PROTOJE: ANCIENT FUTURE


Jamaicano. Da nova sofra. Tem o flow. E bebeu da fonte! Agora, o mais relevante, chegou pra cutucar os mais desavisados e pessimistas críticos da musica atualmente produzida na Jamaica. Aqueles muitos que apontam a falência de tais produções. Oje Ken Ollivierre, vulgo Protoje, é hoje um dos mais promissores nomes dessa curiosa e crescente cena do Reggae moderno. Protoje vem chamando atenção dos mais fieis saudosistas aos mais experimentais consumidores da música jamaicana. E não à toa! Protoje deixou de ser promessa e já arrasta multidões.

Para sintetizar, hoje, os mais notáveis lançamentos, os maiores festivais e maior quantidade de apreciadores estão ligados ao revival da incrível cultura dos soundsystens. Diferente dos toasters (mcs ao estilo jamaicano) que são amparados pelos seletores (deejays ao estilo jamaicano), Protoje vem acompanhado de sua banda, chamada Indignattion. É neste ponto que toda a pompa pelo trabalho de Protoje é concebida, esta é sua carta na manga. Em performances memoráveis, o Dancehall, Dub e Roots Reggae é apresentado de forma direta, saindo de cada instrumento "ao vivo e a cores". O que digo é que o talento e o feeling de cada músico envolvido dá o teor especial ao coquetel. Poderia rimar sobre os mais furiosos riddims sem problema algum, mas prefere a soma de referências e experiências individuais, conseguindo, então, obter uma sonoridade robusta, rica e poderosa. Algo inerente, segundo minha tese, exclusivamente a artistas que têm na retaguarda a colaboração de suas bandas ou suas big-bands.

"Ancient Future", lançado agora (março de 2015) é o terceiro álbum de Protoje e sua facção. Depois de terem gravado com Ki-Mani Marley e terem entrado, por exemplo, na trilha de uma das rádios do Grand Theft Auto (GTA), chegam para marcar de vez seu espaço. O disco tem passagens e linhas variadas, usa de receitas da velha escola sem jamais perder a contemporaneidade. Destaque para a faixa "Who Knows" em parceria com Chronixx, outra "promessa jamaicana". Isso é Protoje e esta é minha tese, qual é a sua?


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"[2015] Ancient Future"
link alternativo: Torrent (ThePirateBay)

1. Protoje Feat. Mortimer - Protection - (4:31)
2. Protoje - Criminal - (3:52)
3. Protoje Feat. Chronixx - Who Knows - (3:26)
4. Protoje - All Will Have To Change - (5:19)
5. Protoje - Stylin' - (3:29)
6. Protoje Feat. Sevana - Love Gone Cold - (4:46)
7. Protoje Feat. Jesse Royal And Sevana - Sudden Flight - (3:37)
8. Protoje - Bubblin - (4:12)
9. Protoje - Answer To Your Name - (3:53)
10. Protoje - Who Can You Call - (3:49)
11. Protoje Feat. Kabaka Pyramid - The Flame - (5:02)

Acesse o site oficial! | Compre o álbum pelo iTunes!

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NASCA: ONDE VAI DAR?


Aqui na Oficina de Macacos alguns discos recebem um certo carinho especial, cada um com seu motivo. Dentre eles está o disco de estréia da banda Saravah Soul - aquela meia inglesa, meia brasuca (leia o artigo aqui!). Isto porque, além do fato de representar o início do blog, nos identificamos com a diversidade, originalidade e criatividade embebidas na sonoridade da banda. Onde há espontaneamente este tripé, o solo se faz fértil e a arte faz deste terreno o seu habitat natural. Nós também brincamos com estes adjetivos cotidianamente. No caso da Saravah Soul, um dos responsáveis diretos é o carismático curitibano Otto Nascarella. Fundador e líder da banda, lançou neste ano o seu novo single solo e assumiu o pseudônimo Nasca!

O compacto "Onde Vai Parar" apresenta duas faixas extraordinárias com a cara de Nasca. A levada frenética, o questionamento e as referências afrobrasileiras são suas marcas registradas (assim como no Saravah Soul). Aqui, apesar de compacta apreciação, o resultado é primoroso. A primeira faixa é composição do próprio Nasca. Na sequência, uma releitura impecável de "Dia De Ìndio", do mestre Jorge Ben. Aprecie esta preciosidade e aprofunde-se no mundo de Otto Nascarella. A Oficina de Macacos recomenda imensamente!


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"[2014] Onde Vai Dar"

1. Nasca - Onde Vai Dar? (3:14)
2. Nasca - Dia De Índio (4:32)
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IKEBE SHAKEDOWN: STONE BY STONE


Ikebe Shakedown é o nome da trupe. Vieram do Brooklyn gabando-se por trazer um dos mais fantásticos discos de 2014. A big band, formada em 2008, reuniu "amigos de classe" que tinham o mesmo apetite e admiração pela música africana. Cozinharam a ideia e serviram uma obra-prima da mais alta gastronomia sonora. O disco "Stone By Stone", lançado pela Ubiquity Records, apresenta a suculência rítmica, harmônica e de conceito trazida na bagagem dos sete integrantes. Dentre as figuras envolvidas está Thomas Brenneck (dos Dap-Kings e lider do Menahan Street Band). Buscaram referências fabulosas e cabulosas. O groove parece ter sido extraditado cirurgicamente dos anos 70. Carrega, sem esforço, elaborados diálogos entre o naipe de metais, refinadas e precisas casqueiradas na guitarra, baixo com groove pesado e macio. Uma viajem a se fazer sem piscar, abismado. A combinação final ventila bons ares na "fábrica global de música africana", aquela que traz referências da música de origem africana mas que são produzidas e estilingadas nos infinitos cantos do mundo. Agradecemos por ter a Oficina de Macacos como um desses cantos... E não se preocupe, desta pedrada você não vai querer desviar!


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"[2014] Stone By Stone"

1. Ikebe Shakedown - The Offering (3:46)
2. Ikebe Shakedown - Stone By Stone (3:28)
3. Ikebe Shakedown - The Beast (3:45)
4. Ikebe Shakedown - By Hook Or By Crook (4:07)
5. Ikebe Shakedown - Rio Grande (3:51)
6. Ikebe Shakedown - Last Stand (4:03)
7. Ikebe Shakedown - Cover Your Tracks (3:43)
8. Ikebe Shakedown - Chosen Path (3:23)
9. Ikebe Shakedown - The Illusion (3:33)
10. Ikebe Shakedown - Dram (4:03)

~mais info:
Matéria na WaxPoetics.com

~integrantes:
Barnaby Alter - Drums
Dave Bourla - Percussion
Mike Buckley - Tenor/Baritone Sax
Vince Chiarito - Bass
Jason Colby - Trumpet
Nadav Nirenberg - Trombone
Robin Schmidt - Guitar
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JOHNNY WAZAGOO: MANDINGA BRAVA


Hoje é dia de bom som. Para comemorar o início da primavera e também a singela marca do décimo podcast/mixtape da Oficina de Macacos, separamos grandes faixas com alguns gêneros até então pouco explorados nos volumes anteriores. Cumbia, Ragga e Carimbó aparecem com versões modernas e sacolejantes. Claro, ainda salpicamos um pouco de Dancehall e Dub porque pra gente esses são como arroz e feijão. Destaque para a Nu-Cumbia maluca e pesada do Freak Castro, num megamix exclusivo oferecido por Johnny Wazagoo. Outras boas pepitas são de Mr Benn, Bemba Trio, Mangaio, Dj Vadim e os sempre presentes Dj Maars e Blend Mishkin. Dê o play e sinta o poder da música tropical de caráter inevitavelmente dançante! Play!


