WHITEFIELD BROTHERS: EARTHOLOGY


Experenciar a música das tribos, dos artistas de ruas inimagináveis, dos guetos esquecidos mundo afora, tem se tornado uma das mais transcedentes experiências culturais difundidas e apreciadas recentemente por artistas de cenas underground. Esse fenômeno pode ser compreendido como efeito da globalização, fenômeno ordenador de violentos choques culturais. Estes, tornam as identidades, antes rígidas, mais fluídas e líquidas, como diria o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Neste caso específico, nem todos os efeitos da globalização são perversos, visto que tal prática tem feito germinar uma vasta produção musical antropofágica em torno principalmente de alguns rítmos africanos e trazido um novo vigor para a cena independente ocidental. O disco de hoje, "Earthology" dos Whitefield Brothers, lançado pela Now Again Records, é mais uma obra essencial alocada neste panorama. Fruto de todo esse abalo sísmico cultural, o álbum é uma obra manifestada sob formas de expressão musicais diversificadíssimas; Se pararmos pra pensar, revisita todo o desenvolvimento de um esqueleto musical durante o século XX: pitadas da música africana, jazz, funk e rap. Com fins de simplificação, para que se abarque todo sincretismo musical contido nestas propostas, usa-se frequentemente os termos World music, ou Ethio-jazz.

Originário de Munique, o Whitefield Brothers é formado por Jan e Max Weissenfeldt. Novamente nos deparamos com jovens alemães - no último post que escrevi, falava sobre o Woima Collective, também alemães - investigando padrões musicais em outras culturas, se apropriando destas e propondo suas releituras destes mundos. A dupla tem trabalhado desde os anos noventa com música - são conhecidos também por terem fundado o Poets of Rhythm - no entanto tal abertura etnográfica tem se manifestado em seu trabalho muito recentemente. O que leva estes jovens oriundos de megalópoles repletas de conservatórios e palcos, se enveredarem por estes caminhos? Talvez as possibilidades das megalópoles tenham se tornado saturadas e monocromáticas, e o processo criativo tenha se tornado mais interessante a partir do contato com um exterior desconhecido e deslumbrante. Se observarmos as raízes destas ramas, então encontraremos o nigeriano Fela Kuti e creio eu que em maior grau de importância Mulatu Astatke. Mulatu tem agido como um guru dessa nova geração inspirando e catalizando novos paradigmas musicais. Não é difícil perceber que ele se orgulha da disseminação da música africana globo afora, ele mesmo foi criado em Londres, Boston e Nova Iorque e tem trabalhado internacionalmente.

Em "Earthology", como o próprio nome sugere, surge uma lógica global no plano criativo, uma comunhão entre rítmos e povos através da música. Tudo está atado a este conceito, desde a escolha dos instrumentos à construção de padrões rítmicos. Sedimentado num "soul cru" como eles mesmos intitulam, composto por baixo, bateria, guitarra, teclados e metais, as faixas vão pouco-a-pouco revelando instrumentos mais exóticos como Xylofones e alaúdes da Africa, instrumentos de percussão da América Central e gongos e flautas da Ásia. Tocado em sua maioria por instrumentistas alemães, há espaço ainda para samples e músicos convidados como Masaru Nishimoto, que dá um toque especial na música Taisho ao tocar um koto, instrumento de corda japonês. O disco traz a presença de MCs como Edan, Mr. Lif, Bajka, Percee P e MED e instrumentistas como Antibalas, El Michels Affair, Quantic e os Dap-Kings. Apesar de indubitavelmente dispendioso - haja viagens, experimentações, agulhadas no vinil - o registro traz um relato convincente e cheio de vigor. Se consolida como obra viva e densa e faz de seu conceito uma prova de fogo que revela a beleza da multiplicidade cultural, sua inspiração criativa.



Dê o play, macaco!
"[2010] Earthology"
links alternativos: Torrent (320kbps)

1. Whitefield Brothers - Joyful Exaltation (feat. Bajka) (1:57)
2. Whitefield Brothers - Safari Strut (3:19)
3. Whitefield Brothers - Reverse (feat. Percee P & MED) (5:27)
4. Whitefield Brothers - Taisho (2:23)
5. Whitefield Brothers - Sad Nile (3:44)
6. Whitefield Brothers - The Gift (feat. Edan & Mr. Lif) (3:54)
7. Whitefield Brothers - Ntu (2:08)
8. Whitefield Brothers - Pamukkale (3:58)
9. Whitefield Brothers - Alin (2:16)
10. Whitefield Brothers - Breakin' Through (feat. El Michels Affair) (4:20)
11. Whitefield Brothers - Sem Yelesh (3:21)
12. Whitefield Brothers - Lullaby For Lagos (feat. Quantic) (2:39)
13. Whitefield Brothers - Chich (2:30)
LEIA MAIS

THE SHAOLIN AFRONAUTS: QUEST UNDER CAPRICORN


P
egue rapidamente um papel e anote uma receita: um tanto bom de Mulatu Astatke; algumas toadas de Tony Allen; um xilofone inteiro com casca; algumas fatias de flautas, oboés e trompetes; e o mais pesado sax-barítono que encontrar. Como este prato é típico da Austrália, acrescente também um canguru maduro e uma xícara de suor maori (opcional). Para dar liga coloque todos esses ingredientes dentro de 18 cérebros habilidosos de músicos altamente entrosados. Sinta-se à vontade para finalizar o prato com a áurea sonora do Ethio-Jazz da safra de 1970. Achou tudo isso demais para seu estômago? Ao menos aos seus ouvidos jamais será. Assim, em meio a loucura generalizada inespecífica, ecoa o som dos Shaolin Afronauts!

Um som que não deve explicação, nem mesmo ser explicado. Talvez por isso a embriaguez de tal receita. O que menos deve ser buscado aqui é alguma banalidade ou obviedade. Ross McHenry, líder da banda, consegue tecer as improbabilidades citadas anteriormente em sua música. Ross conta, neste álbum, com o talento de mais 17 cabeças no total. Pode parecer misterioso demais, e que assim seja. Mistérios cercam (eu cravo que sempre irá cercar) o trabalho dos Afronauts. tanto por sua sonoridade quanto na concepção gráfica e performances mascaradas. "Quest Under Capricorn", de 2012, apresenta passagens tranquilas, estados pre-meditativos, que logo tornam-se promíscuos, intensos e inesperados.

Sem tantas anarquias sonoras, vibram mais perto do High-life - gênero creditado ao oeste africano que carrega a improvisação em sua bandeira - do que do próprio Free-jazz - excêntrico e desenfreado. "Falando em jazz", muitas críticas rendidas à esse disco usam o termo Avant-garde Jazz. Pode ser. Um jazz retro-futurista então? Talvez. Mas sua fundação deve-se, inevitavelmente, ao desempenho histórico de laboratórios africanos quadragenários. Sim, de lá dos anos 60. Psicodelia, futurismo, progressividade, liberdade e boas referências denotam o mais fantástico trabalho dos Shaolin Afronauts. Aprecie o prato por completo e alimente bem seu acervo musical!

Dê o play, macaco!

