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THE ABYSSINIANS: ARISE


Inspiradora, companheira e tantas vezes fiel nas reconvalescências espirituais do bicho homem, a música se apresenta como uma entidade abstrata e sutil. Tantas máximas foram cunhadas em sua homenagem, a adorando e a saudando. A lista é grande e vai de Nietzsche à Confúcio. Seu esplendor curativo é um fato consumado. Aos céticos só ordeno que dêem um passo à frente para serem atingidos, como occoreu comigo nesta manhã. The Abyssinians mostram em "Arise" todo esse poder espiritual da música, toda sua grandeza exemplificada em melodias tão finas e de lirismo tão profundo. Disponibilizado diretamente das estantes musico-terapêuticas da Oficina e preescrito pela macacada em geral, "Arise" é um disco que nem apresenta risco de superdosagem, creio eu que quanto mais se ouve melhor se fica.

O grupo que rapidamente capturou a aclamação internacional em meados dos anos 70 com seu álbum de estréia "Satta Massagana", exerceu em seguida um aprofundamento nas raízes da música jamaicana. Tal ato faria fervilhar a criação, culminando com "Arise", o álbum em questão. De todos os trios de roots reggae, The Abyssinians podem ser apontados como os que melhor lapidaram os cantos no gênero. Tecidos artesanalmente com vigorosidade e sinuosidade de negras vozes transcedentes, eles tornam-se realmente um espetáculo. A rara sintonia, afiadíssima, dos Abyssinians é um trunfo que deveria dar inveja em muitos corais de Igreja. Além desta singularidade presente em vocais e backing vocais, o grupo sustenta outros fundamentos não menos importantes, edificadores no propósito de propagar a mensagem de Jah através da música. A espiritualidade alistada ao lado de belíssimas melodias são os outros canhões sonoros dos Abyssinians. Estes, não ferem, pelo contrário, afundam os ouvintes nas profundezas dos mares do espírito trazendo para si a sensação do bem. Primazia melódica, espiritualidade, rítmos descontraídos, músicos de apoio que vão de Tommy McCook à Bongo Herman e Cedric Im Brooks, bateria quebrando nos lugares apropriados; O que mais você poderia querer? Todas estas qualidades fazem de "Arise" um álbum harmônico, nos seus dois sentidos. Constate e harmonize-se.


Dê o play, macaco!
"[1978] Arise"

1. The Abyssinians - Oh Lord (3:10)
2. The Abyssinians - This Land Is For Everyone (3:53)
3. The Abyssinians - Mightiest Of All (3:22)
4. The Abyssinians - Meditation (2:54)
5. The Abyssinians - Wicked Man (3:02)
6. The Abyssinians - Jah Loves (4:04)
7. The Abyssinians - Dem A Come (3:59)
8. The Abyssinians - South African Enlistment (2:28)
9. The Abyssinians - Hey You (4:26)
10. The Abyssinians - Let My Days Be Long (3:28)

~integrantes:
Bateria: Sly Dunbar & Devon Richardson & Santa Davis
Baixo: Lloyd Parks & George Fullwood & Robbie Shakespeare
Guitarra: Jah Jerry & Bo-Peep Bowen & Earl Chinna Smith
Guitarra base: Tony Chin
Teclados: Franklyn Bubbler Waul
Orgão: Carlton Manning
Piano: Pablo Black & Michael Cooper
Flauta: Tommy McCook
Trompete: Vivian Hall & Bobby Ellis
Sax Alto: Herman Marquis
Sax Tenor: Tommy McCook & Glen Da Costa
Tamborim: Cedric Im Brooks
Funde: Ras Jawbone
Percussão: Bongo Herman
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CHALAWA: DISCOGRAFIA

*NOTA: Recentemente, após certo empenho investigativo, encontrei dois discos que faltavam para completar a discografia: "Deepest & Darkest" (1976) e "Fire Dub" (2007). Descobri também que ainda falta outro disco no qual o Chalawa ataca de backing band para Strange Cole, Callendar Sisters e Johnny Osbourne. Mas isso é um outra história... Segue o Reggae, irmão! ~repostado por @zinhotrinta


Andei pesquisando e li vários autores descrevendo o Chalawa como uma "banda de dub", talvez. Pra mim, uma banda formada por amantes-sonhadores do dub (entenda-se também entusiastas dos aparatos e técnicas modernas para tratamento da música). Uma banda que se divertia com sessões instrumentais, usando timbres e efeitos corriqueiros do gênero "dub", adicionando suas particularidades. As melodias são não-tão-modestas, como sugere a maioria das dub bands.

