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THE HELIOCENTRICS: FALLEN ANGELS


Na banda, o líder dita as ordens com o poder de suas baquetas. Observando quase que por cima, quase que com o ouvido, o desempenho dos demais. Neste conforto rítmico frenético mora a identidade dos Heliocentrics. O comandante usa a alcunha de Malcolm Catto. É dele a responsa de indicar quais paisagens a banda há de passar. Malcolm, já ciente de seu papel, demonstra seu talento de caráter original e diversificado. Os caminhos traçados são tão bem definidos quanto distintos! Afro-jazz? Afro-funk? Free-jazz? Progressivo? Avant-Garde? O principal rumo desta empreitada tende sempre ao experimentalismo, esteja onde estiver. Traços de diversos gêneros são pincelados com liberdade, frieza e altas doses de psicodelia! A banda já acompanhou grandes nomes, dentre outros o etíope reverenciado Mulatu Astatke.

Em 2009, é lançado então um álbum trazendo os melhores momentos do Heliocentrics. "Fallen Angels: The Singles Collection". Um disco, com edição limitada, que melhor pode retratar a extensão sonora abrangida pela banda. Carrega os registros mais raros e exclusivos, os grandes ápices de criatividade da banda. Mais uma grande tacada da Stones Throw Records. Uma seleção de total precisão e intensidade. Recomendado especialmente para os músicos de plantão. Destaque para as duas versões de "Distant Star" que abrem o disco. A primeira, um groove semi-instrumental da mais fina linhagem de vanguarda. A segunda traz o verbo voraz de MF Doom e Percee P. Atente-se também para "Dance Of The Dogons (Part.2)", "Vibrations Of The Fallen Angels", "The Gorn" e "Before I Die" (com o velhaco Guilty Simpson). Aprecie com cuidado - é indicado buscar o momento certo para melhor absorvição. Pesado, maluco e totalmente bem-sucedido!


Dê o play, macaco!
"[2009] Fallen Angels (The Singles Collection)"

1. The Heliocentrics - Distant Star (Instrumental) (3:48)
2. The Heliocentrics - Distant Star ft. M.F. DOOM & Percee P (4:13)
3. The Heliocentrics - The Oracle (3:19)
4. The Heliocentrics - Space Time Girl (3:40)
5. The Heliocentrics - Dance Of The Dogons (Part.2) (5:09)
6. The Heliocentrics - Before I Die feat. Guilty Simpson (3:22)
7. The Heliocentrics - The Gorn (3:41)
8. The Heliocentrics - Sirius B (Remix) ft. Vast Aire (of Cannibal Ox) (4:19)
9. The Heliocentrics - Vibrations Of The Fallen Angels (5:24)
10. The Heliocentrics - Noise (2:59)

~integrantes:
Malcolm Catto – drums & piano
Jake Ferguson – bass & Thai guitar
Mike Burnham – modular synth & effects
Jack Yglesias – flutes, percussion & santur
Adrian Owusu – guitars, oud & percussion
James Arben – clarinet, tenor & baritone sax
Ray Carless – alto, tenor & baritone sax
Max Weissenfeldt – vibes & percussion
Khadijatou Doyneh – vocals
Neil Yates - Trumpet
Byron Wallen - Trumpet
Ollie Parfitt - Keyboards
James Allsopp - Saxes, Bass Clarinet
Shabaka Hutchings - Saxes, Clarinet
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BROWNOUT: AGUILAS AND COBRAS + REMIXED AND REGROOVED


Da lama ao caos, do caos à lama! Do caos à falta de tempo, da falta de tempo à escassez de publicações em nossa Oficina. Voltamos então sorrateiramente com mais uma sessão de nossa literatura cosmopolita de decoro musical. Brownout é uma complexa banda de Nu-Funk com firmes traços latinos. A maior parte dos integrantes também fazem parte do Grupo Fantasma. Digamos que o Brownout é menos caribenho ou mais americazado. Apesar de americana (a banda é originária de Austin, sudeste do Texas), trazem uma roupagem muito interessante para a música nascida lá trás com James Brown, Sly Stone e Mandrill, sempre trazendo com marcantes referências da música latina - tanto rítmica quanto melodicamente. Algo peculiar à banda devido as diversas influências e talento de cada integrante! Entre os membros, encontra-se o iluminado guitarrista Adrian Quesada, que além do Grupo Fantasma é também aquele que sustenta o Ocote Soul Sounds.

O álbum "Aguilas And Cobras", de 2009, é uma balaio retentor de grooves pesados e refrões profundos. Formada por oito integrantes, a banda chega à margem do estrelato das mais autênticas big-bands do novo Funk. Vemos isso nas linhas de metais mais brilhantes e na bateria mais cabreira que o convecional, por assim dizer. Uma música para mostrar o poder das experimentação, mesclando cadências e culturas diversamente ricas e que ainda assim ficam melhores se entrelaçadas. Um disco quase todo instrumental, quando usam das palavras a fazem de forma primorosa, deixando os versos soarem de tal forma que tudo o resto torna-se mais interessante. Destaque para praticamente todo o álbum, que passa do Afro-beat ao Disco, do Latin-jazz ao Deep-funk!