Website Oficial

Artista: DJ Vadim & Sena
Album: Grow Slow
Ano: 2015
Selo: BBE
Gênero: Broken Beat, Trip-hop, Hip Hop, Electronic, Reggae
Qualidade: Mp3 320 kbps
Tamanho: 105mb



1. The Shaolin Afronauts - Brooklyn (3:33)
2. The Shaolin Afronauts - Gayanamede Prelude (1:16)
3. The Shaolin Afronauts - Winds Across Gayanamede (5:04)
4. The Shaolin Afronauts - Los Angeles (5:47)
5. The Shaolin Afronauts - Quest Under Capricorn (7:33)
6. The Shaolin Afronauts - End Of A Sun (8:22)
7. The Shaolin Afronauts - Amhara (5:17)
8. The Shaolin Afronauts - Voyage Prelude (1:32)
9. The Shaolin Afronauts - Voyage (4:23)
10. The Shaolin Afronauts - Forests Of Io (5:26)
11. The Shaolin Afronauts - Saturn's Dance (3:42)
LEIA MAIS

OFICINA DE MACACOS PODCAST - VOL.5

"SENSIMILLA KULTCHA"


Salve salve! Eis que chega à Oficina o quinto podcast/mixtape com altas pedras pesadas! Seguindo uma linha mais próxima do Rap e do Hip-Hop.  Mas, sem perder a linha, também traz belos flows e beats do Dancehall, Dub e até uma Cumbia adubada tá no meio! Recomendado para as pistas de danças mais classudas. Dezesseis faixas de calibre alto, sempre carregando a proeza de ser ao mesmo tempo pesadas e leves, cada brisa no seu momento! Algo que o fará sacolejar inevitavelmente - pode acreditar! Mixados com todo afinco e carinho por quem vos fala, vulgo Johnny Wazagoo'. Destaques para os brazucas Sombra e Matéria Prima. Também peço atenção especial aos Breaks modernos, de frenéticos grooves, dos produtores Mighty Bop (sampleando Nina Simone), Frenic, JK Soul e, mais uma vez, Sola Rosa. Apreciem sem moderação, compartilhem com exaltação!


Para fazer o download do Podcast na íntegra, clique aqui!


1. The Mighty Bop - Feeling Good (4:14)
2. Kabanjak - Dub To Go (Ancient Astronauts Remix) (6:07)
3. Frenic - Alright (4:20)
4. Sola Rosa - Collie Herb Man (Sola Rosa Remix) (5:02)
5. JK Soul - C`est La Vie (3:16)
6. Sombra - Rap Do Brasil (3:46)
7. DJ Maars & Tom Showtime - Champion Steez (4:03)
8. Blend Mishkin feat. Jamalski - We Are Roots (3:23)
9. Soul Rebel - Train To Skaville (4:59)
10. Dreadsquad - MT-41 Riddim (3:48)
11. Pinchers - Bandalero (Empresarios Dubplate Mix) (4:08)
12. Smokey Bandits - The Rooster (4:48)
13. Matéria Prima - Alucinações (Prod. Gurila Mangani) (2:46)
14. Kanka - Wise (4:42)
15. Gummy Soul - Ooh Instrumental (4:05)
16. Nação Zumbi - Ogan Di Bele (5:13)
LEIA MAIS

BAD JAZZ TROUPE: LOOKING FOR JUPITER


Post relâmpago na Oficina! Rápido, rasteiro e sem cerimônias, assim como tal lançamento da Bad Jazz Troupe. Seis faixas emblemáticas lançadas pela iluminada gravadora Jazz & Milk. "Looking For Jupiter" (de 2010) é um disco, vulgo EP, passageiro que deixará seus tímpanos sedentos por mais! A banda é formada basicamente por Jerker Kluge, requisitado baixista dos Boogoos, e Dusty - deejay mentor e peça-chave da Jazz & Milk Records, além de músicos convidados. Segundo os integrantes do Bad Jazz Troupe, novidades estão por vir - aguardemos! Esta trupe, conforme pregam, resgata a "rebeldia do Jazz", aquele compromisso apenas com a liberdade musical, assim como em sua origem. Mas não pense que daqui flui algo como o Free Jazz, viajadão demais. Pelo contrário, aqui verás, sim, todos os pés e cabeças. As regras libertárias aqui refletem sobre as possibilidades técnicas e tecnológicas em sua produção. São destas regras de produção (se é que ainda existem) que gostam de violar!

Fazem Afrobeat, Ethio-Jazz ou Nu-Funk utilizando dos recursos mais recentes e inusitados. Também não procure aqui a estranheza daquilo que pretende atingir o futurismo absurdo. Usam do bom e do moderno, e isso é nítido, mas ainda apresentam a beleza da organicidade e sentimento em suas músicas. Timbres clássicos, linhas de big-bands e poderosos solos não deixam o modernismo atracar. Em performances ao vivo da trupe, sob o comando de Jerker, músicos altamente qualificados e criativos brisam com arranjos sofisticados, fundindo harmonias e improvisações brilhantes às batidas percussivas inimitáveis de Dusty. Você provavelmente poderia viver sem ter ouvido a Bad Jazz Troupe, mas você jamais teria escolhido tal opção em sã consciência! Compre e ouça o disco aqui!


Dê o play, macaco!
"[2010] Looking For Jupiter"

1. Bad Jazz Troupe - Looking For Jupiter (Dusty Rework) (5:48)
2. Bad Jazz Troupe - Organ Walk (Dusty Rework) (4:59)
3. Bad Jazz Troupe - Breakdown Treat (Dusty Rework) (5:03)
4. Bad Jazz Troupe - Moogie Woogie (5:40)
5. Bad Jazz Troupe - Breakdown Treat (5:29)
6. Bad Jazz Troupe - Looking For Jupiter (Original) (5:09)
LEIA MAIS

WOIMA COLLECTIVE: TEZETA


Fico curioso e surpreso com a quantidade de Ethio-Jazz circulando pelas veias de inúmeras bandas atualmente, evidenciando um momento de ouvidos muito mais abertos para estas expressões antes periféricas. O fenômeno, embora incipiente no Brasil, tem se alastrado e enraiza-se em grupos como Abayomy Afrobeat Orchestra e Bixiga 70. Mas a coisa não para por aí. Vê-se uma devoção generalizada, presente nos mais diversos cantos do ocidente - EUA, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Espanha, França - em grupos como Whitefield Brothers, Eskorzo Afrobeat Experience, Antibalas, Dokkerman and The Turkeying Fellaz, The Funk Ark, The Black Seeds, Afrodizz, The Big Mean Sound Machine, Akalé Wubé, Ocote Soul Sounds, Afro Latin Vintage Orchestra, The Liberators, Ariya Astrobeat Arkestra, Monophonics, The Underbelly, só pra ficar em alguns nomes. Certamente essa direção criativa traz um novo fôlego para o cenário da música, apontando novas explorações melódicas. Tentaremos fazer aqui na Oficina uma cobertura mais fiel do chamado Ethio-Jazz contemporâneo. A começar pelo Woima Collective.

O alemão Johannes Schleiermacher, saxofonista do The Poets of Rhythm, é o responsável pelo projeto que agrega dez cabeças criativas em torno do apreço comum pela música norte-africana. Digamos que o projeto já começa (bem) inspirado: se inicia com uma viagem de Schleiermacher para o Marrocos e, posteriormente, soma-se a algumas conversas sobre música africana com a lenda-viva do Ethio-Jazz Mulatu Astatke. Com toda essa bagagem era de se esperar que Schleiermacher viesse expressar com suas próprias mãos algo do nível de sua experiência. Não demorou muito para movimentar uns amigos e batizar o grupo de Woima Collective, sendo Woima um rítmo da Guiné. Em 2010 gravavam o album "Tezeta" - termo que também significa um tipo de música etíope.