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JOHNNY WAZAGOO: MIX FUCKING TAPE


Mais uma mixtape gordurosa para nossa dieta! Johnny Wazagoo' mais uma vez grampeou algumas boas receitas dos novos chefes da cena Dub. Produtores (entenda camundongos alquimistas de estúdio) de respeito foram elencados à dedo. Dentre os nomes, destaque para Dreadsquad, Dub Terminator, Blend Mishkin, Lotek e Dubmatix. A mixtape foi lançada hoje entrando na programação da Rádio Gralha, de Curitiba, no programa do broda seletor Caê Traven. Pra todos que ouviram o programa e querem degustar a mixtape por completo segue o link para download e streaming! Para aqueles que chegaram agora: apertem o cinto e não ouçam sem capacetes! Big up, fellas!


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1. Dub Boy - Jump Up Around (Jinx In Dub Vs Shaggy Mashup) (4:06)
2. Sani Showbizz - My Sound (2:54)
3. Tour De Force - Tiger Style (3:01)
4. Riddim Tuffa Ft. King General - Digikal (3:41)
5. Dub Terminator & Israel Starr - Large Up Like Sumo (4:31)
6. Dreadsquad & Kojo Neatness - Boom Sound (4:04)
7. Daman & Naff Natty - Money Dub (Zion Train Remix) (3:59)
8. Tour De Force - Pool Party (Feat Jahdan Blakkamoore) (2:55)
9. Lotek - International Rudeboy (4:10)
10. Biga Ranx - Dub Attack (feat. Kanka) (3:33)
11. Blend Mishkin feat Brother Culture - Lyrical Jam (2:45)
12. Eek A Mouse & Green Lion - Long Time A Dub (3:36)
13. Panda Dub feat Kali Green - Hard Working (3:44)
14. Mungo's HiFi feat. Mikey Murka - Old Time Dance (Riddim Tuffa Remix) (4:11)
15. Dubmatix - Pull Up Selector (Feat Eek-A-Mouse & Leroy Horsemouth Wallace) (3:36)
16. Dirty Dubsters ft Dark Angel - Ol Bongo Cart (Dan Taliras Remix) (3:45)
17. Laroz feat Ranking Levy - Roots Man party (5:20)
18. Step Art and Pupajim - Dubstep Save My life (4:48)
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MALEEM MAHMOUD GHANIA: TRANCE OF SEVEN COLOR


Que afinidade teria o jazz com a música árabe? Existem respostas para perguntas como estas, que revelam não apenas uma ou outra obra preciosa, mas uma completa mina de ouro, resultante de um movimento musical radical em suas concepções e que até hoje influencia o modo de fazer e pensar a música. Uma destas obras, que disponibilizamos hoje, é o album "Trance of Seven Colors". Gravado pelo saxofonista tenor Pharoah Sanders em 1994. O experimento é o resultado de uma viagem feita por ele ao Marrocos. Sanders estava decidido a encontrar Maleem Mahmoud Ghania e com este, explorar de cabo a rabo as similaridades do jazz com a música Ghania do Marrocos.

NÃO SOMOS MÚSICOS DE JAZZ

Pharoah é um saxofonista de significativa importância na história do Jazz. Não apenas por ter participado de grupos históricos como o de Sun Ra e de John Coltrane, mas também por ser um dos principais personagens envolvidos na elaboração do Free Jazz, um gênero de renovação do jazz surgido nos fins da década de 50. Para compreender o espírito vanguardista dos músicos do "Free Jazz" ou "New Thing", os historiadores de jazz frequentemente relacionam a origem deste gênero com o espírito libertário que permeava os movimentos sociais que lutavam frente à instabilidade instaurada no contexto político e social dos Estados Unidos da América, tempos em que "libertar-se", parecia ser a palavra de ordem. Neste sentido o free jazz seria não apenas a rejeição de certas crenças musicais, mas esta escolha por um estilo mais livre de tocar, seria antes de tudo uma reação dos negros americanos frente à sua condição política e social. A recusa aos moldes do passado é tamanha que os próprios músicos, insatisfeitos com a linguagem e seus significados, preferem outra denominação, como Sanders que opta pelo termo "Spiritual". Sobre isto, Phil Cohran, que também fora músico da Arkestra de Sun Ra, disparou certa vez em uma entrevista:

"Em primeiro lugar, eles precisam mudar o nome, porque foi inspirado pelo bairro de prostituição de Nova Orleans. E os escritores e jornalistas que passavam por lá em busca de prostituição, notaram a música e, é claro, a forma peculiar de tocar piano. Voltavam para suas casas e escreviam sobre esta música, identificando-a como a música das “casas de jazz”. Era assim que eles chamavam as casas de prostituição. Então, o nome tem uma conotação negativa que o acompanha até os dias de hoje. Não somos “músicos de jazz”. Sou um músico sério, não toco para ganhar dinheiro ou algo que o valha. Eu toco porque minha música é a expressão da vontade de meus ancestrais.

A BUSCA POR SENTIDO

O "New Thing", "Free Jazz" ou "Spiritual" torna-se então uma busca dos músicos por novos sentidos através da música, como a busca pela ancestralidade do negro americano e também por um idioma universal, congregador, capaz de estabelecer um diálogo livre de amarras, linguagens e estruturas rigorosas. Para tanto eles rejeitam a estética do bebop e do jazz modal e entusiasmam-se cada vez mais com o retorno à formas que dão origens ao jazz como o Dixieland, e também com a música Africana. Este interesse resulta na incoroporação de uma variedade de instrumentos e na busca por manifestações culturais de variadas etnias. Mesmo tendo sido elaborado em 1994, The Trance of Seven Colors está enraizado nesta cosmovisão surgida nos anos sessenta.

THE TRANCE OF SEVEN COLORS

The Trance of Seven Colors é um disco que requer de seu ouvinte uma percepção plena, caso contrário é muito fácil acha-lo um album de difícil audição e então desiste-se de explorá-lo. Consequentemente, perde-se a oportunidade de apreciar a experiência de um diálogo universal vigoroso. Neste sentido é importante destacar que o que se ouve aqui vai além de uma simples reunião de músicos em um estúdio com a intenção de fazer música para o entretenimento. A atividade musical empreendida no album deve ser compreendida principalmente em seu aspecto ritualístico.