A repercussão deste projeto foi tão positiva que no ano seguinte, em 2010, organizaram um releitura do disco, daí saiu o "Aguilas And Cobras (Remixed And Regrooved)". Com a mão de alguns produtores e deejays, remexeram este balaio e obtiveram algo de grandeza equivalente. Neste momento a obra fora recondicionada com frenesi e respeito como deveria ser. Uma calorosa obra-prima seja ela em nossa forma original ou revertida. Entre os remixes atente-se para as versões de J-Boogie, Tal M. Klein, Grant Pahabao, Ray Hugo Kokolo e Anthony Mansfield. Recomendado aos apaixonados e esperançosos com a nova música que se preze! Petardo sonoro que logo atingirá a massa e a fará balançar a cabecinha!

"É engraçado porque podemos estar ensaiando com o Grupo Fantasma e, na noite seguinte, os mesmos caras podem voltar para o ensaio sendo o Brownout. E a música é completamente diferente! Nós definitivamente estamos tentando manter os dois projetos separados. Ao mesmo tempo, não há nenhum esforço para tentar esconder o fato de que é a mesma banda." ~Adrian Quesada, guitarrista da banda


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[2009] Aguilas And Cobras

1. Brownout - Con El Cuete (3:55)
2. Brownout - Ayer Y Hoy (3:28)
3. Brownout - Aguilas And Cobras (4:26)
4. Brownout - Tell Her She's Lovely (3:24)
5. Brownout - Framed By Death (3:28)
6. Brownout - Another Fire (3:16)
7. Brownout - Olvidalo (4:01)
8. Brownout - Flea (Interlude) (1:41)
9. Brownout - Slinky (2:36)
10. Brownout - Pole Position (4:08)
11. Brownout - Family Show (4:05)
12. Brownout - C 130 (4:11)
13. Brownout - Chanclas De Ninja (3:30)
14. Brownout - Nawlins (4:07)
15. Brownout - S.F.L.A. (3:50)

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1. Brownout - Slinky (Tal M. Klein Remix) (5:21)
2. Brownout - Olvidalo (J-Boogie Remix) (5:47)
3. Brownout - Pole Position (Señor Oz Remix) (4:08)
4. Brownout - Con El Cuete (Second Sky And Thomas Blondet Remix) (3:50)
5. Brownout - Ayer Y Hoy (Ray Lugo Kokolo Remix) (3:22)
6. Brownout - Chanclas De Ninja (Mexican Dubwiser Remix) (3:45)
7. Brownout - Olvidalo (Jeremy Sole Remix) (5:02)
8. Brownout - Aguilas And Cobras (Afrolicious Remix) (5:47)
9. Brownout - Slinky (Anthony Mansfield Remix) (4:46)
10. Brownout - Pole Position (Grant Phabao Remix) (6:18)
11. Brownout - Slinky (Caz Remix) (4:13)
12. Brownout - Olvidalo (J-Boogie Drumapella Remix) (5:36)
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OCOTE SOUL SOUNDS: DISCOGRAFIA


Finalmente mais uma discografia adicionada ao acervo da casa, ou melhor da Oficina. Há tempos nenhuma banda, nem artista, conseguiu convencer o paladar de nosso Engenheiro Primata, que por aqui governa. Nesta quitanda sonora oferecemos apenas aqueles cachos em que todas as frutas estejam deliciosamente boas, e o filtro é seletivo. Ocote Soul Sounds, mata essa ânsia por novas discografias integralmente suculentas. Do primeiro ao último disco a batuta assumida basicamente por Adrian Quesada e Martin Perna é convincente, bem elaborada e excêntrica.

O Afro-beat parece estar imbuído quase de forma inerente à obra da Ocote Soul Sounds. Então, a partir desta tese, a sonoridade da banda pode ser proclamada sempre com o prefixo "afro". Seria algo entre o Afro-rap, Afro-funk, Afro-jazz e além de qualquer terminologia. E representa tais vertentes sem ficar apenas na tangente do tradicional, do óbvio. Enfim, a banda sobe ao pódio da originalidade e imprevisibilidade dentro do cenário que mescla tendências africanas a música do "resto do mundo". Pitadas graúdas de modernismo são miscigenadas à velhas teorias. Piques eletrônicos sobrepostos por repiques orgânicos; sonoridade preenchida por efeitos vanguardistas e preceitos reacionários.