Para recriar as paisagens norte-africanas deslumbradas por Schleiermacher, o grupo se utilizou de uma catálise musical que é executada seguindo uma base rítmica percussiva, e que proseia ao longo das faixas, com diversos elementos como moogs, sopros totalmente influenciados por rítmos e escalas marroquinas, e característicos licks de orgão Astatkeanos. É importante ressaltar que embora o disco seja concebido como uma celebração de rítmos norte-africanos, ele não intenta ser ortodoxo. As inspirações tem seu espaço bem como as experimentações advindas de outros espaços e momentos, e são estas últimas as responsáveis por trazerem para o registro heterogeneidades. O que quero dizer, é que as faixas podem resvalar tanto sob um Dub, como em "No Way But Still Walkingaté", quanto sob a música atonal como no desfecho de "Wilder Mann". É principalmente por conta disso que o disco ganha originalidade, e não cai na armadilha de seguir caminhos repetitivos, num momento de inspirações comuns!


Dê o play, macaco!
"[2010] Tezeta"
links alternativos: Depositfiles.com (.flac) ou Turbobit.com (.flac)

1. Woima Collective - Marz (3:46)
2. Woima Collective - Credo (4:34)
3. Woima Collective - Woima (3:14)
4. Woima Collective - Gaaf (3:11)
5. Woima Collective - Puno (3:21)
6. Woima Collective - No Way But Still Walking (5:20)
7. Woima Collective - Cavemans Revenge (3:29)
8. Woima Collective - Wayna (3:07)
9. Woima Collective - The Cave (5:03)
10. Woima Collective - Gidama (3:32)
11. Woima Collective - Illusions (4:57)
12. Woima Collective - Wilder Mann (2:32)
LEIA MAIS

OFICINA DE MACACOS PODCAST - VOL.4

"MAIS DUB POR FAVOR"


"Mais Dub, por favor!" - gritou o engenheiro primata em tom incisivo e fugaz. E mais, mandou avisar que agora, neste quarto Podcast, o buraco é mais embaixo. Com baixos pesados, de graves ensurdecedores. Desta vez, o Dub te lembrará do poder de amar, amar a música antes de mais nada! Com ajuda de uma seleta nebulosa, vai amar aquela música surgida, quase num acaso, entre marolas e dreads jamaicanos. Este é o Dub, pesadíssimo e armado com as melhores vibrações até os dentes. A música em sua espontânea fundação. Sem caô, nem aviso. Sem furor, nem cativo. De Criolo a Mungo's Hi-Fi, de Anelis com Victor Rice a Gofrilab, este é mais um capitulo da saga de nossa Oficina de Macacos no mundo dos Podcasts. "Sinta a música e entre dentro dela" já pregou o poeta! Faça bom proveito, comente e compartilhe sem dó! Bless, monkeys!


Para fazer o download do Podcast na íntegra, clique aqui!


1. Mia Doi Todd - Canto De Iemanjá (Interlude)
2. DJ Farrapo & Yanez - Preciso Mudar (feat. Eloisa Atti & Mc Magú)
3. Webcam Hi-Fi - Harrar Dub
4. Dr. Ring-Ding & The Senior Allstars - Call Di Doctor Remix (Feat. Storm da Ghetto Mutant)
5. Anelis Assumpção - Not Falling (Victor Rice Dubwise Mix)
6. Criolo - Samba Sambei (Dub Edit)
7. Dr. Ring-Ding & The Senior Allstars - Rudeboy Style Remix
8. Dreadsquad Feat Tenor Fly - Sweet Thing (Riddim Tuffa Digital Remix)
9. Gofrilab - Dub Style
10. Chinese Man - Racing With The Sun
11. Panda Dub Feat. Joe Pilgrim & Shantifa - I'm In The Mood
12. Mungo's Hi Fi & Daddy Scotty - Wicked Tings A Gwaan
13. Bambas Dois - Little Johnny (feat. Chico Cesar & Jah Marcus)
14. Mariana Aydar - Onde Esta Você
15. Luiz Gonzaga - Erva Rasteira (Edit)
LEIA MAIS

FREVO DO MUNDO

Vez ou outra um disco contemporâneo divide tanto o tempo com coisas mais antigas na minha playlist. Recentemente aconteceu com o Frevo do Mundo, produção lançada em 2008 pela Candeeiro records. Selecionado pelo Programa Petrobrás Cultural, o disco traz a proposta de homenagear o centenário do mais tradicional ritmo pernambucano, o frevo. Quem como eu acha que discos de homenagem são perigosos, pois correm o risco de serem ofuscados pela obra homenageada e virarem sombras do homenageado, deve dedicar atenção à este.

O projeto funciona como um diálogo geracional, respeitoso sim mas não acanhado, e por essas e outras surpreendente. Consta do tradicional frevo de Capiba, Luiz Bandeira e Aldemar Paiva, reinventados pela Orquestra Imperial, Mundo Livre S/A, Eddie, China, Siba e a Fuloresta, Erasto Vasconcelos, Edu Lobo, João Donato, Isaar, Cordel do Fogo Encantado, 3 na Massa, Flor de Cactus e a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério (OPBH). O esmero e a criatividade são nítidas intenções colocadas à prova, e que felizmente são alcançadas com maestria. Presente nos arranjos, nas sonoridades digitais que dividem espaço com o lirismo de outrora, e ainda na construção bem-humorada dos mesmos, tudo se harmoniza e se completa. Destaques para as notas aveludadas de João Donato, que muito à vontade transformam o frevo em coisa sua; a composição de Fred 04, única música composta recentemente, que faz uma hilária marcha de duplo sentido com Metendo Antraz; também as versões com mais elementos da música pop: Só Presta Quente, com Ortinho, e Oh! Bela, com o cantor China e o Sunga Trio, que disse que "um frevo tão popular tinha que ter uma roupagem popularesca, numa mistura de Daftpunk, Kelly Key e Capiba”; e ainda o eletrônico de Rica Amabis, Dengue e Pupillo, que casa muito bem com os arranjos do mestre Spok no frevo-de-bloco Frevo de Saudade interpretado pela cantora Céu.

Seria imperdoável não pontuar o rigor na produção e na direção artística que permitem a execução da premissa com um grande número de artistas. Parece muito bem intencionado contemplar vários maestros da orquestração pernambucana, como o mestre Spok e ainda, Duda, Clovis Pereira, Ademir Araújo e ainda os veteranos instrumentistas João Donato e Edu Lobo. São eles que providenciam bases sólidas e dão diretrizes para as trilhas inovadoras desta geração, o que mostra que a revolução musical, a reinvenção do passado de que falou Chico Science, não se faz sem referência, aprendizado. Neste sentido pontos a mais para os maestros e Pupillo, que além de manejar as baquetas do 3 na massa, toma conta da produção do grandioso album. O maestro Spok, que tem se destacado com seu incrível trabalho de renovação do frevo, elogia a proposta. “Foi maravilhoso tocar com os músicos da nova geração. Na verdade, eu transito bem entre a tradição e a novidade. Gosto muito das duas tribos”, ressalta.



Dê o play, macaco!
"[2008] Frevo do Mundo"

1. Banda Eddie - É de fazer chorar (3:20)
2. João Donato - Fogão (3:45)
3. Céu e 3 na Massa - Frevo de saudade (3:41)
4. Mundo Livre S/A - Metendo Antraz (2:26)
5. Orquestra Imperial - O dia vem raiando (3:29)
6. China e Sunga Trio - Oh, bela! (4:40)
7. Ortinho - Só presta quente (3:16)
8. Siba e a Fuloresta - Os melhores dias de minha vida (2:59)
9. Cordel do Fogo Encantado - Saudade (2:31)
10. Isaar de França - Paraquedista (4:20)
11. Flor de cactus - Inquenta muié (2:32)
12. Edu Lobo - Recife (frevo n.1) (2:23)
13. Erasto Vasconcelos - Papel crepon (3:15)
14. Orquestra Popular da Bomba do Hemetério - Cabelo de fogo (2:57)
LEIA MAIS

RODRIGO CAMPOS: BAHIA FANTÁSTICA


Rodrigo Campos, crescido e muito bem ambientado em São Mateus, viajou à Bahia e à partir desta experiencia relâmpago gestou o seu mais brilhante trabalho. "Bahia Fantástica", lançado em 2012, firmou-se n a contradição criativa do compositor. Em seu primeiro trabalho, "São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe", Rodrigo Campos aproxima, quase transfundindo, o cotidiano em São Mateus à seu sangue, minado com maestria em canções belas e espontâneas. Agora a estória é outra, sua concepção criativa se fez arrebatada em seus dez dias na terrinha de tantos mestres, de Caymmi à Canô, de Jorge Amado à Bimba. "Sempre tive preconceito com isso. Minha atitude como músico sempre foi aproximar aquela música que eu gosto do meu cotidiano. Às vezes eu via esse movimento de sambistas que moravam em São Mateus falando da Lapa, de não sei da onde… 'Porra, os caras moram aqui e ficam falando da Lapa'. E de repente me vi falando da Bahia.", frisa o compositor.