O ritual faz parte da tradição do povo Gnawa , um dos grupos étnicos que habita o Marrocos e, contém elementos ancentrais do oeste da África e do Sufismo. Quem conduz o ritual musical de transe com o propósito de cura e purificação espiritual é um Maleem, que significa mestre. Pharoah é quem ouvimos primeiro no disco, através de alguns rápidos fraseados. Ele logo cede espaço para o mestre, que empunhado de um guimbri (um tipo rústico de baixo cujo corpo é uma cabaça revestida de couro de camelo e as cordas são de tripa de bode) dá início à cerimônia. O disco prossegue com uma enérgica sequência de músicas em que o mestre conduz toda a cerimônia com seu guimbri, os homens tocam os instrumentos de percussão como o krkabak (algo próximo a uma castanhola metálica), intercalados por palmas, e as mulheres participam do coro. Há ainda alguns aconchegos de paz, como a música "Peace in Essaouira" em que tanto Pharoah quanto Maleem com notas sutis, criam um clima propício para a imersão na imensidão de uma noite estrelada à beira do oceano de nosso espírito. É possível que o radicalismo vanguardista do "New Thing" esteja hoje abrandado mas não esquecido. The trance of seven colors é uma das provas notáveis, que inevitavelmente nos dá ímpeto para olhar com mais cuidado para o berço do mundo, a mãe África, e sua vasta diversidade cultural, que deve mesmo ser louvada, respeitada e preservada.

"Cada música ou peça é chamada pelos Gnawas de mluk, termo que carrega o significado do espírito (masculino ou feminino) e seus correspondentes comportamento (ou temperamento), ritmo, melodia, cor e incenso. O Maleem circula pelas sete cores do transe, tocando as mluks em uma só cor até passar para a próxima. Ele só pode prosseguir à próxima quando encontra a mluk dentro daquela cor que induz o transe do adepto* principal. Esse processo, passando pelas sete cores, dura aproximadamente oito horas, com a Lilla começando por volta das onze da noite às oito da manhã seguinte."~Texto informativo do encarte



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"[1994] The Trance of Seven Colors"

1. Maleem Mahmoud Ghania w/ Pharaoh Sanders - La Allah Dayim Moulenah
2. Maleem Mahmoud Ghania w/ Pharaoh Sanders - Bala Moussaka
3. Maleem Mahmoud Ghania w/ Pharaoh Sanders - Hamdouchi
4. Maleem Mahmoud Ghania w/ Pharaoh Sanders - Peace in Essaouira
5. Maleem Mahmoud Ghania w/ Pharaoh Sanders - Boulandi Samawi
6. Maleem Mahmoud Ghania w/ Pharaoh Sanders - Moussa Berkiyo / Koubaliy Beriah La'Foh
7. Maleem Mahmoud Ghania w/ Pharaoh Sanders - Salat Anbi
8. Maleem Mahmoud Ghania w/ Pharaoh Sanders - Casa Casa Atougra
9. Maleem Mahmoud Ghania w/ Pharaoh Sanders - Mahraba

referências Jazz Times e BURÍ
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DON PABLO DE HAVANA


Um envolvente disco de música afro-cubana datado dos anos 1960, poderia, e deve passar despercebido por vezes pelos sebos e pela internet - duas das maiores fontes de quem garimpa música na atualidade. Identificado apenas com o substantivo próprio "Don Pablo de Havana", o disco não revela o seu artífice no primeiro olhar, já que não se sabe se tal substantivo refere-se ao título. Uma investigação mais apurada revela a origem brasileiríssima do disco. "Don Pablo de Havana" é uma bem-sucedida rota traçada por músicos brasileiros de ponta, em direção a ensolarada animosidade dos rítmos cubanos. O capitão da empreitada era Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia - o organista, Ed Lincoln.

Considerado por unanimidade como o rei dos bailes e o fundador do Sambalanço e do Samba-Rock, Ed Lincoln, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da música popular brasileira na década de 60, especificamente da Bossa-Nova. Nascido em uma família musical, aos 16 anos já tocava com um trio na Rádio Iracema em Fortaleza e aos 18, no Rio de Janeiro, começa a tocar na Rádio Roquete Pinto. Estudando arquitetura e participando da noite carioca, não tardou muito para que Lincoln se aproximasse da música e fosse cercado pelos pesos pesados do momento: Luiz Eça, Dick Farney, Johnny Alf, Milton Banana e companhia. Em 1955, na Boate Plaza, Copacabana, inicia sua carreira musical, ao contra-baixo, tocando em um trio chamado "Trio Plaza" que tinha em sua formação Luiz Eça no piano e Paulo Ney na guitarra. O registro desse momento histórico pode ser conferido no LP "Uma Noite No Plaza". A partir destas circunstâncias se dá o começo da carreira de um músico completo: Ed Lincoln ainda seria pianista, organista, arranjador e compositor.

"Conheci o Ed Lincoln quando ele tocava lá no Bar do Plaza. Começou como baixista do Johnny Alf. Eram ele, Alf e Paulinho Ney, na guitarra. Um trio incrível. Depois tinha também o Luizinho Eça. Ali era o verdadeiro berço da bossa nova. O Ed Lincoln é um dos precursores. Era ali que a gente ia aprender com aqueles craques todos. Foi um grande aprendizado para mim, Tom, João Gilberto, João Donato e tantos outros. Depois, o Lincoln virou "baileiro", rodando o Brasil todo com seu conjunto." ~Carlos Lyra, compositor, violonista e cantor

Porém, foi à bordo de seu orgão Hammond, que Ed Lincoln, entraria para a história da bossa e do sambalanço, explorando novas possibilidades do instrumento ao entrelaçar na dose certa, e de maneira única, o suíngue do instrumento com o suíngue de sua voz. Com essa combinação devia ser mesmo impossível ficar inerte nos históricos bailes do Rio de Janeiro da década de sessenta. Conta-se que até mesmo os apartamentos cariocas se transformavam em espaços propícios para o ritual do balanço, quando alguns menos sortudos não conseguiam garantir sua entrada nos bailes.

"Don Pablo de Havana" veio ao mundo num momento em que Ed Lincoln excursionava por territórios musicais mais propícios ao exercício da dança e não mais apenas aqueles propiciados pela brisa da bossa. Torna-se compreensível o embalo na onda do cha-cha-cha, fonte de inspiração para a combinação entre música e dança. Segundo o depoimento de José Ignacio Neto no website de música brasileira Orfãos do Loronix (uma das poucas fontes detentoras de informação sobre o disco), Ed Lincoln adorava gravar sob uma variedade de pseudônimos, cada um para um estilo ou disco diferente. Neto, também pontua que diante do lapso de informações torna-se possível apenas adivinhar o provável casting de músicos: Ed no piano e talvez no baixo, Rubens Bassini poderia ser o responsável pelos bongos e, possivelmente, comandando o sax e as flautas, Juarez. "Don Pablo de Havana" é impecável em suas composições e arranjos e com maestria devia deslocar os ouvintes brasileiros momentaneamente para os grandes salões cubanos onde se tocava e dançava com entusiasmo o mambo, a salsa, e o cha-cha-cha. O disco, ainda conta com grandes versões de "Na Baixa do Sapateiro" e "Aquarela do Brasil" de Ary Barroso em roupagem afro-cubana. Toda a obra de Ed Lincoln permanece sendo imprescindível, tanto para aqueles que querem compreender a MPB dos anos 50 e 60 quanto para aqueles que querem apenas balançar. Afinal, alguns estados de espírito são mesmo atemporais.

