançar a maturidade auditiva e técnica suficiente para conseguir chegar onde desejava chegar quando era jovem, o som que sempre sonhou fazer.

Encaro Cosmogramma como um dos melhores lançamentos deste ano, se não o melhor. Fazendo as vezes de um explorador de intensas matizes sônicas, FlyLo faz o álbum atingir uma grandiosidade de proporções estelares. De imediato é notada a distinção deste se comparado aos seus projetos anteriores, que mais se assemelham ao gênero hip-hop. Mesmo assim, características de seus trabalhos prévios não são excluídos da totalidade de Cosmogramma. Mesmo assim, sonoridade, conceito e temática são notáveis exemplos de mudança. Ao hip-hop, são adicionados uma boa dosagem de Jazz e as já referidas matizes sônicas que ainda tomam de empréstimo algo dos vídeo-games. A entorpecente dosagem de jazz é certeira; Ravi Coltrane empresta a expressividade de seu sax transformando algumas peças em grandes momentos do álbum, como é o caso de "Arkestry" e "German Haircut". A mistura apreciável de elementos orgânicos com digitais torna a experiência de Cosmogramma incrível. A harpa de Rebekah Raff é outra peça indissociável do álbum, concebida com extrema graça. As linhas e arpejos do baixo de Thundercat também é ponto fortíssimo. A música "Mmmhmm" é um dos grandes momentos do álbum graças à presença deste.

É interessante notar como Cosmogramma se atrela ao sentido literal do termo “álbum”, pois o disco é concebido como movimento - as músicas conversam entre si, circundando o tema explicitado. Neste sentido, acaba se parecendo como uma obra de jazz vanguardista e acaba precisando de algumas escutas para decolar. No entanto, a densidade do som é algo que acaba vindo à tona de qualquer maneira. "Computer Face // Pure Being" e seu beat atordoado, parece colocar-nos em uma máquina de lavar roupas; chacoalha mas nos entrega já amaciados para a seguinte "...And the World Laughs With You" que conta com a colaboração de Thom Yorke do Radiohead em uma faixa também grandiosa. "Table Tennis" é auto explicativa. Impossível não ser transportado para a energia de um jogo de ping-pong cósmico. "Zodiac Shit", "Satelllliiiiiiite" e "Dance of the Pseudo Nymph" também são faixas não menos grandiosas e que merecem destaque.

O fato é que a totalidade do álbum não deixa nada a desejar. Faixas não citadas por aqui são dignas de respeito da mesma forma que as citadas. A concretização da proposta do movimento está enérgica, viva. Interessante e empolgante é pensar nos próximos lançamentos de Lotus, já que ele afirma que chegou só agora onde queria ter chegado. Este álbum é digno de um play bem dado... Segura essa pedrada!




Dê o play, macaco!
"[2010] Cosmogramma"
senha: oficinademacacos.blogspot.com

1. Flying Lotus - Clock Catcher (0:33)
2. Flying Lotus - Pickled! (2:35)
3. Flying Lotus - Nose Art (2:15)
4. Flying Lotus - A Cosmic Drama (3:13)
5. Flying Lotus - Zodiac Shit (1:28)
6. Flying Lotus - Computer Face (3:20)
7. Flying Lotus - And The World Laughs With You (feat. Thom Yorke) (2:05)
8. Flying Lotus - Arkestry (2:19)
9. Flying Lotus - Mmmhmm (feat.Thundercat) (2:30)
10. Flying Lotus - Do The Astral Plane (1:39)
11. Flying Lotus - Satelllliiiiiteee (2:18)
12. Flying Lotus - German Haircut (2:39)
13. Flying Lotus - Recoiled (2:42)
14. Flying Lotus - Dance Of The Pseudo Nymph (1:45)
15. Flying Lotus - Drips (0:17)
16. Flying Lotus - Table Tennis (feat. Laura Darlington) (2:08)
17. Flying Lotus - Galaxy In Janaki (2:17)

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WILSON DAS NEVES: PRA GENTE FAZER MAIS UM SAMBA


Diluído! Não é assim que a dose rende mais? Neste disco garanto que rendeu! Uma cantada fervorosa ao samba moderno, exaltado e realçado com velhos conceitos. O principal envolvido nesse admirável romance, dele com as raízes do samba, é ele: Wilson das Neves! É com ele que arrisco minha primeira resenha, finalmente, ao SAMBA! Representado pelo melhor disco disparado de samba deste ano, 2010! Aproveitando também a ocasião lanço um formato muito utilizado e interessante, utilizando o recurso divisor de post (o famoso "Leia mais..."). Comentem depois e digam o que acharam - da resenha e deste novo formato.

"Chorar, não faz ninguém mais humano / Rezar, não santifica o profano / Voltar é celebrar um acordo entre a perda e um dano / Oilá, a força do barco é o vento no pano!" ~trecho da penúltima faixa 'Ingrata Surpresa'

Evidenciado, e na hora certa reverenciado, por diversas conexões musicais pelo globo terrestre. Na bagagem carrega as mais preciosas parcerias, de Madlib à Elizeth Cardoso, de Sarah Vaughan à Monarco, de Cartola à Roberto Carlos (veja+). Trata-se de um gênio, que ainda será engrandecido e furiosamente valorizado. Wilson das Neves, é daqueles que qualquer resenha é pouca! Eu, se calculasse aqui todas participações importantes, somando-as ou multiplicando-as a outras adjacentes e paralelas, citaria sim, algumas boas, mas deixaria passar várias ótimas. Imagino que Das Neves seja um dos músicos que deixará a maior herença ao patrimônio da música nacional. Falo desde a década de 60 até os dias de hoje - diria mais, as influências de Wilson das Neves continuarão sendo mencionadas, experimentadas, dissimuladamente ou não, pelas próximas e próximas décadas. Respeite Wilson das Neves, posso afirmar que qualquer um de nós (meros fãs observadores da boa música), seria incapaz de sugerir um ritmo, uma levada, um groove, em que ele não tocaria sorrateiramente, ou, te deixaria arrependido pela subestimada sugestão.