Desta fase sobrou a habilidade e delicadeza ao poetizar o cotidiano, mesmo que a atual temática seja fruto de um cotidiano de ficção não vivida. Criou na Bahia laços de identidade profundos e, melhor, traz de lá timbres misteriosos e poesias sutis como deve ser. Além de sua destreza ao compor, que se mostra intocada e sazonada, o recurso de citar/criar nomes nas faixas se faz presente. Talvez seja sua personificação em personagens abaianados, ou ainda a sua parte que por lá ficou e criou identidade própria. É fato que a proximidade de Rodrigo com a Bahia, em algum momentos, se fez. E no disco inteiro ela não se desfaz. Por tantas marcas positivas, mesmo ponderando o risco em expressar algo tão novo, o disco estaria fadado ao eminente sucesso. Na verdade o buraco é mas embaixo, mas Rodrigo Campos convocou bons, muito bons, amigos para ajudar a tapar as brechas. Com o time escalado a pontaria certeira seria algo fatídico, estes músicos não erram o alvo.

Participam como convidados Criolo, Luiza Maita, Gui Amabis, Juçara Marçal e Gui Held, dentre outros. E no palco, segurando as pás de terra, temos Thiago França, M. Takara, Maurício Fleury, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Romulo Fróes (que assina a direção musical e artística) e Gustavo Lenza na gravação e mixagens. Você deve estar pensando que a lista dos integrantes deveria estar no começo do tópico, para facilitar o entendimento. Se assim o fizesse todo o resto da resenha perderia valor, poucos leriam até o final. Isso porque estes estão entre os mais importantes músicos da nova safra tupiniquim, inconteste! Recomendo que procurem saber sobre todos os projetos destes músicos e ficará à par da nata mais nutritiva da nova musica popular brasileira. Agora que conhecem o backstage desta obra-prima, sintam-se à vontade (acho pouco provável fazer o contrário) e baixem este pepita maravilhosa! (+info)


Dê o play, macaco!
"[2012] Bahia Fantástica"

1. Rodrigo Campos - Cinco Doces (2:27)
2. Rodrigo Campos - Princesa do Mar (3:00)
3. Rodrigo Campos - Ribeirão (3:40)
4. Rodrigo Campos - Beco (3:44)
5. Rodrigo Campos - Morte na Bahia (1:47)
6. Rodrigo Campos - Sete Vela (4:31)
7. Rodrigo Campos - Aninha (2:48)
8. Rodrigo Campos - Jardim Japão (4:58)
9. Rodrigo Campos - General Geral (7:11)
10. Rodrigo Campos - Elias (4:22)
11. Rodrigo Campos - Capitão (1:47)
12. Rodrigo Campos - Sou de Salvador (2:57)



~integrantes:
Rodrigo Campos – voz e violão
Gustavo Lenza – gravação e mixagem
Rômulo Fróes – direção artística e musical
Kiko Dinucci – guitarra
Marcelo Cabral – baixo elétrico, baixo acústico e arranjos de cordas
Mauricio Fleury – wurlitzer, hammond, piano
M.Takara – bateria
Thiago França – sax tenor, flauta e EWI
LEIA MAIS

OFICINA DE MACACOS PODCAST - VOL.3

"SWING BEATS AND OTHER GROOVES"


Hoje é dia de mostrar a cara, em outras palavras, mostrar o resultado de nosso próprio trampo. Discotecagem não é brincadeira e a labuta é corrida. Como já dizia o velho poeta: "Cochilou o cachimbo cai". Seguindo tal sermão apresentamos a todos os cacos de plantão mais novo podcast patrocinado pela Oficina de Macacos. Como o nome já antecipa, "Swing Beats And Other Grooves", traz à tona grandes tracks, recém lançadas ou não, mixadas com as melhores intenções. Dance, absorva e promova a boa música - você não estará sozinho nessa, de alguma forma estamos contigo. De Marcos Valle a Jurassic 5, de Isley Brothers a Snoop "Cumbia" Dogg! Seleção propícia a todas as festinhas bacanudas que os mais ferozes amantes da música frequentam. Recheie seu pen-drive e tenha em mãos uma pesada carta na manga. Dê o play, corra para a pista de dança e represente! Por todo e sempre!


Para fazer o download do podcast na íntegra clique aqui!

1. Marcos Valle - Mentira (Billa Qause Edit)
2. Basement Freaks - Soul Men (Umbo Remix)
3. The Isley Brothers & De La Soul - It's A New Things (It's Your Thing)
4. Sola Rosa - I've Tried Ways Ft. Serocee (Yesking Remix)
5. Taggy Matcher - Nautilus
6. Una Mas Trio - Balkumbia
7. Quantic & Su Conjunto Los Myticos Del Ritmo - Nuthin' But A G Thing (Dre En Cumbia)
8. Dr. Dre & Snoop Dogg - Next Episode
9. Maker - Africumbia
10. Empresarios - Maria Juana (Fort Knox Five Remix)
11. Musi Kal - Te Pico El Yaibi
12. Bad Jazz Troupe - Breakdown Treat (Dusty Rework)
13. Morlack - Bogaaloo (Original Mix)
14. Dusty - Seventy Three
15. Jurassic 5 - Canto De Ossanha
16. Captain Planet - Macumba
LEIA MAIS

SAVAVE: VERSÃO EXTENDIDA


Agora é hora de admirar o Hip-Hop nacional, mais um grande petardo de flow brazuca. Bons mcs, ótimos produtores? "Tá teno". A pepita de hoje vem lá de baixo, de Curitiba-PR. Savave é o nome da peça, diversos são os escultores. Na verdade Savave é a união de dois materiais: Thiago Pródigo e Vinícius Nave. Tal arte saiu expressa em um disco pesado, carregado de excelentes referências, beats estonteantes, rimas precisas e participações cabreiras. Cada track é produzida por algum guru da cena (ou quase isso). Alguns dos principais nomes da produção moderna são os responsáveis pelo resultado arrebatador: Munhóz, Renan Samam, Casp, Laudz Thew Franklin, além da própria dupla. Ainda trouxeram na bagagem participações dos monstros Kamau, Ogi e Black Alien.