Responsáveis por tal sucesso, a união de Adrian Quesada e Martin Perna, se consagra pela densa experiência adquirida em simbiose direta de outros projetos - trabalharam com gente como Sharon Jones, Daktaris, TV On The Radio, Prince, Larry Harlow e Thievery Corporation. Adrian faz parte também do Brownout e do Grupo Fantasma - projetos que enfeitam acidamente a face da "música latina", por assim dizer. Martin construiu sua bagagem com o aclamado coletivo chamado Antibalas Afrobeat Orchestra, que faz do Afro-beat seu playground surrealista. Ambos fazem parte do time irretocável da ESL Music, selo que vem tomando a frente em produções audaciosas e inicialmente de caráter duvidoso. Sem dúvida uma obra altamente indispensável para os apreciadores otimistas com a música moderna e suas nano-ramificações.


"EL NIÑO Y EL SOL"


"El Niño Y El Sol" é o disco de estréia da parceria entre Adrian e Martin, e já chega tumultuando. É a trilha sonora oficial de um filme que simplesmente não existe. O resultado são belas faixas instrumentais, onde flautas, efeitos espaciais e referências globais dão créditos a recem-nascida banda. É ao mesmo tempo uma viajem musical misteriosa, assombrosa e inesquecível!

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"[2006] El Niño Y El Sol"

1. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Tamarindio (3:05)
2. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Dedication T.V. (1:28)
3. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Esto No Se Acaba Aqui (0:57)
4. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Divinorum (4:33)
5. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Ora Como Rey, Manana Como Quey (2:00)
6. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Justicia (4:48)
7. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Vals De La Despedida (0:45)
8. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - La Lucha Sigue (3:05)
9. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Where is the Love (0:34)
10. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Learn To Let Go (5:28)
11. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Greniudos (2:07)
12. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Look Sharp (3:43)
13. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Paz Y Alegria (4:20)

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"THE ALCHIMIST MANIFESTO"


Desta vez, com "The Alchimist Manifesto", o duo tem sua marca registrada na psicodélica do afro-beat, hip-hop, trilha sonora latina e funk, passando por território abstratos e inebriantemente novos. Flutuando através do vórtice produzem novos elementos sonoros: harmonias misteriosas, cordas, flautas e até mesmo vocais espanhóis por cima de um sulco solene. Uma experiência sonora cinematográfica resolutamente imperdível!

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"[2008] The Alchimist Manifesto"

1. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - The Grand Elixir (3:32)
2. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - La Reja (5:04)
3. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - El Pascador (4:22)
4. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Les Dunes D'ostende (1:36)
5. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - The Alchemist Manifesto (4:08)
6. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Gunpowder (4:40)
7. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Hacia Un Mañana Mejor (2:57)
8. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Contra El Sol (1:36)
9. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Pelican (2:28)
10. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - One Hundred Years (2:27)
11. Ocote Soul Sounds & Adrian Quesada - Cariño (4:57)

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"COCONUT ROCK"


Depois de dois álbuns estelares, em "Coconut Rock" o duo encontra seu prazer. Um disco totalmente solto, caindo facilmente em sua psicodélica banheira do funk afro-latino. Do breakbeat feroz "The Revolt Of The Cockroach People" ao saltitante ritmo da cumbia em "Tu Fin, Mi Comienzo" e, logo, para as paisagens sonoras de "Vendendo Saúde e Fé", com a cantora brasileira Tita Lima. É o terceiro capítulo na jornada incomparável da Ocote Soul Sounds através de reinos harmônicos, ritmicos e além!

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"[2009] Coconut Rock"

1. Ocote Soul Sounds - The Revolt Of The Cockroach People (2:54)
2. Ocote Soul Sounds - Coconut Rock (3:02)
3. Ocote Soul Sounds - El Diablo Y El Nau Nau (3:52)
4. Ocote Soul Sounds - Tu Fin, Mi Comienzo (3:06)
5. Ocote Soul Sounds - Vendendo Saude & Fe (4:26)
6. Ocote Soul Sounds - Tres Ratas (3:42)
7. Ocote Soul Sounds - Pan, Chamba Y Techo (5:10)
8. Ocote Soul Sounds - Vampires (4:01)
9. Ocote Soul Sounds - Return Of The Freak (5:00)
10. Ocote Soul Sounds - Cara De Yo No Fui (4:59)
11. Ocote Soul Sounds - Prince Of Peace (3:29)

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"TAURUS"


Adrian Quesada e Martin Perna retornam ao experimetalismo ensolarado com seu quarto álbum de estúdio, "Taurus". Produzido por Eric Hilton, do Tievery Corporation, reflete sua evolução com uma mistura saborosa e dinâmica entre texturas da música latina, mensagens políticas conscientes, pegadas frenéticas do Afrobeat e o peso do Hip-hop. Este álbum chega como o mais expansivo e completo dentre todos os demais discos. Até um próximo álbum, este pode sim ser rotulado como a "chave de ouro" da Ocote Soul Sounds!