"Ele foi um baluarte no que diz respeito a tocar música para o outro. O baile dele era baile mesmo. Eu trabalhei dois anos com o maestro Severino Araújo, que dizia que o arranjo de gafieira devia ser escrito para o pé do bailarino. O Ed Lincoln sacava muito bem dessas coisas. Não só nos bailes ao vivo, mas nas gravações. Muita gente se reunia para fazer bailinhos, escutando vinil. O repertório sempre tinha Ed Lincoln, não podia faltar." ~Laércio de Freitas, pianista e compositor



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"[1960] Don Pablo de Havana"

1. Don Pablo de Havana - Alguém Me Disse (Jair Amorim / Evaldo Gouveia)
2. Don Pablo de Havana - El Choclo (A. Villoldo / M. Catan)
3. Don Pablo de Havana - Andalucia (The Breeze And I) (Ernesto Lecuona)
4. Don Pablo de Havana - Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso)
5. Don Pablo de Havana - Together Wherever We Go (J. Styne / S. Sondheim)
6. Don Pablo de Havana - Adios (Enric Madriguera)
7. Don Pablo de Havana - Mustapha (B. Azzam / Barclay)
8. Don Pablo de Havana - Aquarela do Brasil (Ary Barroso)
9. Don Pablo de Havana - La Cumparsita (M. Rodriguez / P. Contursi / E. Maroni)
10. Don Pablo de Havana - Climb Ev’ry Mountin (R. Rodgers / O. Hammerstein II)
11. Don Pablo de Havana - Quero Beijar-te as Mãos (Arcênio de Carvalho / Lourival Faissal)
12. Don Pablo de Havana - Delicado (Waldir Azevedo)

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MICHAEL KIWANUKA: HOME AGAIN


Há uma geração de cantores ingleses que têm conseguido construir rupturas para lá de interessantes dentro da produção apática da indústria cultural contemporânea. São eles alguns frutos raros da indústria, daqueles que quando usufruímos, saboreamos, dançamos, cantamos, mas ainda lamentamos, seja pela sua passageira doçura, quanto pela rareza em desfrutar música fresca, viva e pulsante, em oceanos de enlatados culturais. Quando penso nestas espécies raras penso obviamente em Corinne Bailey Rae, e Amy Winehouse, que fez muito, em uma carreira meteórica. Lembro-me até hoje do quão dissonante era vê-la nas telas da MTV, e não menos espetacular. Cada segundo, saboroso. E já que falamos em surpresas, aproveitemos o dia de hoje para ouvir mais uma voz dissonante dessa geração, o cantor Michael Kiwanuka.

Algo parecido com a sensação de ser transportado para outra era - que também se sente quando se dá o play em um album como Back to Black de Winehouse - vem à tona ao dar o play em Home Again. Tudo no disco indica ao ouvinte que o que começa a vibrar em nossos ouvidos, tem uma origem que remonta aos tempos gloriosos da soul music. E realmente, seguindo os pilares que dão sustentação ao album, percebe-se que as peças são alinhadas para soar retrô, desde os timbres das guitarras, até a capa do album que conta com um filtro em tom de sépia. Além disso, Kiwanuka tem sido apontado pela crítica como um cantor que lembra Bill Withers, Ottis Redding ou Terry Callier, sinal de que a produção do album também acertou a mão nesta afinação.

Ao mesmo tempo, ao meu ver é importante destacar que essa estética age ao mesmo tempo como um guia para o garoto Kiwanuka na edificação de sua obra. Ou seja, suas referências não causam engessamento, pelo contrário, agem como um esboço inspirador, em que ele vai colorindo com belas camadas de experiência pessoal. Com uma carreira curta - de apenas um EP e um disco - o cantor não teme em estender seus passos para outros gêneros musicais, o que resulta em uma mistura de paletas sonoras. Com estas explorações, Home Again alça vôo em direções nem tão óbvias: vai em direção ao country e o folk em músicas como "Always Waiting", e também atinge um pop minimalista que lembra Jack Johnson como na canção "Home Again", que dá nome ao album. Com tanto potencial e muits elogios rasgados, resta saber se a timidez fará o jovem cantor morrer na praia, ou se ele continuará trilhando caminhos interessantes. Para confirmar teorias e comparações, resta aguardar a ação do tempo. Por ora nos contentemos com o play de Home Again!



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"[2012] Home Again"
links alternativos: FLAC

1. Michael Kiwanuka - Tell Me a Tale
2. Michael Kiwanuka - I'm getting ready
3. Michael Kiwanuka - I'll Get Along
4. Michael Kiwanuka - Rest
5. Michael Kiwanuka - Home Again
6. Michael Kiwanuka - Bones
7. Michael Kiwanuka - Always Waiting
8. Michael Kiwanuka - I Won't Lie
9. Michael Kiwanuka - Any Day Will Do Fine
10. Michael Kiwanuka - Worry Walks Beside Me
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SPANKY WILSON & THE QUANTIC SOUL ORCHESTRA: I'M THANKFUL


Não há melhor espanador que um bom Soul/Funk - e se tiver um potente vocal envolvido a faxina fica ainda mais divertida! Para tirar a poeira aqui da Oficina de Macacos, convocamos a faxineira de luxo Spanky Wilson. E, como o trabalho é pesado, Spanky traz na maleta a melhor ferramenta do mercado: a consagrada Quantic Soul Orchestra. Pra quem não conhece tal produto, trata-se de um dos vários projetos do intocável produtor Will Holland - uma das mentes mais brilhantes e criativas da música moderna. Rapidamente, o trabalho prestado por Will Holland pode ser elencado como um dos mais representativos da cena do Soul/Funk atual devido sua versatilidade e alcance técnico. Além do Soul/Funk, Will tem reverenciadas obras na linha de Hip-Hop, Cumbia, Afrobeat, Reggae e Jazz, através de projetos como The Limp Twins, Ondatrópica, Quantic & His Combo Bárbaro, The Quantic Soul Orchestra, Quantic Y Su Conjunto Los Míticos Del Ritmo e Flowering Inferno. Com Spanky Wilson à sua frente, Will Holland com sua trupe faz a farra tangenciar a perfeição!