Pra você que curte um bom Rap, tá em casa. Pra tu que ainda tem barreiras com o gênero, toma tento e dê o play sem titubear! Lançado em 2011, depois de alguns pomposos EPs promocionais, "Versão Extendida" ilustra muito bem a maré alta de nossos rimadores/produtores brazucas. Como  adendo, devemos enfatizar alguns nomes desta nova leva, como: Rapadura, Daniel Ganjaman, Uzi, Pentágono, Nyack, Mc Ralph e OQuadro. Destaques para as faixas: "No Bonde", "Sente O Peso", "Tá No Play", "Tudo Por" e "Não Pesa"! O disco foi disponibilizado no site oficial da dupla, agradecemos! Surpreenda-se com a sonoridade obtida: um mesclado com pitacos de Soul, refrões marcantes e mensagens que ressaltam realidade, cotidiano e paixão pela música brasileira! Que assim seja, ouça tal preciosidade e, finalmente, sinta-se tocado pelo "novo Rap" tupiniquim. E que este gênero siga em frente, quebrando barreiras, furando fronteiras e atingindo á todos, hoje e sempre! (+info)


Dê o play, macaco!
"[2011] Versão Extendida"

1. Savave - Intro (Versão Extendida) (Prod. Thiago Prodigo) (1:02)
2. Savave - No Bonde part. Ogi (Prod. Nandes Castro) (4:19)
3. Savave - Tá No Play (Prod. Nave) (2:36)
4. Savave - Conecte-se (Prod. Munhoz) (3:11)
5. Savave - Não Pesa (Prod. Nave) (3:10)
6. Savave - Quem Me Viu (Prod. Renan Samam) (2:41)
7. Savave - Guerra Em Mim (Prod. Laudz) (3:03)
8. Savave - Tá Suave (Prod. Renan Samam) (2:55)
9. Savave - Só Preciso part. Filiph Neo (Prod. Casp) (4:19)
10. Savave - Não É Problema Meu (Prod. Thiago Prodigo) (2:23)
11. Savave - Tudo Por part. Black Alien (Prod. Nave) (3:00)
12. Savave - Sente O Peso (Prod. Nave) (2:36)
13. Savave - Bora (Prod. Thew Franklin) (3:07)
14. Savave - Sente O Peso part. Kamau (Remix) Bonus Track (3:34)

LEIA MAIS

OFICINA DE MACACOS PODCAST - VOL.2

"LO-FI DUB EXPERIENCE"


Há cerca de um mês publicamos nosso primeiro podcast oferecido pela Oficina de Macacos e mixado por quem voz fala: Johnny Wazagoo'! A repercussão foi estrondosa, atingimos picos de "audiência" e o podcast chegou longe, bem longe! Antes de mais nada, agradeço a todos que fielmente buscam aqui no blog novas ondas, indicações e referências - além das palavras positivas sobre o trabalho em geral. Agora, como prometido, vamos meter marcha e avançar nesta nova saga. Desta vez o podcast veio carregando pesos do Dub e alguma coisa de Hip-Hop (ou Trip-Hop). É nessas ondas nebulosas do Dub que melhor nos identificamos, é nela que vamos mergulhar! Na próxima edição garanto brisar por outras paisagens sonoras - quissá um mix reverenciando minha segunda paixão: o Afrobeat! Por ora é o que temos, artistas consagrados e outras raridades mesclados a 83bpm, dando aquela pegada cool, inebriante e deveras emocionante. Neste catado, dentre outros, temos: Ranking Joe, Zion Train, Pentágono, Exmag (projeto paralelo do Gramatik), versão adubada de Shawn Lee para um clássico do Gorillaz e uma track inédita, feita por mim, misturando Hocus Pocus e John Frum. No mais, sem mais! Big-up, dear monkeys!


Para fazer o download do Podcast na íntegra, clique aqui!


1. Grant Phabao & The Jays - African Man (Swing Remix)
2. Zion Train - Why (Alambic Conspiracy)
3. Groove Corporation - Peacetime
4. Dubmatix - Give Thanks & Praises (Feat. Ranking Joe)
5. Quantic - Make Dub Not War
6. Jinx in Dub - Traffic Jammin'
7. Jugoe - Twiddle
8. Extraordinary Magnitude Vs. Blackstreet - No Diggity
9. I Wayne Meets The Overproof Soundsystem - Satisfied Her
10. The Silverstones Meet G Corp & Big Youth - Feel Alright
11. John Frum & Hocus Pocus - Healing HipHop Dub (Wazagoo' Remix)
12. Chinese Man - Skank In The Air
13. Shawn Lee's Ping Pong Orchestra - Clint Eastwood
14. Pentagono - Noiz É Nêgo
LEIA MAIS

ELECTRIC WIRE HUSTLE: WATERS


Para quem acha que a Soul music e o Hip-Hop se perderam, mostraremos que dá para lamentar menos, e se surpreender com os artistas que pintam por aqui hoje. Electric Wire Hustle é um trio neozelandês, que inspira-se basicamente no Hip-Hop, no Jazz e no Soul para expressarem sua própria sonoridade. O trio têm registrado uma obra singular e coesa, que pode ser classificada como um nu-soul, marcante e moderno. Disponibilizaremos por aqui um EP chamado Waters, que contém músicas de um longa posterior chamado Hydro, logo, atentamos que não são navegantes de primeira viagem. Já têm uma bagagem pós-EP, que conta inclusive com participações das duas vozes femininas mais vanguardistas do hip-hop, Stacy Epps e Georgia Anne Muldrow. Por ora, seu outro disco, Hydro de 2011, tornou-se artigo raro, inserido no contexto de caça às bruxas da pirataria. Fiquemos com Waters que já proporciona um bom play, e se a vontade de ouvir mais permanecer, fica a dica para que sigam para o site do grupo, que disponibiliza o album para full-streaming.

"Waters" não é um disco de soul, como foi dito anteriormente, nem de hip-hop. Não é nossa intenção compararmos as potências vocálicas do protagonista da banda com as de um Al Green, pois são incomparáveis, nem os beats do album com aqueles eternizados por J-Dilla. Mas citamos ambos sim, pois é sensível um estado de espírito soulful neste EP, tanto com os timbres usados - os Rhodes, algo dos sintetizadores -, quanto com alguns falsetes realizados por Mara TK, além dos beats marcantes e densos que fazem lembrar Dilla . O que temos então? Uma inspiração clara, mas revigorada, nova, fresca, criativa o suficiente para dizermos que é algo novo, de originalidade. Ponto para eles!



Dê o play, macaco!
"[2010] Waters"

1. Electric Wire Hustle - Waters (5:43)
2. Electric Wire Hustle - Chaser (4:45)
3. Electric Wire Hustle - Longtime (5:42)
4. Electric Wire Hustle - Waters (Instrumental) (5:42)
5. Electric Wire Hustle - Chaser (Instrumental) (4:45)
6. Electric Wire Hustle - Longtime (Instrumental) (5:16)
LEIA MAIS

LIVING IN THE STREETS (VOL.1-2-3)


Dean Rudland pode não ser um dos nomes mais conhecidos entre os entusiastas do Soul, Jazz e Funk, no entanto, antes de tropeçar no pré-julgamento, saiba que Rudland é um dos mais notáveis DJs conhecidos por compilar obras significativas dos citados gêneros. Com conhecimento de causa, pois excursionou à exaustão enquanto jovem por lojas de discos e sebos, além de ter frequentado desde cedo a cena de acid-jazz, em voga nos anos 90. A combustão à fagulha inicial da paixão de Rudland por música, não foi apagada nunca mais. Trabalhou posteriormente com algumas das mais altas representações do acid-jazz/soul daquela época como Jamiroquai e o Brand New Heavies e conseguiu de lambuja um invejável cargo de compilador na renomada gravadora de jazz, Blue Note, onde lançou uma notável compilação chamada Blue Break Beats, que lhe abriu outras portas. Revisitemos então mais uma compilação diferenciada que traz o groove dos 70's ao palco da Oficina. Ao selecionarmos o melhor no assunto, optamos por disponibilizar uma obra de um verdadeiro mestre. E assim cai nas mãos do leitor/ouvinte a coletânea "Living In The Streets", uma trilogia lançada pela BGP Records que compila um vasto número de obras da tríade musical de raízes afro-americanas que mais bombavam nos guetos norte-americanos dos anos 70: Soul, Jazz e Funk.