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"[2011] Taurus"

1. Ocote Soul Sounds - Primavera (3:31)
2. Ocote Soul Sounds - Pirata (2:23)
3. Ocote Soul Sounds - En El Temblor (3:35)
4. Ocote Soul Sounds - Pathways (2:37)
5. Ocote Soul Sounds - Sttp (Speak Truth To Power) (4:57)
6. Ocote Soul Sounds - Cumbia La Magdalena (3:32)
7. Ocote Soul Sounds - Pan Y Circo (5:54)
8. Ocote Soul Sounds - Agua Santa (4:07)
9. Ocote Soul Sounds - Tumba Del Payaso (2:32)
10. Ocote Soul Sounds - Contigo Jamas (4:32)
11. Ocote Soul Sounds - Nessuno (4:12)
12. Ocote Soul Sounds - Guantanamo (5:46)
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FIREBUG: DISCOGRAFIA (PARTE 2)

"OUTRA COISA + I WANNA SHOYU (BÔNUS DISC)"

Foto do show no E.C. Serralheria do projeto Peixoto & Maxado, pelo blog Vamo Aí.

Uma requintada celebração brasileira para as belas formas da música jamaicana. É assim que abrevio a gama sonora empregada no mais novo trabalho do Firebug. O album intitulado “Outra Coisa”, foi lançado em 2010 e já retrata mudanças desde o nome. O termo “outra coisa” reflete a atual fase da banda, cheia de contrastes e remanejamentos sonoros ou pessoais. Seja pela nova formação, que passara por mudanças substanciais, ou mesmo pela repaginação da velha música jamaicana, que mostra-nos uma nova cara com autênticas expressões tupiniquins, comprova-se: Aqui mudança é o remetente e a festa, o destinatário. O fato é que neste momento a sonoridade do Firebug é outra coisa! São novos ângulos para a mesma paisagem, cada qual mirada sob a imparcial faceta dos novos integrantes. O mote não mudou, continuam agarrando firme nas raízes da música jamaicana. Mas, com eloqüência e originalidade, enfatizaram desta vez os maiores ritmos dos anos 60: Rocksteady, Ska, Early-reggae e Soul, criando neste terreno, sua principal identidade. Para fortificar a obra, sombrearam todas as faixas com poderosas cargas de Dub – ora resguardadas pro finalmente, ora escancaradas logo no refrão. Uma produção de primeira qualidade, vinda do melhor país do terceiro mundo!

Novas peças no mecanismo trouxeram suas particularidades sonoras e provocaram uma evolução coletiva. À frente da trupe permanece a base: Rodrigo Cerqueira, com delicadeza viking na bateria, e Felipe Machado, investindo alto nos vocais e guitarra; Lipe Torre, que neste álbum deixa de canto a escaleta e abisma os mais céticos com sua faminta guitarra. E, entrando pra laia agora, temos: Edu Sattajah (dos Leões de Israel), que abraça o seu baixão de alcance sísmico; e Lucas Frugoli, comandando seu vantajoso teclado. Com produção impecável de Victor Rice, o resultado é uma síntese entre estas nuances da jovem formação e uma possível nova rota para o mesmo destino. Tal mescla acarretou numa sonoridade encantadora, dançante e altamente vibrante.

Neste que é o terceiro álbum, o Firebug pôde contar com participações valorosas: nas faixas “Afeganistão” e “Many Ships”, Cedric Brooks e Kevin Batchelor (ambos que já passaram pelo time do Skatalites); em “Wasting Time”, temos Chris Murray na retaguarda; em “Many Ships”, também participa Glen Pine (da aclamada banda californiana The Slackers); e segurando o refrão com estilo primo em “Sister (Don’t You Go)”, a porto-riquenha Mimi Maura (dona da famosa voz de ‘Monkey Man’, clássico regravado por diversos artistas). Um disco pra encher de orgulho os cidadãos exaustos da mesmice propagada pela mídia desprovida de conteúdo. Para comprar o disco, acesse: Radiola Records. Cante, dance e exalte a beleza da música brasileira acudida por braços da música jamaicana!