Spanky Wilson está na lida desde os fervorosos anos 60. Trabalhou com grandes nomes como Marvin Gaye, Nat Adderley, Jimmy Smith e Lalo Schinfrin. Lapidou seu talento através das décadas. Sua voz, seu canto carrega aquele calor "que só o Funk tem" - faz perna tremer, cabeleira levitar e coração balburdiar. Outro investidor neste caso é Todd Simon, que, ao lado de Will Holland, escreveu e produziu o álbum. Além destes, claro, a Quantic Soul Orchestra tem ações valiosas nessa bolsa. A linha de metal ou o intimo groove entre bateria e baixo, valorizam o argumento. De fato um disco preciso, compenetrado e enérgico. Comece dando o play, logo estaermos compartilhando as mesmas sensações!



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"[2006] I'm Thankful"

1. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - I'm Thankful (Part 1) (4:03)
2. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - A Woman Like Me (3:37)
3. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Blood From A Stone (3:16)
4. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Don't Joke With A Hungry Man (Part 2) (3:28)
5. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Don't Joke With A Hungry Man (Part 3) (3:26)
6. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - That's How It Was (4:14)
7. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Message To Tomorrow (3:03)
8. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Waiting For Your Touch (3:45)
9. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - You Can't Judge A Book By It's Cover (2:59)
10. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - I'm Thankful (Part 2) (4:01)
11. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Introducing (Bt.) (2:35)

Quantic.com e Discogs.com

Preview:
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JOHNNY WAZAGOO: DEEPEST DROP


Pois é, Josés! Em meio à uma estranha temporada de maré baixa aqui no blog, lançamos a nossa mais nova mixtape! Pra compensar, de longe, o hiato de postagens e afins, Johnny Wazagoo' mixou 80min com altos petardos da música que mais nos agrada. Isto é, linhagem rara de DigiDub, Dubstep, Breaks, Hip-Hop e Dancehall - pra malaco nenhum botar defeito. Nomes como Racionais MCs, Matéria Prima, Cabes e MC Ralph ostentam a bandeira brazuca. Já em termos extra-continentais temos, dentre outros, Alborosie, Blend Mishkin, Gramatik, Jk Soul, Dirty Dubsters, Dj Cut La Vis, Mungo's Hi-Fi, Solo Moderna e Fort Five Knox. Aumente o som no radinho, tire a mãe da casa, chamem os bons e o resto é festa! Gracias, primatas!


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BOLA SETE: SHEBABA


As raridades musicais sempre foram nosso alvo. Para relembrar em alto estilo nosso ideal, vamos resgatar em sequência alguns dos principais discos da raíz da música brasileira. Aqueles misteriosos discos chamados pelos gringos especializados de "Brazilian Rare Grooves" - alvos corriqueiros de pesquisadores e colecionadores de plantão. Relíquias, quase sempre, da década de 60, 70 e adjacências. Pra iniciar nossa trabalhosa saga, trazemos o som de Bola Sete (e seus "sete dedos em cada mão")!

Vamos então, resumir (mas nem tanto) sua historia. O carioca Bolsa Sete, Djalma de Andrade de batismo, nasceu no Rio de Janeiro em 16 de Julho de 1923. Já aos três anos de idade identificou-se com o violão de um tio e arriscou as primeiras notas. Cresceu próximo à música e aos 10 anos já mostrava diferenciado talento. Djalma frequentou a Escola Nacional de Música no Rio de Janeiro, onde estudou violão clássico, e formou seu primeiro grupo. Nessa época ganhou o apelido Bola Sete. "Como único músico afro-brasileiro do grupo, a ele foi dado o apelido de Bola Sete. A bola sete no bilhar brasileiro é a bola preta. Ele manteve Bola Sete como seu nome profissional(...) Essa é a história de seu apelido, como foi contada para mim.", conta Anne Sete, ex-mulher de Djalma. Logo aprofundou seus estudos com o mestre Dilermano Reis e partir daí a conversa ficou séria. Assíduo apreciador da música de Django Reinhardt, Barney Kessel, Charlie Christian e Oscar Moore, do trio de Nat King Cole, assimilou bem o que a "Escola do Jazz" tinha pra passar. No final dos anos 50, Djalma resolveu, após varias apresentações na América do Sul, uma experiência pouco notável na Europa e alguns grandes shows nos E.U.A., decidiu mudar-se para a terra do Tio Sam. Onde viveu com uma carreira prestígio e sucesso até 1987!

Agora o que mais nos interessa nessa momento: sua música. Em 1971, lançou um disco que marca seu trabalho e se transforma em objeto-desejo de muitos garimpadores de sebos ao redor do globo. Gravou o estupendo álbum chamado "Shebaba", lançado nos E.U.A. pelo selo Fantasy Records. O disco ganhou importância que alcançava além dos quesitos técnicos. Foi a inédita releitura de Bola Sete sobre a música brasileira de raíz. "Eu gravei 'Shebaba' em 1971 com um quinteto. 'Shebaba' foi o primeiro álbum que eu gravei baseado na música folclórica do Brasil. Toquei os tipos de canções que eu ouvia sendo executadas nas feiras das ruas no Brasil", ressaltou Bola Sete à revista Guitar Player. Além disso, confeccionou especialmente para a gravação deste disco um instrumento chamado Lutar, baseando-se no Alaúde. O Lutar tinha treze cordas, seis duplas e uma simples. Como toda essa bagagem e aparato, o quinteto concebeu um disco fenomenal e irreparável!

Com cinco faixas inéditas de autoria própria, trouxe também o requinte da música popular brasileira com roupagens modernas e inovadoras. Veja o samba-rock entoado em "Baccara", o baião de "Bola Beat" e o groove pesado de "Roda" do Gilberto Gil. A faixa-chefe do disco "Shebaba", traz o peso do swing latino à lá Osibisa. Sem contar a versão virtuosa de "Polythene Pam + She Came In Through The Bathroom Window" e de "My Sweet Lord", respectivamente de John Lenon com McCartney e de G. Harrison. Grooves malemolentes, calorosos e admiráveis. Um disco que apresenta o autêntico sangue musical brasileiro que faz pulsar o coração, balançar o esqueleto e alimentar alma!


Dê o play, macaco!
"[1971] Shebaba"

1. Bola Sete - Shebaba (3:35)
2. Bola Sete - Complicado (3:42)
3. Bola Sete - Bola Beat (3:44)
4. Bola Sete - Polythene Pam + She Came In Through The Bathroom Window (5:58)
5. Bola Sete - Roda (3:47)
6. Bola Sete - It's Gonna Change (3:25)
7. Bola Sete - Melossa (3:09)
8. Bola Sete - Baccara (2:29)
9. Bola Sete - My Sweet Lord (5:11)
10. Bola Sete - Street Market (4:12)
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JUNIOR BYLES: BEAT DOWN BABYLON


Quem foi que disse que o ano de 1972 foi mágico apenas na "Terra Brasilis"? Grandes discos surgiram nesse ano, todos pegando carona na década inspiradora de 1970. A joia rara que desenterramos hoje foi concebida em solos jamaicanos, lapidada com talento e ousadia de Junior Byles. Com uma voz poderosíssima, boas referências e originalidade, Byles gravou seu primeiro disco. Ligeiro, cheio de estilo e de qualidades irretocáveis, este é o resultado da obra. Atingiu nas dez faixas que compõem o disco a unanimidade técnica, é improvável citar sequer uma faixa medíocre. O que poderíamos, deleitosos, reclamar é o pouco tempo de duração da experiência - apenas 27 minutos do mais magnifico groove. (Será que termino de escrever tudo antes do disco parar de tocar aqui?)