A promessa do Volume 1, "Wah Wah Jazz, Funky Soul, And Other Dirty Grooves", é verídica. Mesmo que as primeiras faixas não brilhem tanto - o cover de "Use Me" de Isaac Hayes não chega aos pés da versão original de Bill Withers - neste disco, o ouvinte encontra o mais explosivo e representativo dos três discos. O volume um é uma compilação de fôlego, Dean Rudland parece por mais e mais labaredas musicais na pista no desenrolar do disco. Embora várias faixas tenham seu valor, ficamos com três destaques. "You" de Spanky Wilson, é impecável, tem groove, tem potência, e qual letra pode ser mais flamejante do que aquela que fala das labaredas da paixão? Rudeland ainda escolhe com maestria "I Don't Know What It Is But It Sure Is Funky" do Ripple e nos mostra do que é feito uma verdadeira rocha do funk: riffs pesados, arranjos de metais marcantes e vocalizações simples, porém eficazes em sua missão de trazer irreverência e balanço. "Marriage is a state of vibes" de Dave Hamilton é outro pico do disco, trazendo um funk jazz, onde a guitarra e o vibrafone se tornam elementos principais, evocando um som mais smooth, perfeito para trilhas sonoras de Blaxpoitation.



Dê o play, macaco!
"[1999] Living In The Streets - Vol.1"
link alternativo (.torrent) ou (.flac)

1. Isaac Hayes - Use Me (5:51)
2. Tammi Lynn - Light My Fire (4:02)
3. Caesar Frazier - Mighty Mouse (5:22)
4. Spanky Wilson - You (2:16)
5. Pazant Brothers - Loose And Juicy (5:16)
6. Houston Person - Sweet Buns And Barbeque (3:06)
7. Jacqueline Jones - One Monkey Can't Stop The Show (3:31)
8. Cal Tjader - Gimme Shelter (2:54)
9. Ripple - I Don't Know What It Is But It Sure Is Funky (3:27)
10. Idris Muhammad - Brother You Know You're Doing Wrong (5:41)
11. Dave Hamilton - Marriage Is A State Of Vibes (3:37)
12. The Fatback Band - Mister Bass Man (3:20)
13. Preston Love - Chili Mac (3:39)
14. Preston Epps - Afro-Mania (2:49)
15. Sonny Constanzo Big Band - New Beginning (4:55)

###

O Volume 2, "More Wah Wah Jazz, Funky Soul And Other Dirty Grooves", promete mais do que cumpre. Diz que é uma continuação pelo caldeirão de raridades do disco um - e é assim que esperamos que seja quando começamos a ouvir Katie Love cantando "Don't Let It Go to Your Head", que faz lembrar Jacksons 5 - no entanto no decorrer do disco, vem a tona um funk mais voltado para o disco, onde a improvisação tem mais valor do que os elementos presentes no disco anterior. A maioria dos artistas presentes são desconhecidos para os mais leigos, e talvez continuem sendo, pois é preciso paciência para ouvir aquelas músicas em que o único sentido é o improviso. Sobra cafonice, aqueles vocaizinhos que tentam ser sensuais, harpas e gaitas em abundância, aqueles timbres percussivos bregas que só o finalzinho dos 70's e os 80's pode nos oferecer. Em alguns casos, a mesma linha melódica ecoa durante uns 7 minutos na sua cabeça.



Dê o play, macaco!
"[2001] Living In The Streets - Vol.2"
link alternativo (.torrent)

1. Katie Love And The Four Shades Of Black - Don't Let It Go To Your Head (2:06)
2. Brenda George - I Can't Stand It (2:43)
3. Letta Mbulu - Afro Texas (3:33)
4. Joe Houston - Kicking Back Pts 1 & 2 (7:30)
5. Joe Bataan - Theme From The Men (7:19)
6. King Errisson - Sleep Talk (3:08)
7. The Mighty Tom Cats - Love Potion-Cheeba-Cheeba (4:28)
8. Macho - Mucho Macho (3:53)
9. Irene Reid - I Must Be Doing Something Right (2:37)
10. Byrdie Green - Return Of The Prodigal Son (3:19)
11. Sharon Cash - Fever (2:40)
12. Spanky Wilson - Kissing My Love (4:16)
13. Esther Marrow - And When I Die (5:01)
14. Walter Hawkins & Selah - Where Will You Run (3:30)
15. Jambo - Harrambee (3:14)
16. Preston Epps - Africa (6:20)

###

O terceiro e último volume da série, "Busting Out Of The Ghetto", retoma o primeiro volume, traz elementos do soul/funk raiz, e músicas de seus representantes, como Fatback Band e Spanky Wilson além de mostrar músicas mais recentes, abertas à outros elementos melódicos, inspiradas no rock e até no rap como acontece com Vicious Rap, de Tanya Wynley. O resultado é uma coletânea mais fusion que raiz, mas como a capa nos avisa, é o gueto saindo do seu lugar-comum, se hibridizando. Vale o play.



Dê o play, macaco!
"[2004] Living In The Streets - Vol.3"
link alternativo (.torrent)

1. Carlos Malcolm - Bustin' Outta The Ghetto (3:16)
2. The Generation - I'm A Good Woman (4:24)
3. Billy Hawks - (Oh Baby) I Do Believe I'm Losing You (3:05)
4. The Mighty Tom Cats - Dance Girl (3:46)
5. Fatback - You Gotta Believe (3:15)
6. The Mighty Tom Cats - Soul Makossa (4:27)
7. Tanya Winley - Vicious Rap (7:14)
8. Bobby Rush - Mary Jane (2:27)
9. King Hannibal - The Truth Shall Make You Free (3:19)
10. Johnny King And The Fatback Band - Peace, Love Not War (2:40)
11. Winfield Parker - Starvin' (3:56)
12. Spanky Wilson - He Called Me Baby (4:36)
13. East LA Car Pool - Seeds Of Life (3:51)
14. Jade - Viva! (Viva Tirado) (3:05)
15. Gary Bartz - I've Known Rivers (8:37)
16. Lorez Alexandria - I'm Wishin' (3:01)
17. Pat Bowie With Charles McPherson - Feeling Good (4:13)
LEIA MAIS

TREASURE ISLE HOTTEST HITS (VOL.1-2-3)


Há algum tempo não colocamos aqui álbuns que remetam às verdadeiras raízes do Reggae - aqueles que trazem o poder da música simplista, gravada com poucos recursos técnicos e floreadas com muito feeling. A tacada de hoje resgata essa linha da música jamaicana. São três discos que coletam o mais fino do acervo da Treasure Isle (uma das mais importantes gravadoras da época). Nada menos que quarenta faixas, todas nascidas nos primórdios da década de 1960, surfando tranquilas nas melhores ondas do Rocksteady, Lovers Rock e Soul. Como já adjetivamos em outros posts, esta também é uma coletânea tão agradável que fará até sua mãe sacolejar o esqueleto, provavelmente relembrando os bailes (ou jantares-dançantes) de sua época. Não é por menos, a relação desta fase da música jamaicana era realmente próxima ao Rhythm & Blues americano. Quer conhecer "um pouco" da história da música feita na ilha jamaicana? Então, experimente já deste veneno!