Formada pelos canadenses Alex King e John Forbes, "Chalawa" (ou "Chalewa") significa um tipo de cachimbo artesanal especial pra fumar ganja... sugestivo não?  Coincidência a parte, pode-se dizer que é uma dose psicotrópica do antídoto minimalista chamado Dub! A profundidade, constante nos dubs jamaicanos, está presente mas a intenção se revela enérgica e - porque não - lisérgica. Fogem do convencional. Alex King brilha com riffs dedicados de guitarra, em meio as bases marcada (e marcantes) pelo baixo de Leroy Sibbles. John Forbes comanda as teclas com sensacional destreza. E quem cria este ambiente profundo do verdadeiro dub é o engenheiro rato-de-estúdio Fred Petersen. O fato é que mostram intimidade com a música jamaicana, vislumbrada com um "olhar de fora" sobre todo esse meio. São provavelmente apaixonados pelo dub na mesma proporção que são pelo rock e afins. Fica evidente em solos e inspiradíssimos improvisos. Completam a banda algumas figuras pouco citadas, como: Dopie Smith, na bateria; Peter Weston e Les Levi, nas congas e bongô; Dick Smith e Mike Balm segurando a metaleira.

O primeiro disco, chamado "Deepest and Darkest", não consegui encontrar, salvo a rareza! Chalawa é uma incógnita praticamente, poucas informações disponíveis, com inexplorados discos. O que sei é que estes canadenses eram fãs inegáveis do mestre Bob. Não atoa, tramaram uma releitura completa do clássico "Exodus" de Bob Marley, em 78. Quando não, configuravam versões para músicas do Bob, inseridas em seus discos. Considero uma peça indispensável para exaltadores do reggae e, principalmente, do dub. Raríssimo manjar jamaicano com tempero canadense!


Dê o play, macaco!
"[1976] Deepest And Darkest"

1. Chalawa - Deepest & Darkest (4:44)
2. Chalawa - Meatanya (7:16)
3. Chalawa - Blessed Is The Man (5:29)
4. Chalawa - Who The Cap Fit (4:45)
5. Chalawa - The Dread Approacheth (2:57)
6. Chalawa - Trusting Soul (3:51)
7. Chalawa - Blowing Him Out the Funnel (5:04)

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"Começando a manhã em câmera lenta, num ritual que envolve espantar o frio e trazer o sol, pelo menos pra dentro da cabeça. Pra isso, conjurei ninguém menos que Bob Marley, que vem instrumental e espacial numa versão dub de seu maior disco, Exodus. Nas mãos do Chalawa, 'Exodus Dub' faz com que o 'movement of Jah people' caminhe anos-luzes sem necessariamente ter que mover um dedo. Cascudo." ~Alexandre Matias no O Esquema

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"[1978] Exodus Dub"

1. Chalawa - Natural Mystic (3:18)
2. Chalawa - So Much Things To Say (3:02)
3. Chalawa - Guiltiness (3:21)
4. Chalawa - The Heathen (3:09)
5. Chalawa - Exodus (6:38)
6. Chalawa - Jamming (3:24)
7. Chalawa - Waiting In Vain (2:38)
8. Chalawa - Three Little Birds (2:51)
9. Chalawa - Our Love - People Get Ready (3:57)

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Dê o play, macaco!
"[1979] Meets Chapter XII"

1. Chapter XII - Buffalo Step (5:34)
2. Chalawa - Hop Skip And Jump (5:54)
3. Chapter XII - Topless Reggae (5:03)
4. Chapter XII - Topless Reggae Dub (5:07)
5. Chalawa - Picadilly Hop (7:35)
6. Chapter XII - Buffalo Step Dub (5:44)

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"Banda canadense de roots-rock-reggae é claramente uma força musical e acenou como. Enquanto aproveitam o sucesso de seu single 'Hop Skip and Jump' (top 20 na Holanda e na Bélgica), estão prontos para comandar o reconhecimento internacional com um álbum dinâmico. Os pilares musicais da banda, Alex King e John Forbes fornecem uma base firme sobre a qual todos os outros membros contribuem com seus próprios conhecimentos, nomeadamente. Resultado é um produto que engloba uma variedade de estilos musicais. Neste álbum eles desenvolvem uma interpretação única do reggae. Misturando o ritmo de condução do reggae-roots com uma combinação de outras linguagens musicais para chegar universalmente a todos tipo de ouvintes. Seu som reflete sua formação variada de músicos... A fusão de diversos estilos em um que se comunica com o eu e eu." ~texto traduzido do verso do lp

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"[1979] Hop, Skip and Jump"

1. Chalawa - Hop, Skip & Jump (2:57)
2. Chalawa - Jammin' (3:42)
3. Chalawa - Waiting in Vain (3:18)
4. Chalawa - Three Little Birds (3:19)
5. Chalawa - Picadilly Hop (3:04)
6. Chalawa - Tropical Borscht (3:53)
7. Chalawa - Meltdown (4:12)
8. Chalawa - Mercenary Hymn (3:49)
9. Chalawa - Blessed is the Man (3:30)
10. Chalawa - Taxi De Paris (2:45)