Ainda na onda do rocksteady, com lindas melodias e aquela carga trazida do soul americano, é um disco que nos remete àqueles tempos. Tempos cheios de dificuldades, belezas e aspirações. Com Byles não foi diferente, como muitos buscou na música uma saída! E saiu pela crista da onda, com seu talento reconhecido rapidamente e logo disseminado aos montes mundo à fora. Tanto que algumas tracks deste disco foram recompiladas e até receberam novos nomes em outros lançamentos. Também tornou-se o queridinho de Lee Perry (que foi quem produziu o disco em questão) e era sempre convocado para sessões em seus estúdios na Trojan Records. Aproveite sem pressa todo o requinte do sabor da música jamaicana em sua melhor safra: a de 1972!


Dê o play, macaco!
"[1972] Beat Down Babylon"

1. Junior Byles - Da Da (3:32)
2. Junior Byles - I've Got A Feeling (2:27)
3. Junior Byles - Don't Know Why (2:45)
4. Junior Byles - Demonstration (2:34)
5. Junior Byles - Coming Again (2:32)
6. Junior Byles - Beat Down Babylon (2:36)
7. Junior Byles - A Place Called Africa (2:56)
8. Junior Byles - Joshua's Desire (1:59)
9. Junior Byles - A Matter Of Time (3:14)
10. Junior Byles - Poor Chubby (2:35)

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FRENTE CUMBIERO & MAD PROFESSOR


Depois de um breve hiato, seguido de respectivos questionamentos dos macacos mais sedentos por email, voltamos com uma tacada de cunho excelente e quase totalmente inédito! Com as tecnologias vigentes, o poder das mídias sociais, a liberdade de informação, a proximidade de conteúdo concebido principalmente pela internet, o novo nunca foi tão experimentado ou perseguido. Vemos artistas em todo globo misturando sem dó os mais variados gêneros e ritmos musicais. O que de mais inusitado podemos listar? Diversas influências, de todos os ramos, marcam presença nas melhores obras artísticas atualmente. Embora muitos gêneros, em algum momento, de alguma forma, incorporaram o dub em suas produções, faltava algo de "puro sangue latino" entrar na onda. Preenchendo impecavelmente este vão surge o mais novo trabalho do banda Frente Cumbiero.

Foi nesta praia que um pessoal, muito sabido, de Bogotá resolveu investir suas fichas. Frente Cumbiero, com o intuíto de mesclar o dub à musica colombiana, convocou um dos mais experientes marinheiros para a guiar o barco. Mad Professor com toda sua bagagem, então, desembarca na terra da cumbia. Um encontro que, em 2010, cominou no lançamento do disco chamado "Frente Cumbiero Meets Mad Professor". Foram três dias submersos em um estúdio gravando e recebendo orientações de Mad Professor e seu filho Joe Ariwa. Com toda sua maestria no estúdio, Mad Professor seguiu adicionando efeitos espaciais, recortando e colando psicodelia entre as sessões da Frente Cumbiero. Para deixar a brincadeira mais séria convidaram artistas locais para rimar e improvisar nas bases recém providas da "Cumbia Dub". O que foi sintetizado disso tudo é um disco maravilhoso com sete faixas em suas ver~soes originais seguidas de seis releituras adubadas que o professor poderia fazer. Dance firme, vibre forte com essa buena onda colombiana com adornos honestos de um dos ultimos gurus do dub desta era!


Dê o play, macaco!
"[2010] Frente Cumbiero Meets Mad Professor"

1. Frente Cumbiero & Mad Professor - Chucusteady (4:24)
2. Frente Cumbiero & Mad Professor - Bestiales 77 (5:12)
3. Frente Cumbiero & Mad Professor - Ariwacumbé (5:32)
4. Frente Cumbiero & Mad Professor - La Bocachico (3:41)
5. Frente Cumbiero & Mad Professor - Gaita Del Profesor Loco (3:00)
6. Frente Cumbiero & Mad Professor - Cumbietiope (4:04)
7. Frente Cumbiero & Mad Professor - Analógica (8:09)
8. Frente Cumbiero & Mad Professor - Chucusteady Dub (4:26)
9. Frente Cumbiero & Mad Professor - Bestiales 77 Dub (5:18)
10. Frente Cumbiero & Mad Professor - La Bocachico Dub (3:42)
11. Frente Cumbiero & Mad Professor - Cumbietiope Dub (4:07)
12. Frente Cumbiero & Mad Professor - Analógica Dub (5:34)
13. Frente Cumbiero & Mad Professor - Ariwacumbé Shaunvox Dub (Bonus Track) (5:34)



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JOHNNY WAZAGOO: INNA BASS BOUTIQUE


...E então mais um ano começando! Nada melhor pra embalar essa temporada de verão que algo animado e instigante! Pra isso, apresentamos nosso mais novo podcast, mixado por Johnny Wazagoo', como presente de boas vindas ao novo ano! Aproveite cada instante do podcast e desses próximos 365 lindos dias! Desta vez, buscamos referencias em novas linhas e gêneros musicas. Encontrarão aqui o mais fino creme do Funky Breaks, Glitch Hop, Eletro Swing e Dubstep. Brisas de produções altamente modernas, trazendo as novas ondas sonoras que embalam as melhores pistas mundo à fora! Remixes bem referenciados, samplers inesperados e grooves pesadíssimos é o que temos nessa selecta! Dentre as mais picantes temos Cypress Hill, Stevie Wonder, The Specials e Gorillaz. Todos em versão retemperadas pelos principais nomes da cena, como Stickybuds, Jpod, Dreadsquad, Funkanomics e Dutty Moonshine - apenas pra citar alguns. Por ora é isso, mas fique atento que novidades estão sendo boladas no backstage. Logo apresentaremos aos macacos de plantão o que está por vir (tanto no blog como em seus demais braços). Dê o play e mantenha a orelha em pé!


Para fazer o download do podcast na íntegra, clique aqui!