Todo produzido com a destreza de Duke Reid é um pacote de tirar o fôlego! Sem estender demais o assunto, estas pepitas sonoras carregam grandes passagens harmônicas e rítmicas, sempre caracterizada pelo groove jamaicano - ou caribenho em geral. Belos falsetes, precisos backing-vocals, timbres calorosos e pegadas enérgicas e relaxantes ao mesmo tempo. Algo que de repente fuja dos adjetivos, termos e rótulos. Posso arriscar que esta seja uma coletânea definitiva do início da "saga do Reggae", por assim dizer. O que realmente nos move aqui é a boa vibração proporcionada, o "sentimento sonoro" captado por nossos tímpanos e refletido na alma! Não tenha dúvida do alcance destas singelas e encantadoras canções. O poder da música jamaicana se faz atemporal e inimitável exatamente à partir desta leveza e irreverência evocada. Atente-se aos grandes nomes como Alton Ellis, Paragons, Sensations, Phillys Dillon e John Holt, mas jamais desvie o olhar dos demais. Divirtam-se e propaguem tamanha experiência!


Dê o play, macaco!
"[1968] Treasure Isle Hottest Hits - Vol.1"
link alternativo (.torrent)

1. The Sensations - Those Guys (2:22)
2. The Melodians - Come On Little Girl (2:21)
3. Dobby Dobson - Loving Pauper (3:11)
4. The Silvertones - Midnight Hour (2:38)
5. Vic Taylor - Heartaches (3:11)
6. Alton & The Flames - Cry Tough(extended) (4:09)
7. The Techniques - Queen Majesty (3:28)
8. Hopeton Lewis & Phillis Dillion - Right Track (2:26)
9. The Sensations - I'll Never Fall In Love (2:16)
10. The Paragons - The Tide Is High (2:40)
11. The Jamaicans - Things You Say You Love (2:44)
12. The Three Tops - It's Raining (2:55)
13. The Three Tops - Do It Right (2:26)
14. Tyrone Evans - If This World Were Mine (2:18)
15. The Paragons - On The Beach (2:32)
16. Nora Dean - Barb Wire (2:17)

###


Dê o play, macaco!
"[1968] Treasure Isle Hottest Hits - Vol.2"
link alternativo (.torrent)

1. Alton Ellis - Girl I've Got A Date (2:37)
2. The Sensations - Every Day Is A Holiday (2:29)
3. Freddie McKay - Love Is A Treasure (2:43)
4. Phyllis Dillon - Don't Stay Away (2:32)
5. The Melodians - You Don't Need Me (3:12)
6. The Techniques - My Girl (2:39)
7. Phyllis Dillon - Perfidia (2:36)
8. Alton Ellis - La La Means I Love You (3:10)
9. The Techniques - Travelling Man (2:34)
10. The Melodians - I'll Get Along Without You (2:56)
11. Joya Landis - Moonlight Lover (2:26)
12. The Techniques - I Wish It Would Rain (2:16)

###


Dê o play, macaco!
"[1968] Treasure Isle Hottest Hits - Vol.3"
link alternativo (.torrent)

1. Joya Landis - Moonlight Lover (2:34)
2. Alton Ellis - Remember That Sunday (2:38)
3. The Paragons - Wear You To The Ball (2:38)
4. The Techniques - Love Is Not A Gamble (2:37)
5. John Holt - Stealing Stealing (1:56)
6. Hopeton Lewis - Boom Shaka Lak (2:45)
7. Claudette Miller - Tonight Is The Night (2:52)
8. Phyllis Dillon - The Love That A Woman (3:27)
9. Justin Hines & The Dominoes - Sinners (3:05)
10. The Techniques - There Comes A Time (2:29)
11. Clive & Doreen - What More Can I Do (2:31)
12. John Holt - Ali-Baba (2:37)
LEIA MAIS

OFICINA DE MACACOS PODCAST - VOL.1

"TROPICAL GROOVES ADVENTURES"


Extra, extra, extra! Lançado agora ao ventilador o nosso primeiro Podcast. Sim, aquelas selectas mixadas recheadas de pepitas preciosas - pra ouvir a um click. Agora também vamos nos aventurar nesses mares, todo mês um Podcast novo no ar! A Oficina de Macacos não está de bobeira na pista, vamos evoluindo e vocês pegam carona. Logo maiores novidades, mas por enquanto é isso! Tropical Grooves Adventures é um catadão com os mais dançantes e inusitados grooves latinos. Uma pegada moderna e altamente instigante, pra embalar as baladas que se prezem. Faixas com muito suingue, batida marcante e loucos refrões. Ouça, curta, dance e espalhe para os conhecidos bons ouvintes. Sinta-se a vontade para comentar, perguntar e criticar! Para fazer o download do Podcast na íntegra, clique aqui!


tracklist:
01 - Sono Rhizmo - Mambocito Mio
02 - Sono Rhizmo - E Isso Ei
03 - Dedy Dread - O Bananeiro
04 - DJ Maars - Jump Around (Reggae Refix)
05 - Sono Rhizmo - Barbwire
06 - Kill Emil - Porfavor
07 - Sono Rhizmo - I'm Your Sexmachine
08 - The Black Seeds - Rotten Dub (‘Rotten Apple’ D-Duff Remix)
09 - Sola Rosa - Turn Around feat. Iva Lamkum (TM Juke Remix)
10 - Kill Emil - Maquinas Quentes
11 - Panama Cardoon - Moliendo Cafe
12 - Palov - Not A Typical Jamaican
13 - Hammond Classics - Caribe
14 - Sergio Mendes - Ê Menina (Hey Girl)
15 - Jorge Ben Jor - Energia Bom Bom (Edit)
LEIA MAIS

BLACK MERDA: THE FOLKS FROM MOTHER'S MIXER

Merda pouca é bobagem, música pouca também. A banda norte-americana, Black Merda é (mais) um curioso caso que só acontece no cenário musical. É bom deixar claro que o sentido correto veio de "Black Murder" (algo livremente traduzido como "Assassinato Negro"). Talvez nem conhecessem a palavra, ou palavrão, brasileiro - mas em terras de língua portuguesa é conhecida por "Black Merda" mesmo. Pouco importa além da inusitada escolha vocabular, afinal este não seria jamais um adjetivo para o trabalho da banda. Pelo contrário. Formada em Detroit, nascida em meados de 1960, é considerada a (atenção!) a "primeira banda totalmente negra do rock". Só por isso já valeria o ingresso. "O que os negros teriam para o rock?". Logo, em poucos anos, outros grandes nomes responderiam definitivamente bem tal questão. Um deles é um tal de Jimi Hendrix, que por sua vez, com suas paletadas marcantes, revelou sua identidade e fascínio pelo som do Black Merda!

A pegada carrega fortes traços do Soul, mas sempre com aquele groove pesado e preciso que só os autênticos blacks fazem (ou não?). Outra característica que fica a frente dos bois são os timbres e distorções psicodélicos. Ao ouvir irá lembrar inevitável e inquietamente do tal Hendrix citado anteriormente. São, respeitando as particularidades, igualmente incríveis. A banda era formada essencialmente pelos irmãos Anthony e Charles Hawkins, ambos guitarristas, o baixista VC Veasey L. e mais Hite Tyrone na bateria. Lançaram dois discos oficialmente: o primeiro é de 1970, que leva o mesmo nome da banda, "Black Merda"; o segundo, de 1972, é o "Long Burn The Fire". Em 2005 uma grande ideia virou coletânea, graças a Chess Records. Juntaram os dois discos completos em uma reedição remasterizada. Os macacos de nossa Oficina agradecem freneticamente, largando a banana-prata de lado, batendo palmas e assobiando ao mesmo tempo. "The Folks From Mother's Mixer" é uma coletânea indispensável para os amantes tanto do Rock'n'Roll, quanto do 70's Funk - e todas as "negrices" da música. Eu diria, aproveitando novamente dos termos e rótulos, que tal trabalho deve ser catalogado com as etiquetas "Deep-Hard-Funk-Rock" e/ou "Old But Gold" em sua coleção. Largue tudo de lado e ouça rapidamente este pepita norte-afro-americana de altíssimo nível!