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"[2010] Outra Coisa"

1. Firebug - Influenza Tropical (3:21)
2. Firebug - Não Vou (4:01)
3. Firebug - Many Ships (3:20)
4. Firebug - A Hora (3:52)
5. Firebug - Sister (Don't You Go) (3:09)
6. Firebug - Pros Amigos (3:31)
7. Firebug - Afeganistão (3:00)
8. Firebug - Meu Lugar (3:28)
9. Firebug - O Preço (3:32)
10. Firebug - Wasting Time (3:59)
11. Firebug - O Preço (Dub) (3:23)

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Este é o fruto do projeto paralelo do vocalista do Firebug, Felipe Machado (o Maxado), junto com o fundador da Sensacional Orquestra Sonora, Eduardo Faiguenboim (o Peixoto). O disco “I Wanna Shoyu” (2009) veio pra simular o tal "substituto do Firebug" (dizem que a banda foi diluída a pouco), apesar de ninguém confirmar tal título. Assim sendo não poderia ficar de fora desta matéria! Uma obra-prima de autoridade sem igual, capaz de menear quaisquer estandartes cerimoniais. A dupla, Peixoto & Maxado, somam esforços com a banda que parece mais uma trupe formada para emancipar o ingresso da música jamaicana em terras brasileiras. Afinal, todos os integrantes são militantes de outras bandas de certo renome. São eles: o guitarrista Fabio Pinc, o percussionista Mauro Motoki (ambos do Ludov), o multiinstrumentista Meno Del Picchia no baixo, Agenor de Lorenzi nos teclados, Marcelo Freitas no saxofone, Paulinho Viveiro no trompete, Jaaziel Gomes no trombone, Samuel Fraga e/ou Ângelo Kanaan na bateria. Quando mencionei que P&M são os mensageiros com a carta de alforria da musica jamaicana, digo os ritmos pouco disseminados por aqui - o Rocksteady predomina cercado por coisas como: Soul, Dub, Balada, Folk e Indie. A missão foi cumprida!

A concepção, seleção e produção mostram como se deve fazer. Mesmo saindo do forno do aconchegante estúdio caseiro, o trabalho carrega qualidades majoritárias. Músicas autorais, na maioria, quando não amaciam nossos tímpanos com fan-versions de grandes artistas, demarcando de uma forma totalmente original. Eu, amante nato de covers e remakes, destaco logo de cara a faixa “Maria Bethânia” - clássico b-side de Caetano Veloso numa versão de tirar o fôlego. Também novas roupagens podem ser vistas em “Pomps And Pride”, de Toots & Maytals; e “Sound of Silence”, de Simon & Garfunkel. Das faixas de autoria própria enfatizo a atenção principalmente para “Rock the World”, “The Bus” e “Pick Up The Pieces” (esta última em referência a um álbum da banda The Royals). O fato é que em todas as faixas, Peixoto & Maxado, cantam em total harmonia e entrosamento. Não há como dizer qual canta mais que o outro, mas garanto que com apenas um deles o disco se transformaria em algo bem mais pobre, raso e banal. Hora de apreciar mais uma das coisas boas que vem surgindo em nosso Brasil brasileiro pós-2000. Por sinal, uma terra muito fértil onde facilmente se diz que não há nada de valor brotando. Balela! Afinal, o cenário independente sempre foi assim: a locomotiva atravessa a urbe sem lançar se quer fumaça! E assim será, que lucrem os interessados. Força ao reduto de boas novas da música popular brasileira!


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"[2009] I Wanna Shoyu"

1. Peixoto & Maxado - Die In Vain (3:52)
2. Peixoto & Maxado - Mojo (4:28)
3. Peixoto & Maxado - I Wanna Shoyu (3:13)
4. Peixoto & Maxado - I'll Do You (2:08)
5. Peixoto & Maxado - Milf (3:00)
6. Peixoto & Maxado - Pick Up The Pieces (3:01)
7. Peixoto & Maxado - Sound Of Silence (4:25)
8. Peixoto & Maxado - Little Jarinu (3:17)
9. Peixoto & Maxado - Bros Before Hoes (3:46)
10. Peixoto & Maxado - Maria Bethania (6:03)
11. Peixoto & Maxado - The Bus (4:21)
12. Peixoto & Maxado - Play The Game (3:57)
13. Peixoto & Maxado - Boi Be Shalom (2:55)
14. Peixoto & Maxado - Three Chord Song (3:20)
15. Peixoto & Maxado - Rock Your World (3:53)

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KUTIMAN: THRU YOU


Existem diversas maneiras de um trabalho atingir seu objetivo plenamente: pela qualidade sonora, pela arte gráfica dos encartes e capa, pelas influências proporcionadas ao seu meio, por retratar algum tipo de movimento social/cultural, ou pela criatividade envolvida no projeto desde seu fomento. Neste caso, com o iluminadíssimo projeto "Thru You", a satisfação se dá principalmente pela ultima diretriz: a criatividade! Primo por demais a originalidade mórbida contextualizada por mentes criativas. Numa era onde o óbvio predomina, são raras as tacadas que atingem mais que o alvo - muitos projetos mal têm mira, as chamadas "músicas descartáveis". Preparem-se para algo inimaginável, inacreditável até mesmo depois de entender sua concepção.