"Pra Gente Fazer Mais Um Samba", lançado agora em 2010, é a última tacada deste que é o ancião mais ativo música brasileira (nem tanto vai). Atacando, sendo artilheiro do campeonato, desta vez assume seu lado cantor. Chama a bola pra si, é o maestro do jogo. Chico Buarque, que hoje não sobe ao palco sem respaldo de Das Neve, resume: "Ele (Wilson das Neves) é sempre o pulso da banda, termômetro, técnico do time, rei da anedota e pajé!". Este disco traz frescor contemporâneo, e sem receio pode camuflar-se como um autêntico "samba-raiz" da década de 70. O instrumentista carioca apresenta composições de César Pinheiro, Aldir Blanc, Moacyr Luz, Arlindo Cruz, entre outros. Passa a tranquilidade e destemor do samba feroz. Fazendo do samba um movimento cariocamente brasileiro. Com seu timbre eloquente e marcante garante um samba envolvente, seguro, de aceitação precisamente universal. Este disco é daqueles que você pode apresentar pra sua mãe que ela vai curtir (eu garanto, fiz o teste!). Ouça logo de cara a primeira música disco, "Pra Gente Fazer Mais Um Samba", também a última "Velha Guarda do Império" e por fim todas as outras entre essas duas! Falando sério, atente-se para "Assédio", "Ingrata Surpresa" e "Quem Espera Nunca Alcança". A dose é diluída mas sua essência é cavalar! Faça, da música, remédio com esta dose vinda do melhor laboratório brazuca. Graaaande Wilson das Neves!


Dê o play, macaco!
"[2010] Pra Gente Fazer Mais Um Samba"
Link Alternativo (.torrent)

1. Wilson Das Neves - Pra Gente Fazer Mais Um Samba (4:46)
2. Wilson Das Neves - Não Dá (3:42)
3. Wilson Das Neves - Outono Chegou (3:33)
4. Wilson Das Neves - Assédio (3:37)
5. Wilson Das Neves - Estava Faltando Você (3:46)
6. Wilson Das Neves - Folha No Ar (4:21)
7. Wilson Das Neves - Coquetel (2:58)
8. Wilson Das Neves - Minha Trajetória (3:45)
9. Wilson Das Neves - Quem Espera Nunca Alcança (3:08)
10. Wilson Das Neves - Passarinho De Gaiola (2:27)
11. Wilson Das Neves - Ingrata Surpresa (4:16)
12. Wilson Das Neves - Nos Braços Do Amanhecer (3:05)
13. Wilson Das Neves - Velha Guarda Do Império (3:48)

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JAH LIVE: NOSSA VIDA


Esta é a face iluminada do "reggae do cerrado". Vindos de Brasília, Jah Live é uma banda diferenciada, de peso, que merece atenta contemplação. Cultora da força na música de Jah, com essência e bases sugestivas. O timbre do vocal, a recurva vibrante do baixo e a equidade experimental mirada com elementos do dub são traços de longe evidentes. Foi formada em 1998, desde então conquistam a cada show, a cada disco, notoriedade poética mensurada a fio de olhares vanguardistas. Fertilizam aos conceitos básicos da musica jamaicana sotaques brazuca real, com autenticidade regional.

A banda é formada pelo vocalista Junior Mendes, o guitarrista Rodney Silqueira, Bruno Xavier no baixão, Herik Marcos na tecladera e Jah-B na bateria. O disco em questão é o mais recente da banda, "Nossa Vida" (2010). Retrata bem a crescente dos integrantes da banda e a sintonia entre os mesmos, ou a evolução do projeto como um todo. Como dito, a sonoridade da banda preenche os pré-requisitos comuns ao bom reggae de raiz. Delays, reverbs, sessão dinâmica de metais, precisas viradas, vãos instrumentais bem-sucedidos e mensagens claras e positivas dão liga à massa exclusiva a essa receita. O disco remete saudosa vibração e musicalidade jamaicana. Jah Live ajuda a erguer alto a bandeira do orgulho pelo reggae brasileiro. Destaque para as faixas: "Justiça", "Somos", "Tempo" e a carro-chefe "Nossa Vida". Estude sempre o que tu ouves. Este, por exemplo, tem muito a te ensinar. Força e respeito ao reggae brazuca e tudo mais que o rodeia. Wake up and live, man!


Dê o play, macaco!
"[2010] Nossa Vida"
senha: oficinademacacos.blogspot.com

1. Jah Live - Somos (4:20)
2. Jah Live - Caminhando (4:23)
3. Jah Live - Nossa Vida (3:20)
4. Jah Live - Justiça (4:23)
5. Jah Live - Sentindo Jah (3:05)
6. Jah Live - Família (3:02)
7. Jah Live - Tempo (4:09)
8. Jah Live - Agradecei a Jah (3:41)
9. Jah Live - Os Anos Passam (3:55)
10. Jah Live - Meu Refúgio (2:48)
11. Jah Live - Iuan (4:37)
12. Jah Live - Nossos Dias (3:41)
13. Jah Live - Divina Força (3:40)
14. Jah Live - Confissão (3:40)
15. Jah Live - Ostróda Riddim (2:53)

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