1. Ramiro Musotto - Nordeste Beradêro (Intro)
2. Bobby C Sound Tv - Ready Steady
3. Frohlocker - Hipbrass (Dutty Moonshine Remix)
4. All Good Funk Alliance - In The Rain (Jpod The Beat Chef Remix)
5. JPOD - We Gonna Party (Regular Show remix)
6. Stevie Wonder - Superstition (Funkanomics Remix)
7. It Ain't Right (Leo Remix)
8. Gorillaz - Dirty Harry (WBBL Remix)
9. Stickybuds & Mista Savona ft. Burro Banton - Clean Air (Dub Mix)
10. Grizmatik - My People (Sausage Edit)
11. Warp9 & Cypress Hill - The Good Time Low Rider (Kenny Beeper Booty)
12. Turntables Dubbers & Campina Reggae ft. Brother Culture - Get Lively Now (Dreadsquad Remix)
13. Fort Knox Five - Another Message To Rudy
14. Kill Emil - Mandinga (Dedy Dread Remix)
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JOHNNY WAZAGOO: DUBSTEPPA

"DUB STEPPAS"


Mês passado, como perceberam alguns, ficamos sem a edição do nosso Podcast! Falta de tempo ou escassez de empenho, tanto faz! Desculpas à parte, o que de fato não poderia acontecer era ficar sem receber os pesados pitacos mais uma vez! Então, vamos ao que interessa! No podcast de hoje temos uma selecta assombrosa, marcada em 73 BPM, para embalar sem pressa nosso final de semana - o último do penúltimo mês do ano! Meteoritos lapidados por grandes nomes da cena Dubstep (ou simplesmente Dub) estão presentes, como os gringos Radikal Guru, Mungo's Hi-Fi, Alborosie e Pupajim, além dos brazucas, Ba Kimbuta e Alienação Afrofurista. Um catado dos mais pesados, intensos e nebulosos petardos do acervo. Para os amantes da cultura jamaicana (e sua evolução) ou fervorosos adeptos praticantes da bass culture!!! Tire sua mãe da casa, as crianças da sala e dê o play sem receio!!!


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KIDKANEVIL & DAISUKE TANABE: KIDSUKE


Se tem uma coisa nessa vida que merece ser louvada, esta é a arte do encontro. Inevitável lembrar daquela sentença magistral de Vinícius de Moraes: "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida". O que nos traz mais felicidade que aqueles simples e raros acontecimentos frutíferos, acompanhados frequentemente por sorrisos, reflexões, e que acima de tudo, tiram a vida da banalidade do cotidiano? O album de hoje é fruto do encontro de duas pessoas, e de seu trabalho. A partir deste encontro viram o quanto tinham para somar um ao outro. Kidsuke, lançado em 2012 pelo Project Mooncircle é o resultado colaborativo entre o produtor Daisuke Tanabe e Kidkanevil. Ambos tem trilhado um caminho bastante original na música eletrônica/downtempo. Se conheceram durante o evento Red Bull Music Academy e daí em diante iniciaram sua parceria, primeiramente desenrolando remixes, e posteriormente alçando vôos mais altos: o que era para ser de início um EP, revelou-se abundante o suficiente em ideias para dar vida a um disco completo.

O album foi criado sob estruturas bastante experimentais e intuitivas: ambos revelaram não ter, antes de entrarem em gravação, nada em mente que não fosse a diversão. Afirmação esta que pode ser apontada como o coração do projeto. Para eles, a liberdade criativa, é o elemento que permite a investigação profunda de sonoridades. Para fazer Kidsuke ambos estavam interessados em coletar instrumentos e brinquedos infantis. Desta forma, combinaram perfeitamente o propósito de experimentação, direcionando a criação a uma estética cujos arranjos harmônicos estabelecessem conexões com os fluxos da memória de um tempo de criança, com a investigação por timbres oníricos e sutis, aprimorados com os intercâmbios referenciais de Daisuke com Kidkanevil.

Kidsuke é um choque de referências das mais variadas que honram o encontro - enquanto Kidkanevil é apreciador de música japonesa, Daisuke é apreciador do UK Bass. O disco harmoniza toda diferença tranquilamente com aceitação de criança, que desconhece o ódio e o preconceito. Desta forma, traz a tona a leveza e a magia de um mundo repleto de brinquedos, onde tudo se inclina à contemplação da memória. Remete-nos a um tempo onde a pureza e a simplicidade são possíveis. Um oceano de delicadeza numa era vulgar, que desrespeita a beleza de ser criança e de ser velho. Pintam um universo estranho de qualquer forma, mas é um estranho conhecido por cada um de nós, e surpreendente. "Fura o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio". Belo como o pulso da vida, belo como o pulso dos encontros.
"A música é o resultado de um desejo de criar, independentemente do resultado, pelo simples fato de que há uma história para contar. As pessoas vão consumi-la do jeito que elas querem. É este ou aquele som? Será que isso realmente importa? Pare por um minuto e aprecie a música pelo que ela é. A síntese de duas estéticas que não se uniram apenas pelo amor à música, mas também por um amor pelo abstrato e pelo infantil, as coisas que recordamos quando eramos todos jovens um dia e as coisas eram mais simples. Coisas como dançar como se ninguém estivesse olhando ou fazendo música como se o resultado não importasse."~Laurent Fintoni para o Project Mooncircle


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"[2012] Kidsuke"

1. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - IntroOoOoO (1:50)
2. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - Nanotrees (Out In The Woods) (2:12)
3. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - Frogs In A Well (2:37)
4. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - School Chimes (3:14)
5. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - SGstep (2:35)
6. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - MoOoOoOn (3:38)
7. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - Sine Flowers (1:27)
8. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - Ghostboy (3:22)
9. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - Tiny Concrete Block (3:10)
10. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - The Other Day We Thought Of Our Friends (3:08)
11. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - Cherry Chimes (3:12)
12. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - Ghostgirl (3:04)
13. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - Harmonics Pt1 (2:26)
14. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - Harmonics Pt2 (3:36)
15. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - Super Deformed (3:58)
16. Kidkanevil & Daisuke Tanabe - The Last Train (2:54)

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J ROCC: COOKING INGREDIENTS


O chéf divide com o DJ a tarefa de conquistar quem consome seus produtos pelo prazer de uma experiência sensorial, no primeiro caso gustativa, no segundo auditiva. Essas associações as vezes vêm a tona poeticamente, evocando estes ditos fins. Enquanto um chéf tem de lidar com tarefas e conhecimentos como a escolha dos melhores ingredientes, sua harmonização, o respeito à pontos de cocção, cortes variados, cálculos de medidas, timing, entre outras variáveis, no mundo das picapes, o DJ que enlouquece seus ouvintes com sua música vai conhecer milimetricamente a história da música, para que durante seu set possa fazer também, uma harmonização, musical. Também saberá das possibilidades harmônicas e melódicas de cada uma das músicas que estarão no set, conhecerá sua estrutura e saberá usar as partes que o interesse, fazendo uso de cortes também afiados.