Desta vez, o produtor multiinstrumentista israelense Kutiman, retirou "leite de pedra". Ordenhou centenas de vídeos amadores da maior pedra da rede, chamada Youtube, reorganizou e pasteurizou, com a mais nutritiva nata, 7 faixas vibrantes e compenetradas. Imagine só, criar beats e hits de onde nem os próprios colaboradores seriam capazes de imaginar. Uma colagem sonora sem precedentes, de dar água no ouvido e comichão na mente! Diferente do, também ótimo, trabalho multiétnico do Playing For Change, este não continha nada premeditado, nada pre-montado. Aqui, Kutiman simplesmente reuniu diversos takes já construídos e os demoliu artísticamente, formulando algo totalmente inédito. Isto é criatividade, oportunismo visionário, utopia virtual. A repercussão foi tamanha que figurou no "The 50 Best Inventions of 2009" da revista Time.  A coisa é fina e o peso é pesado!

O disco abrange incontáveis participações especiais, por isso o resultado é um álbum bem eclético, que passa pelo Blues, Drum'n'bass, R&B, Pop, Breakbeat, Hip-Hop e, claro, pelo ilustríssimo Reggae. Além de ilustrar a destreza do próprio Kutiman, que, em míseros 2 meses, teve que fantasiar toda essa zorra de forma civilizada, mostra também as infinitas asas que a música pode ter. Cada colaborador batendo sua própria asinha sem saber onde esse vôo poderia chegar. Aqui chegou, neste projeto primoroso, que deixará você e muitos outros estupefatos e invejados. Ao meu ver, somente pela idéia inicial já conquistaria multidões e, assim, venderia à rodo. Mas, até neste ponto Kutiman foi fantástico, pois o disco foi disponibilizado gratuitamente. E não poderia ser diferente, afinal a materia-prima é fruto da rede, livres de direitos autorais. A qualidade da masterização é limitada, ganhando charme também por se parecer com pérolas que brilham somente nos mais belos LPs e afins. Recomendo urgentemente o download e, não com menos pressa, a visita ao site oficial do projeto para poder visualizar tal feito para que seja convencido mais facilmente. Respeite o Youtube, respeite Kutiman e respeite todas as possibilidades cabidas à música e seus meios ou fins. Seja criativo também e não deixe de espalhar sua mensagem! Salve Kutiman!


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"[2009] Thru You"
senha: oficinademacacos.blogspot.com

1. Kutiman - Mother Of All Funk Chords (3:36)
2. Kutiman - This Is What It Became (4:06)
3. Kutiman - I'm New (6:21)
4. Kutiman - Babylon Band (4:12)
5. Kutiman - Someday (3:38)
6. Kutiman - Wait For Me (4:01)
7. Kutiman - Just A Lady (3:26)
8. Kutiman - About* (1:29)

*Kutiman fala sobre o projeto.

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RONEI JORGE E OS LADRÕES DE BICICLETA: FRASCOS, COMPRIMIDOS, COMPRESSAS


Sol no talo, sombra, sossego e água fresca. Estes são os elementos inspiradores para a macacada da Oficina que, já em clima de verão, faz hora extra nas vésperas de uma época em que todo mundo só quer jogar a toalha e cair no mar. Onde encontrar essa essência inspiradora? Bem, acreditamos que os solos baianos não desapontariam e é para lá que vamos com o post de hoje. Com grande potencial, o som de hoje pretende iluminar com fortes e inspiradores raios de energia os dias de quem ainda está na cidade e ainda passa por aqui garimpando alguns sons.

Formado em 2003 pelos integrantes Ronei Jorge, Edson Rosa, Sérgio Kopinski e Maurício Pedrão, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta é um quarteto baiano que carrega honrosamente em seu som muitos elementos intrínsecos à sua identidade. A música é rica em referências, e, ao mesmo tempo limpa, nova, e original. O som é pensado em cada detalhe, repleto de guitarras geniais (coisa que eu não via desde o disco 4 dos Los Hermanos) e quebras de tempo guiadas pela bateria e pelo swing do baixo. As guitarras e seus timbres parecem ter absorvido o ardor do ensolarado ambiente baiano enquanto que a voz de Ronei tranquiliza toda sonoridade como uma chuva de fim de tarde à beira-mar. Belas letras, repletas de lirismo, convivem em perfeita harmonia com o pulsar elétrico dos instrumentos. Afetividade é o que não falta no conteúdo das canções. Afeto dilacerado, intenso, destilado nas canções sempre curtas, de poucas metáforas que, por isso mesmo, quando aparecem, chamam a atenção, como o "carrossel de luz", ainda de Nêga.