"[...] Depois a banda chegou ao nome Black Murder (sugerido por Veasey) como uma crítica sobre a violência dentro da cidade, uma realidade vivida por muitos afro-americanos durante esse período. Considerando que muitos jovens negros estavam naquele momento a serem mortos pela polícia (além da Ku Klux Klan e outros grupos radicais), Veasey quis escolher um nome que poderia ser um lembrete chocante para o todos sobre a calamitosa situação. A ortografia foi mais tarde modificada para Black Merda (sugerida por Anthony), seguindo o sotaque afro-americano da palavra "murder", mantendo o tema original." +info em Dirty Funky Situation


Dê o play, macaco!
"[2005] The Folks From Mother's Mixer"

~CD1: Black Merda - 1970
1. Black Merda - Prophet (2:54)
2. Black Merda - Think Of Me (2:33)
3. Black Merda - Cynthy-Ruth (3:05)
4. Black Merda - Over And Over (5:31)
5. Black Merda - Ashamed (3:52)
6. Black Merda - Reality (2:01)
7. Black Merda - Windsong (4:14)
8. Black Merda - Good Luck (3:46)
9. Black Merda - That's The Way It Goes (3:16)
10. Black Merda - I Don't Want To Die (3:52)
11. Black Merda - Set Me Free (0:31)

~CD2: Long Burn The Fire - 1972
1. Black Merda - For You (4:41)
2. Black Merda - The Folks From Mother's Mixer (4:13)
3. Black Merda - My Mistake (5:28)
4. Black Merda - Lying (4:28)
5. Black Merda - Long Burn The Fire (3:23)
6. Black Merda - Sometimes I Wish (3:46)
7. Black Merda - I Got A Woman (4:57)
8. Black Merda - We Made Up (3:40)

~salve @TamiresSantiago e DirtyFunkySituation

LEIA MAIS

THE CACTUS CHANNEL: HAPTICS


Retomando a traiçoeira empreitada de indicar os mais notáveis discos do ano passado - antes de tirar os pés da Oceania -, apresentaremos agora o trabalho irreparável da big-band chamada The Cactus Channel. Estes australianos não estão pra chacota, rapidamente vão roubando a cena e trazendo o foco para si. E a sonoridade? Trata-se de uma pegada permeada pelo Ethio-Funk, Afrobeat e picos de Soul. Uma levada instrumental extraordinária, que alimenta a originalidade da banda. São dez integrantes sincronizados tanto espiritual quanto musicalmente. Conseguem passar suas angústias, desilusões e, também, seus deleites sem proferir um única palavra. É quando as notas viram verbos, grooves viram gestos e solos viram poesias aos nossos ouvidos.

O que está na jogada é criatividade, ótimas referências e muito talento. Hoje, The Cactus Channel é um fenômeno não só no continente-ilha, mas nem sempre foi assim. Uma banda nova com integrantes de pouca idade, recém-formados, mas na estrada desde 2009. Tal frescor é transpassado em seu som, o que soa exclusivo e moderno. Porém foi gravado com técnicas old-school, de forma analógica. Acontece que a sonoridade é de vanguarda. Ostentam aquele teor frenético de trilha sonora (ouça "Emanuel Ciccolini"), quando não, tranquilizam a paisagem com suavidade e precisão (ouça "Snap Kick That Fat Shit"). Timbres revelam suas referências do Funk/Soul setentista. The Cactus Channel está pronto, atento para pegar carona cavalo selado do sucesso e do reconhecimento internacional. Coisa linda de se ver, ouvir e dançar!


Dê o play, macaco!
"[2012] Haptics"

1. The Cactus Channel - Emanuel Ciccolini (3:20)
2. The Cactus Channel - The Colour of Don Don (4:04)
3. The Cactus Channel - Derty D's Thang (3:28)
4. The Cactus Channel - Budokan (3:50)
5. The Cactus Channel - Tom Has Ideas (4:14)
6. The Cactus Channel - Level Up (3:23)
7. The Cactus Channel - Boss Cat (4:03)
8. The Cactus Channel - Jungle Run (3:11)
9. The Cactus Channel - Under The Birdcage (3:55)
10. The Cactus Channel - Hot Teeth (3:33)
11. The Cactus Channel - Snap Kick That Fat Shit (6:07)



~integrantes:
Darvid "The Almighty" Thor - Guitars
Lewis "Coolman" Coleman - Guitars
Hudson "The Hudson" Whitlock - Drums
Henry "Hendogg" Jenkins - Fender Bass
Callum "Grant Granule" Riley - Piano, Organ
Campbell "Handsome" Wheeler - Alto & Baritone Saxophone
Kate Charlwood - Tenor Saxophone
Lena Douglas - Trumpet
Daniel "Beast" Sutton - Trumpet & Baritone Saxophone
Lauren Mullarvey - Tenor Saxophone
LEIA MAIS

PAPA CHANGO: THE MATADOR


O ano passado vai ficando pra trás e começamos a elencar, mesmo que a nível subconsciente, os melhores discos e revelações surgidos. É nessa hora que notamos a importância de 2012 na música moderna. Grandes lançamentos ao redor do globo provam que a boa música resiste, quase sempre não atinge a mídia convencional, mas a cada dia esta deixa de ser tão convencional assim. Novas mídias, novas logísticas, novos interesses e novas ondas sonoras. Hoje, apresentaremos o trabalho da misteriosa banda australiana Papa Chango. Um detalhe furtivo é o fato de existir uma outra banda equatoriana com o mesmo nome. Enquanto os magnatas das patentes tentam resolver o caso nós apreciaremos a louca sonoridade da mais importante delas, a do continente-ilha!

Papa Chango é uma big-band, fortalecida pelas ondas do Ethio-Jazz e Afrobeat do anos setenta. Uma linha que cada vez mais ganha notoriedade, respeito e adeptos com trabalhos interessantíssimos. Segue o caminho - guardando as particularidades de cada uma - de bandas como The Shaolin Afronauts, Soul Jazz Orchestra, Konkoma, Ocote Soul Sounds e, até, da paulistana Bixiga 70, por exemplo. O disco lançado no ano passado, 2012, traz uma ideia que hoje não é mais inédita, mas nem por isso deixa de ser irreverente: "The Matador" é tido uma como uma trilha sonora de um filme que não existe (pelo menos por enquanto). Acho que esta ideia de vincular a um 'filme fantasma', surge só após finalizado o disco. Vem com a sonoridade obtida. Algumas faixas realmente trazem embutidas cenas de faroeste surreal, ou de fugas frenéticas, ou de ficção neuro-científica. A sonoridade é bem marcante: timbres 8-bit certeiros, grooves misteriosos e melodias viscerais. Faixas que levam a sério o ineditismo a cada acorde. Diferentes uma da outra mas sem perder o foco, sem perder a linha. Calmo e intenso, simples e imenso, certo e sem-parafusos. Tudo isso é atingido e abrangido pelo mote visionário de Papa Chango. Encontrem seu deleite e passe a bola adiante!


Dê o play, macaco!
"[2012] The Matador"
>>> Como Baixar?

1. Papa Chango - A Challenger Appears (4:50)
2. Papa Chango - Dark Passenger (4:53)
3. Papa Chango - Heavy Load (5:20)
4. Papa Chango - Boneyard (Funeral Of A Man) (4:37)
5. Papa Chango - Theme From The Matador (5:21)
6. Papa Chango - Bouncy Castles In The Sky (4:35)
7. Papa Chango - The Mantis (4:26)

LEIA MAIS

Copyright 2014 OFMA (BLOG DE TESTES) - OFMA (BLOG DE TESTES) by Template Trackers