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"[2007] Fire Dub (with Sly & Robbie)"

1. Chalawa - Warrior (3:35)
2. Chalawa - Why Lie (3:10)
3. Chalawa - You Are My Compass (3:54)
4. Chalawa - Mindfull Dub (3:02)
5. Chalawa - Fire Dub (3:25)
6. Chalawa - No Man's Dub (3:11)
7. Chalawa - Carry Me (3:19)
8. Chalawa - Happiness (3:18)
9. Chalawa - Round The Clock (3:17)
10. Chalawa - Give Me Dub (3:18)
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THE MIGHTY DIAMONDS: PLANET EARTH + PLANET MARS DUB


The 'Mighty' Diamonds é um trio jamaicano formado por Donald Shaw, Fitzroy Simpson e Lloyd Ferguson. "Apenas um" em meio aos diversos trios surgidos principalmente na década de 70. Acontece que, não só na música, certas coisas devem ser tratadas com atenção, sob olhares minuciosamente direcionados. Assim, mirando com o olho certo, estimamos a importância de cada um para música tradicional da Jamaica, da música de fomento filosófico, rastafári, de padrão revolucionário e objetivo infatigável. Este trabalho mostra a ponta deste iceberg abrigado em mares caribenhos. Guardando devidas circunstâncias, anda no mesmo trilho que outros trios de peso, como Culture, African Brothers, Gladiators, The Ethiopians e Israel Vibration.

Em 1978, carregando apenas o nome "The Diamonds", lançaram sua obra-prima: "Planet Earth". Perfilado à sua versão dub, mostra autoridade sendo mais direto, certeiro com seus intentos. Que de longe seria honrar a música de Jah, sendo meigo ou árido, humilde ou visionário no tempo certo. Tal disco é mais pé-no-chão, mais puro, menos sofisticado. Em tese não conta com nenhuma diferença que os consagra perante aos demais trios. Destaques quase banais seriam para as participações de Sly Dunbar, Uziah 'Sticky' Thompson, Lloyd Parks, Earl Chinna Smith e Tommy McCook. O alto do disco é a paisagem detalhada do gênero "roots reggae": com presentes e afiados backings vocals, com a força ritual do soul e com refrões de brado fielmente rebelde. Talvez à primeira orelhada pode parecer apenas "a pitada de sal a gosto" de mais uma receita jamaicana. Espero que na hora certa seu sabor possa ser apreciado íntima e singularmente!




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"[1978] Planet Earth"
senha: oficinademacacos.blogspot.com

1. Mighty Diamonds - Where is Garvey (4:00)
2. Mighty Diamonds - Let the Answer (3:47)
3. Mighty Diamonds - Strugglin (3:37)
4. Mighty Diamonds - Carefree World (3:12)
5. Mighty Diamonds - Got to Get Away (3:52)
6. Mighty Diamonds - Sweet Lady (3:13)
7. Mighty Diamonds - Only Brothers (3:38)
8. Mighty Diamonds - Just Can't Figure Out (3:31)
9. Mighty Diamonds - Come Me Brethren (2:48)
10. Mighty Diamonds - Planet Called Earth (4:14)



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Esta revisão dub sugere uma reconstrução sideral do "Planet Earth". Trata-se do "Planet Mars Dub", também de 1978, uma versão dissimulada da obra original. O engenheiro que assina tal projeto é o lunático Karl Pitterson, é dele a ideia de desconstruir e reordenar toda estrutura coloquial precedida. Karl levanta a estima com técnicas requintadas e reforça a mensagem dos Mighty Diamonds. Duplica a dose de forma ímpar, experimentando de água à vinho. Este combo rasta remete às profundas raízes da música jamaicana. Raízes que cresceram nos estúdios neblinados, fortaleceram-se com os soundsystems adubados, cruzaram os sete mares sem demora e hoje germinam e florescem em solos do mundo inteiro!


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"[1978] Planet Mars Dub"
senha: oficinademacacos.blogspot.com

1. The Mighty Diamonds - Dub With Garvey (4:11)
2. The Mighty Diamonds - Sweet Answer (4:01)
3. The Mighty Diamonds - Work Out (3:39)
4. The Mighty Diamonds - Who Cares (3:20)
5. The Mighty Diamonds - Run Away (3:50)
6. The Mighty Diamonds - Grand Rock (3:13)
7. The Mighty Diamonds - Two Brothers (3:41)
8. The Mighty Diamonds - Finger Out (3:37)
9. The Mighty Diamonds - Ital Rock (2:46)
10. The Mighty Diamonds - Planet Mars (5:06)



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