"Você Sabe Dessas Coisas (Nêga)" abre o disco com uma guitarra incessante e tão sedenta de samba que nos faz pensar que a histórica passeata anti-guitarra elétrica estava mesmo equivocada em seus fundamentos. Quando ouvi Ronei Jorge pela primeira vez lembro de ter tentado - inevitavelmente e "humanamente" - rotulá-los, e cai do cavalo. A música que abre o disco indubitavelmente tem um pé na mistura samba+rock, mas aqui, essa mistura é em si inédita, revirada ao avesso. Abusando de originalidade, a banda prepara seu som em proporções inusitadas. Fazem com que o rock sobressaia ao samba embora ambos estejam envoltos pelo equilíbrio. "Frascos, Comprimidos, Compressas" (2009) é do início ao fim uma maré de surpresas. Ainda quebram fortes como água na terra as músicas "Tão sabida que eu nem sei", "Azucrim", "Sonhando com o verão" e "Está na cara", todas carregam belas harmonias e um teor lírico singular. Vale o play!


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"[2009] Frascos, Comprimidos, Compressas"
senha: oficinademacacos.blogspot.com

1. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Você Sabe Dessas Coisas... Nega (4:08)
2. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Quem Vem Lá (3:57)
3. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - A Respeito Do Sono (4:15)
4. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Vidinha (3:42)
5. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Frascos, Comprimidos, Compressas (3:31)
6. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Tao Sabida Que Eu Nem Sei (5:26)
7. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Azucrim (4:51)
8. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Aquela Dança (3:07)
9. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Tanto Fez, Tanto Faz (3:22)
10. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Oh Você Dizendo (3:26)
11. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Sonhando Com O Verão (3:17)
12. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Circule Seu Sangue (2:52)
13. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Está Na Cara (4:18)
14. Ronei Jorge & Os Ladrões De Bicicleta - Tão Forte (2:54)

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DELROY WILSON: DUB PLATE STYLE


Delroy Wilson é formidável, revela a faceta soul por trás do véu verde-amarelo-vermelho do reggae. Envolver o "soul", a alma, é característica essencial em todo reggae, e Delroy trabalha neste quesito de forma ilustre. Enfatiza com precisão o feeling soulful nas suas músicas. Visa o lado romanesco em suas composições, deixando quase sempre o foco do protesto de lado. Afinal precisamos de um bom romance, seja ele antes, durante ou após a nossa batalha, cotidiana ou esporádica. O mais interessante é que seu som não peca por isso, não deixa lacunas, quando você se der conta já estará exaltado com a silhueta sensual do lovers rock.

Delroy começou cantando na igreja, quando, em 1961, foi descoberto pelo produtor Clement Coxsonne Dodd (que o grampeou e arrastou para o Studio One). Foi aí que, o então menino, adquiriu o sotaque gospel, marca constante no seu estilo único de cantar e louvar. De longe pode-se apontar Delroy Wilson como o mais forte candidato a vice de Bob Marley (o maior frontman de solo jamaicano de todos os tempos) lembrando algumas fabulosas baladas do rei. Por sinal, Delroy é outro que já esteve a frente do The Wailers.

O disco mirado na ocasião é o "Dub Plate Style", que saiu em 2009 pela Pressure Sounds. Suas faixas foram originalmente lançadas em um álbum chamado "20 Golden Hits", de 1978, produzido por Bunny Lee. À primeira vista, o material deste álbum pode parecer normal, sem nada de mais. Muitas faixas marcaram presença em outros discos, você provavelmente já as ouviu em diversas seletas ou saudosas coletâneas. O que difere e ressalva tal edição é que foram remixadas com classe e reordenadas pelo fanático Prince Jammy, a partir das fitas masters originais. As versões aqui contidas dançam redimensionadas sob a voz aveludada de Delroy Wilson, acompanhado ora pelos Wailers, ora pelos Aggrovators. Conservam o sentimento de suas melodias, mas com o ambiente espaçoso do dub, com delays e reverbs impecáveis. A vibração apaixonada de Delroy mantém-se intacta, fielmente intacta. Mas com a cortesia de Prince Jammy entrou direto nas bags de "deejays" dos autênticos sound-systems. Sem destaques individuais e sem mais rodeios, recomendo a todos os amantes do bom e velho reggae de raízes jamaicanas. Utilize com destreza essa jóia comovente veiculada à música de Jah!


Dê o play, macaco!
"[2009] Dub Plate Style"

1. Delroy Wilson - A Bright And Sunny Day (3:19)
2. Delroy Wilson - You Have To Get A Beating (2:24)
3. Delroy Wilson - I'm Still Waiting (4:09)
4. Delroy Wilson - Can I Change My Mind (3:33)
5. Delroy Wilson - Find Yourself Another Girl (2:36)
6. Delroy Wilson - Ms. Grace (2:37)
7. Delroy Wilson - Living In The Foots Steps Of Another Man (3:19)
8. Delroy Wilson - Better Must Come (2:35)
9. Delroy Wilson - Rain From The Skies (2:29)
10. Delroy Wilson - Joe Ligea (2:15)
11. Delroy Wilson - I Am Doing My Thing (2:42)
12. Delroy Wilson - She Is Just A Play Girl (3:03)
13. Delroy Wilson - Love Uprising (2:35)
14. Delroy Wilson - Here Come The Heartaches (3:05)
15. Delroy Wilson - Who Cares (3:13)
16. Delroy Wilson - Mash It Up (2:11)
17. Delroy Wilson - Stick By Me (3:12)
18. Delroy Wilson - You Are Mine (2:06)
19. Delroy Wilson - Conquer Me (3:00)
20. Delroy Wilson - Do Good (Everyone Will Be Judged) (2:46)
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US3: STOP.THINK.RUN