Em Cooking Ingredients - Bake for 60 minutes, mixtape lançada pelo DJ americano J Rocc, há esta evocação poética que compara estes saberes. J Rocc é bastante conhecido no meio do rap underground americano, onde começou sua carreira na segunda metade da década de 80 como DJ em um grupo Californiano chamado PSK. Em seu currículo, destaca-se a fundação do grupo Beat Junkies em 1992 com Melo-D e Rhettmatic, e principalmente suas colaborações com Madlib: é ele quem comanda as picapes nos shows ao vivo com Madlib; foi o terceiro membro do grupo Jaylib, acompanhando Madlib e J Dilla nas performances ao-vivo; e também contribuiu na concepção do Vol 5-6: A Tribute to J Dilla do disco Beat Konducta, também com Madlib.

Esta mix de dezenove faixas apresenta J Rocc em uma sessão bem solta e experimental, misturando uma infinidade de coisas que não se sabe bem o quê, visto que a tracklisting não foi disponibilizada. Vê-se que grande parte das tracks certamente faz parte dos 70`s, (consegui identificar o Eugene McDaniels). Em sua receita, ve-se o uso principalmente de grooves do Funk, e em segundo plano, apresenta a psicodelia e o rock. A mixtape apresenta características bem pessoais, entre estas destacamos: mudanças repentinas de faixas, intercalação inesperada de faixas de gêneros diferentes, entre outras loucuras. Cooking Ingredients - Bake for 60 minutes é uma mixtape que demora pra decolar, e quando decola, ainda surpreende com uma série de pausas que soam deslocadas. Tudo faz parte da estética dele, muito focada na experimentação, e por essas acredito que sacrifica um pouco da fluidez. Tem-se a impressão que se estivesse mesmo cozinhando, seria para si, correndo o risco de desagradar facilmente seus eventuais convidados. Ao mesmo tempo, trilha um caminho que revela sabores, texturas, cores e por aí vai. Assim, não pense que a mixtape é ruim. Desconfio que o foco aqui seja mesmo a experimentação, cause a estranheza que causar.



Dê o play, macaco!
"[2008] Cooking Ingredients"

1. J. Rocc - Intro Track (1:53)
2. J. Rocc - 3 Breaks For You (3:00)
3. J. Rocc - Smoothed Out (1:53)
4. J. Rocc - Sho Is Funky (1:26)
5. J. Rocc - Another Smooth One (1:07)
6. J. Rocc - Little Bitchard (1:38)
7. J. Rocc - $$$$ (3:40)
8. J. Rocc - Eugene Edit (2:11)
9. J. Rocc - Latin Fuzz Guitar (2:31)
10. J. Rocc - Schmit (3:17)
11. J. Rocc - James The Preacher Man (2:27)
12. J. Rocc - Classic (1:30)
13. J. Rocc - Spacey (2:10)
14. J. Rocc - Out Looking Inside (2:21)
15. J. Rocc - Hoggin (1:33)
16. J. Rocc - Gotta Get Away (1:54)
17. J. Rocc - Rufus Breaks (0:55)
18. J. Rocc - Woman Shut Up (3:48)
19. J. Rocc - Windy Edit (4:16)
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THE HEATH BROTHERS: MARCHIN ON


Enquanto a relação de irmandade pode se apresentar na história com exemplos de alicerces singulares inabaláveis, há também uma outra face de desavenças e repulsas de potencial destrutivo. Felizmente com os irmãos Percy, Albert e Jimmy, aconteceu da primeira forma. Juntos eles formaram uma das primeiras famílias da história do jazz, os Heath Brothers, e gravaram um disco que é imprescíndivel para o nosso acervo, Marchin' On.

Ao revisitar a trajetória dos irmãos, vê-se que foram beneficiados desde cedo pela inspiração dos pais. Começaram a escrever sua história na música pelas vias da fanfarra militar, e foram, cada qual, seguindo caminhos distintos. Todos inseriram-se e desfrutaram do movimento de jazz moderno, o Bebop, seja fazendo jams com gente como Art Taylor, Sonny Rollins, Kenny Drew, Jackie McLean, ou tocarem na Big Band de Dizzy Gillespie. Por sorte ou destino, ocorreu dos três desembocarem num mesmo curso: criar um grupo que os unisse criativamente. Em 1976, as grandes obras do jazz tradicional (bebop e cool jazz), já haviam sido esculpidas, em sua grande maioria. Considero o disco emblemático também por isso, embora tardiamente, os Heath Brothers souberam somar sua história de maneira ímpar à história do jazz, deixando um disco de qualidade indiscutivelmente alta para a posteridade. Acompanhados do pianista Stanley Cowell e do trompetista Charles Tolliver, eles entraram em estúdio e gravaram o disco, que foi lançado pela extinta gravadora de Post-Bop, Spiritual Jazz, e Afro-Jazz, Strata East, do pianista Stanley Cowell.

O disco apresenta ao longo de oito faixas, um jazz com uma linguagem tão original, que fica difícil, senão impossível, pontuar semelhanças com as explorações de outros artistas que tiveram a mesma origem no bebop, eu pessoalmente desconheço qualquer disco desta época que seja parecido. Lembremos que em 1976, muitos ja haviam levado o jazz ao limite, para citar alguns dos mais radicais exemplos: John Coltrane, Cecil Taylor, Ornette Coleman, Archie Shepp, Sun Ra. Com uma proposta completamente inversa às explorações vanguardistas, Marchin' On, figura-se como uma obra do Hard Bop. Tal rótulo criado pelo pianista e crítico de jazz John Mehegan, designa um estilo de jazz que é a extensão do bebop, e que incorpora elementos do rhythm and blues, da música gospel, e do blues, principalmente ao saxophone e piano. Prevalece no disco, portanto, uma música que retorna às raízes do jazz. Muitas vezes, a combinação de instrumentos como flauta, violino, contrabaixo acústico e kalimba tocam melodias que apontam para um sublime, que entra em conformidade com um spiritual jazz, como nas músicas Warm Valley e Tafadhali. Muito belas as composições, diga-se de passagem. Embora eu destaque o todo da obra, há quem destaque as quatro versões da música "Smilin' Billy Suite", por seu destaque no mainstream: foi inúmeras vezes sampleada por produtores do hip-hop, sendo a versão "One Love" do rapper Nas, a mais conhecida.



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"[1976] Marchin' On"
links alternativos: Rapidshare

1. The Heath Brothers - Warm Valley (2:33)
2. The Heath Brothers - Tafadhali (3:21)
3. The Heath Brothers - The Watergate Blues (5:48)
4. The Heath Brothers - Maimoun (8:06)
5. The Heath Brothers - Smilin’ Billy Suite Part I (6:01)
6. The Heath Brothers - Smilin’ Billy Suite Part II (4:24)
7. The Heath Brothers - Smilin’ Billy Suite Part III (3:25)
8. The Heath Brothers - Smilin’ Billy Suite Part IV (4:35)

~integrantes:
Percy Heath – baixo
Albert Heath – bateria
Albert Heath – flauta
Stanley Cowell – piano, kalimba
Albert Heath – Reeds [Maimoun]
Jimmy Heath – Saxofaone, Flauta
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