US3 é um projeto do produtor londrino Geoff Wilkinson. Formado em 1992, tudo partiu da geniosa idéia do produtor que, sabiamente acreditou que o jazz dispunha de potencial para despertar os ouvidos das novas gerações. Nascia assim o US3, projeto que colocava em prática o que profetizara Wilkinson. Na minha opinião, a receita é a inovação. A partir de recortes e colagens (realizadas com maestria), aliados a beats nervosos e músicos que exalam frescor sem perder a aura da sabedoria, o produtor ia fundindo elementos do jazz com elementos do rap.

“Ao samplear clássicos do jazz, misturar batidas e rimas, e ter a presença do sangue novo de pessoas do jazz, tocando ao extremo, eu estava reconhecendo o passado, enraizado com o presente, e de olho no futuro, tudo de uma só vez.” ~Geoff esclarece de forma sucinta

Stop.think.run (lançado em 2009) foi um achado para mim, uma das coisas de qualidade que tenho ouvido ultimamente nesta maré de lançamentos (muitos nem dignos de gravação) que ocorre na contemporaneidade. Esta pedrada conheci pela piratada da Republicadefiúme que também navega por estas águas turbulentas. Vale muito a pena uma visita, o blog alia texto, imagem e som como nenhum outro!

Este já é o sétimo album do produtor Geoff Wilkinson e sua trupe. Pintura sonora espessa, entre as faixas encontramos desde contos de paranóia urbana e desespero até mesmo à busca por um verdadeiro romance. O disco conta com duas caras novas, os MCs: Sene (23) e Brook Young (20), ambos naturais de NY. "Esses dois caras são os mais novos MCs que já estiveram em um album do US3 desde 'Hand on the Torch', e são definitivamente o quociente do hip hop presente no album" lembra Geoff. A parte instrumental fica por conta de algumas caras já conhecidas da família US3, por exemplo o saxofonista Ed Jones, a sessão de trompetes é comandada por Bryan Corbett e Chris Storr, aliados a uma seleção ‘Classe A’ de tecladistas londrinos. Por fim, nas turntables, ficam a mando do hábil DJ First Rate.

“Na vida, às vezes você tem de parar (stop) e pensar (think) no que está fazendo e o quê deseja realmente realizar, quando identificado o quê realmente é almejado, corre-se (run) atrás disso. ~Geoff sintetiza sobre o título do disco

O disco já começa mostrando que não veio de bobeira, em meio à sons próprios do universo caótico urbano como buzinas, sirenes e estilhaços, "Gotta Get Out Of Here" abre com classe e se faz retrato fiel de um ambiente tenso e paranóico. As rimas e batidas massantes reforçam essa idéia. Muitas faixas brilham frenéticamente nesta obra prima. O beat-box em “You Already know”, os sopros e o xilofone em “I Let Em know”, a forte influência da música latina em “Can I Get It?”, as incríveis mudanças constantes de tempo em “Who Got Next?” na qual o MC Sene adéqua sua rima habilmente conforme as quebras de tempo, que oscila num groove de 4/4 e ¾, por fim, destacamos também a clara influência da Bossa na levada de “She’s With Me”. Um álbum ímpar!



Dê o play, macacos!
"[2009] Stop.think.run"
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1. US3 - Gotta get Out Of Here (feat. Brook Yung) (5:03)
2. US3 - Life Love Music (feat. Brook Yung) (3:58)
3. US3 - Can I Get It? (feat. Sene) (3:39)
4. US3 - You Already Know (feat. Brook Yung) (2:11)
5. US3 - From The Streets (feat. Sene) (3:54)
6. US3 - Who Got Next? (feat. Sene) (4:09)
7. US3 - B-Boys (feat. Sene) (3:18)
8. US3 - The Future Aint What It Once Was (feat. Sene) (3:28)
9. US3 - Dont Waste Your Life (feat. Brook Yung) (3:58)
10. US3 - The Love Of My Life (feat. Brook Yung) (3:56)
11. US3 - Keep Movin' (feat. Brook Yung) (3:58)
12. US3 - Turn It Up (feat. Sene) (3:54)
13. US3 - Got To Make A Livin (feat. Sene) (4:13)
14. US3 - I Let Em Know (feat. Brook Yung) (4:15)
15. US3 - She's With Me (feat. Brook Yung & Sene) (4:11)
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